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Causas
e desencadeadores da asma
A
maioria das pessoas sabe que a asma "ocorre em famílias"
e inegavelmente há um componente hereditário para esta condição,
especialmente no caso de asma alérgica (ou extrínseca).
O fator genético é menos evidente em pacientes não alérgicos
(asma intrínseca).
Como começa?
A tendência para a manifestação da asma não é um fato absoluto:
ela não é herdada como a cor dos olhos ou grupo sangüíneo.
Um paciente com asma muito severa pode ter filhos que nunca
sofrerão desta condição.
O
papel de fatores ambiental (como por exemplo, alérgenos
e exposição à fumaça passiva) é portanto fatores predominantes
da manifestação e do agravamento da asma. Entretanto, está
claro que para a "semente" da asma germinar, o "solo" deve
estar preparado.
Ácaros
da Poeira Doméstica e Outros Fatores
Em
oposição a este pano de fundo vário fatores são responsáveis
pela manifestação dos primeiros sintomas da asma. Por exemplo,
a asma que se manifesta no adulto geralmente decorre de
um resfriado ou de uma infecção virótica; outras vezes,
a exposição a um desencadeador no local de trabalho pode
ter sido o fator provocador.
O
fator mais importante para a manifestação da asma, principalmente
em crianças, é a exposição ao ácaro da poeira doméstica,
genericamente conhecido por ácaro. Este animalzinho, menor
que a cabeça de um alfinete, vive em carpetes, colchões
e brinquedos de pelúcia. Em cada colchão podem existir cerca
de dois milhões!
Quando
uma pessoa suscetível é exposta à proteína dos resíduos
das fezes do ácaro por certo espaço de tempo, as células
brancas do corpo tornam-se sensíveis a esta "substância
estranha". Ao inalar a proteína, ocorre uma reação a ela
na parede dos brônquios resultando na inflamação das vias
aéreas. A inflamação provoca uma irritação na parede, de
modo que qualquer exposição subseqüente, seja ao ácaro ou
a outro fator desencadeante, resultará no estreitamento
dos brônquios e nos sintomas de asma.
Há
outros elementos que podem contribuir para o início da asma.
Em alguns casos, o fato da futura mãe fumar durante a gravidez
ou a exposição passiva à fumaça de cigarro na infância.
| A
Manifestação da Asma |
-
Hereditariedade
-
Mãe
fumante durante a gravidez
-
Fumante
passivo na infância
-
Alérgenos (principalmente o ácaro)
-
Resfriados
ou infecções virais
-
Exposição
ocupacional (ou no meio de trabalho)
|
Inflamação
das vias aéreas
A
asma, portanto, é devida a uma inflamação que torna as vias
aéreas mais irritáveis. A inflamação é uma tentativa do
corpo em responder a uma série de agressões e pode ser vista
em muitas doenças tais como artrite, colite e dermatite.
Os problemas começam a ocorrer quando a inflamação não resolve
e torna-se de longa duração ou crônica, como no caso da
asma.
A via aérea normal está coberta por uma camada protetora
delicada, a mucosa ou epitélio. Esta camada é formada por
vários tipos de células com diferentes funções. Algumas
podem produzir muco enquanto outras ajudam a retirar o muco
das vias aéreas empurrando as secreções para os brônquios
por meio do movimento de pequenos dedos, ou cílios, que
se encontram na superfície destas células. Estes cílios
constituem a primeira estrutura a ser destruída pela fumaça
do cigarro, que ao mesmo tempo estimula a produção de muco
porque a fumaça é causadora de inflamação. Este é o motivo
pelo qual os fumantes tossem e expectoram muco (catarro).
Em alguns pacientes com asma, a tosse é importante, o que
não é nada surpreendente, já que vimos que a asma é uma
condição inflamatória.
Abaixo
da mucosa, uma segunda camada (a submucosa) localiza-se
sobre uma lâmina espiral de músculo, que na asma se contrai
quando o paciente inala um desencadeador como por exemplo,
o pólen da grama.
Há
três processos diferentes que provocam o estreitamento das
vias aéreas e a manifestação de chiados. Primeiro, a camada
intermediária das vias aéreas (submucosa) se dilata; depois,
as glândulas mucosas produzem mais secreções (que devem
ser expelidas pela tosse para limpar as vias aéreas) finalmente,
o músculo liso contrai-se como resultado da liberação de
substâncias das células inflamadas.
O
resultado final destes três efeitos é o estreitamento das
vias aéreas, dificultando a entrada e saída de ar, o que
dá início à respiração ofegante. Diferentes formas de tratamento
foram planejadas para combater cada componente do estreitamento
das vias aéreas.
Na asma, os sintomas podem ocorrer sem um motivo óbvio ou
podem ser causados por uma exposição bem definida a um conhecido
"fator desencadeador" tal como pólen de grama durante o
verão. Da mesma forma, o estreitamento da via aérea pode
ser revertido ora espontaneamente, ora com o uso de um medicamento
paliativo ou de alívio.
| Como
as asma afeta as vias aéreas |
| Durante
um ataque de asma, as paredes dos músculos
das vias respiratórias (brônquios
e bronquíolos) se contraem, causando
um estreitamento do seu diâmetro interno.
O aumento da secreção de muco e a
inflamação dos forramentos internos
das vias respiratórias ocasionam masi outro
estreitamento
 
| 1
- Via aérea normal
a)
Submucosa
b) Via aérea
c) Mucosa
d) Glândula produtora
de muco
e) Músculo
f) Muco |
2
- Via aérea durante um ataque de asma
a)
Mucosa dilatada
b) Via aérea estreitada
c) Excesso de muco
d) Aumento da secreção
de muco da glândula |
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História
dos casos
Se
você sofre de asma irá reconhecer alguns dos vários fatores
que podem desencadeá-la.
História
do caso 1: Asma Infantil
João
tem sete anos e sua mãe, que sofrera da febre do feno quando
mais jovem, notou que ele começou a tossir quando corria
pelo jardim. Ela levou-o ao médico que prescreveu antibióticos
em três ocasiões, sem nenhum resultado.
Os sintomas tornaram-se persistentes e foi somente quando
ele apresentou chiado, com o esforço físico feito durante
uma aula de jogos na escola, que ela tomou consciência real
do fato, sendo a asma então diagnosticada. Um inalador broncodilatador
foi prescrito para João. Desde então ele tem estado
bem, podendo jogar sem perder o fôlego.
História
do caso 2: Alergia a Pêlo Animal
Carolina,
uma mulher de 27 anos que sofre de asma há muito tempo,
com o agravamento dos sintomas nos últimos dois meses, foi
encaminhada a um pneumologista. Ela sabia que havia muitos
desencadeadores alérgenos para sua asma, inclusive pólen
de grama e de árvores e animais com pêlo.
Como
parte da avaliação, o médico visitou-a em casa e foi recebido
por 14 gatos, os quais, ele veio a saber, ela criava e levava
para exposição de animais, fato que ele até então ignorava.
Carolina
tinha uma reação extremamente forte ao teste de alergia
por pêlo animal, mas fervorosamente negava que piorava sua
condição ao pegar nos gatos. Estava claro que os gatos eram
a causa principal de sua asma continuada, proporcionando
uma exposição constante a alérgenos provocando assim, episódios
de asma virtualmente recorrentes e continuados. Ela não
queria se desfazer dos gatos, seus melhores amigos, e o
equilíbrio entre seus ataques graves de asma e os benefícios
de manter seus amigos e companheiros teve que ser atingido.
História
do caso 3: Alergia a Perfumes
Georgina trabalhou por 22 anos na seção de cosméticos de
uma grande loja de departamentos. Depois de uma infecção
viral no outono, ela começou a ter asma que, de início,
foi facilmente tratada pelos meios habituais.
Entretanto, depois de um ano, os sintomas de Georgina se
agravaram, particularmente a tosse; os aromas pareciam ser
os desencadeadores principais. Ela parou de usar perfumes,
mas após uma melhora inicial, os sintomas começaram a indicar
claramente que a exposição aos perfumes na loja era a eles
diretamente ligados. Finalmente ela teve que abandonar seu
emprego (tinha 58 anos) e seus sintomas melhoraram sensivelmente.
História
do caso 4: Poluição Atmosférica
Davi, um asmático grave dos seus 20 anos, teve, em
certo outono, alguma dificuldade em controlar sua asma.
Ele aumentou o uso de inaladores e seu médico receitou duas
séries de comprimidos de esteróides.
Chegando
perto do Natal, sua asma parecia ter se estabilizado um
pouco, quando um período de cinco dias de poluição atmosférica
atingiu sua cidade, tendo seu pico na véspera do Natal.
Neste dia, a asma de Davi piorou demais e apesar
de ingerir mais comprimidos de esteróides e de aumentar
o uso do nebulizador, ele teve que ir para o hospital, um
modo inaceitável de comemorar o Natal!
História
do caso 5: Sensibilidade ao Pólen
Certo verão, uma tempestade muito forte atingiu São Paulo.
Durante este período, centenas de pacientes procuraram o
setor de emergências dos hospitais com crises de asma. Alguns
nem tinham idéia que fossem asmáticos, embora alguns admitissem
que ficavam com chiados no peito quando com febre de feno
(eles tinham asma, mas isto nunca lhes fora dito antes!).
É provável que a combinação específica de fatores meteorológicos
com altas concentrações de pólen possa ter deflagrado esta
situação, um exemplo dramático do clima afetando pacientes
asmáticos.
Fatores
Desencadeadores Interativos
Em
muitos casos, dois ou mais fatores interagem e combinações
diferentes podem ser importantes para diferentes pessoas.
A asma é uma condição muita subjetiva, o que é bom para
uma pessoa não é necessariamente para outra pessoa e modelos
para se evita a asma, de tratamento e planejamento prévio,
devem ser organizados especialmente para cada indivíduo.
Pontos
centrais
-
A asma pode aparecer em famílias, mas um paciente com
asma bem severa pode ter filhos que nunca desenvolverão
esse estado.
- O
fator mais importante para que a asma se manifeste numa
pessoa, especialmente em crianças, é o ácaro da poeira
doméstica.
- Os
sintomas podem ocorrer sem um motivo óbvio ou por exposição
a um ou dois fatores desencadeadores, tais como, exercício,
infecção viral, fumaças, poeira, desgosto, stress, clima
e poluição.
- Diferentes
combinações de fatores desencadeadores têm importância
diferente para diferentes pacientes
Fonte:
ISTOÉ - GUIA DA SAÚDE FAMILIAR - volume 4 "ASMA"
páginas 14 a 22
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