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Asma em pessoas idosas

A tendência é considerar a asma como uma condição que aparece em jovens, especialmente crianças. Na verdade, ela é muito mais comum em crianças, como já vimos. Quando estes pacientes ficam mais velhos, alguns têm sintomas persistentes, outros têm sintomas mais suaves e outros, ainda, para todos os efeitos, livram-se de seus sintomas.

Alguns pacientes desenvolveram asma pela primeira em idade avançada, o que os irrita profundamente. Acredita-se, muitas vezes, que estes pacientes são mais propensos a terem um a asma severa e a terem que tomar esteróides orais. Acredita-se também que são menos propensos a alergias. Todas estas crenças são até certo ponto verdadeiras, entretanto é importante que se visualize que há sempre uma sobreposição de padrões de asma ou longo da vida. Vale a pena repetir uma vez mais que cada paciente deve ser avaliado individualmente.

A falta de ar em idosos é muitas vezes causada por doença cardíaca; assim sendo, os sintomas necessitam ser investigados. No caso de Tom, as medidas de fluxo expiratório máximo mostraram que ele de fato estava sofrendo de asma do adulto. A medição inalada contra a asma aliviou seus sintomas.

Sintomas

 

Os sintomas em pacientes idosos são idênticos àqueles encontrados em pacientes mais jovens com asma, porém é mais comum a falta de ar, principalmente em exercício. Isto se deve ao fato de que muitas pessoas acima de 60 anos fumaram e isto as deixou com um leve estreitamento irreversível dos brônquios. Isto faz com que o exercício lhes cause falta de ar mais rapidamente do que a outras pessoas.

Os problemas podem ocorrer quando um paciente idoso se queixa de opressão no peito quando em exercício. Como uma doença cardíaca é comum nesta faixa etária e a angina pode ter este mesmo sintoma, talvez ocorra uma demora no diagnóstico, seja de angina ou de asma.

História de caso: Asma iniciada tardiamente

Tom, um homem de 82 anos, foi ao seu médico com um relato de episódios de falta de ar , nos últimos seis meses. Algumas vezes sem motivo aparente, outras quando em exercício. Ele não sentia chiados no peito, mas admitiu que sentia uma opressão no seu peito, especialmente quando tinha falta de ar em exercício.

A primeira impressão do médico, com razão, foi que num homem desta idade seria mais provável um problema cardíaco, mas o tratamento para angina não apresentou resultados. Ele foi encaminhado para um consultor de um hospital que achou que a asma de adulto tinha que ser descartada, embora ele desconfiasse ser este um diagnóstico pouco provável. Para surpresa do consultor, o fluxo expiratório máximo registrado assiduamente pelo paciente mostrou a variação típica da asma e a prescrição de medicação antiasma resultou numa melhoria de seus sintomas.

A reação do paciente ao tomar conhecimento de que ele tinha asma foi faz mais interessante, a de raiva.

"Por que eu? Nunca fumei e sempre me cuidei bem. Ninguém na minha família sofre de asma. Por que eu?"

Ele só se acalmou com as explicações dadas e a confirmação de que com dois ou três jatos de esteróides inalados ele melhoraria consideravelmente. Agora ele já pode praticar jardinagem como fazia anteriormente, usando ocasionalmente seus inalador paliativo.

Qual o tratamento?

O tratamento de asma em pacientes idosos é o mesmo e segue as mesmas etapas do tratamento em pacientes mais jovens, porém podem ocorrer problemas com o manuseio dos dispositivos para inalação. O sistema de pó seco do Rotacap pode ser de difícil manuseio para uma mão com artrite e pacientes com mãos doloridas ou enrijecidas podem ter dificuldades até mesmo com o inalador dosificador (pulverizador).

Alguns apetrechos estão disponíveis no mercado para facilitar o uso do pulverizador para estes pacientes, mas na maioria dos casos uma aerocâmera vem volumosa diminui o problema; é somente o caso de ajustar o inalador ao paciente. Como conseqüência da idade, os pacientes acabam tendo que tomar uma grande variedade de comprimidos, poções e outros medicamentos para uma série de condições.

Com freqüência isto pode provocar confusões, cabendo ao médico manter o "regime" do tratamento o mais simples possível. Talvez seja até necessário sacrificar um tratamento ideal somente para assegurar que os tratamento mais importantes sejam feitos.

Os efeitos colaterais de qualquer forma de tratamento são mais comuns em pacientes idosos. Nos asmáticos mais graves, os efeitos de esteróides orais podem ser bem severos, particularmente a osteoporose e os problemas de pele, fragilidade, facilidade em se machucar e má cicatrização. Os pacientes usando altas doses de esteróides inalados (mais do que 1.500 microgramas por dia) podem também desenvolver estas mudanças na pele, embora num grau não tão dramático.

Quais são as perspectivas?

É provável que a asma iniciada em idade avançada não abandone o paciente. A asma necessariamente não piora e um bom tratamento propriamente aplicado controlará eficazmente os sintomas.

Cada pessoa terá suas próprias metas ou necessidades. Para alguns será somente a possibilidade de mexer no jardim, o que sua asma não tratada impedia. Outros vão querer dar uns passeios, fazer suas compras ou ir ao barzinho da esquina encontrar os amigos. O sucesso consiste em atingir a meta proposta, sem necessariamente aumentar cada vez mais a dose do inalador para uma melhora que o paciente não pode na realidade atingir, ou mesmo não queira.

Como já mencionei anteriormente, o número de mortes motivadas pela asma aumentou em pessoas idosas nos últimos cinco a dez anos, mas os motivos para tanto ainda não foram devidamente esclarecidos. Suponho que há um certo tempo, muitas pessoas que morreram de bronquite tiveram sua morte atribuída à asma (na verdade muitas das mortes por asma podem igualmente, hoje em dia, ser atribuídas à bronquite crônica). Por este motivo não devemos ser complacentes em nossas tentativas de prevenir mortes por asma em pacientes por ela afetados, quaisquer que sejam sus idades.

A perspectiva para pacientes asmáticos mais idosos pode ser considerada positiva. O tratamento é seguro e eficaz, embora os pacientes com casos mais severos tenham que encontrar um equilíbrio entre os sintomas de sua asma e os efeitos colaterais.

Pontos centrais

  • A asma pode se desenvolver na idade avançada e os que dela sofrem são mais propensos a ter falta de ar, especialmente quando em exercício.
  • A distinção entre angina e asma é difícil de ser feita em pessoas idosas.
  • Os efeitos colaterais do tratamento da asma são mais comuns em pacientes idosos.
  • Embora a asma dificilmente desapareça, os idosos que dela sofrem podem exercer um controle eficaz de seus sintomas com tratamento apropriado e voltado às sua necessidades individuais.

Fonte: ISTOÉ - GUIA DA SAÚDE FAMILIAR - volume 4 "ASMA" páginas 56 a 60


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