Radiação
Solar
A
luz solar é uma radiação eletromagnética - energia de muitos
comprimentos de ondas diferentes emitida pelo Sol. Ela atravessa
o espaço numa velocidade enorme de 299.274 km por segundo.
Essa energia nos prove da luz e do calor de que necessitamos,
mas também dos prejudiciais raios ultravioletas (UV).
A maneira pela qual a radiação solar nos afeta depende do
seu comprimento de onda, o qual determina como ela será absorvida
pelos nossos diferentes tecidos. Esses tecidos incluem aqueles
do olho, responsáveis pela visão, e os da pele, todos suscetíveis
à lesão pelos UV.
O que é Luz Solar?
Além dos UV e das radiações visível e infravermelha (calor),
a luz solar é composta de um grande numero de outros raios
solares, tais como raios cósmicos, raios gama, raios-X e
radiações de radiofreqüência, mas estes últimos estão presentes
em quantidades muito pequenas ao nível da superfície terrestre
ou são de tão baixa energia que não chegam a afetar nossas
peles. Quando esses raios penetram a atmosfera, eles são
modificados de várias maneiras. Por exemplo, a radiação
visível é difundida de uma tal maneira pelas moléculas de
oxigênio e nitrogênio atmosféricos que faz com que o céu
pareça azul, uma grande quantidade da energia total é absorvida
ou refletida de volta para o espaço por essas moléculas,
pelo vapor de água atmosférico, por partículas de poeira
e outros constituintes. O resultado é que apenas dois terços
da energia solar que chega à superfície atmosférica penetra
ao nível do rés do chão, e esta parte é composta de 5% de
UV, 40% de radiação visível e 55% de radiação infravermelha.
A importância da Luz solar
A
energia da luz solar tem sido essencial para a evolução
da vida na Terra. Ela fornece luz visível para a fotossíntese,
o processo pelo qual as plantas usam essa energia para crescer
e eventualmente prover alimentos para outras criaturas através
da cadeia alimentar. Os raios infravermelhos nos dão calor
de que necessitamos para viver, enquanto a luz visível é
a parte do espectro que nossos olhos precisam para enxergar
e que também regula nosso ritmo biológico chamado circadiano.
Nosso humor e sensação de bem-estar também podem ser afetados
pela luz visível; a privação de luz solar pode causar um
tipo de depressão de inverno conhecida como distúrbio afetivo
sazonal (DAS).
Pequenas quantidades de radiação UV promovem a síntese de
vitaminas D na pele. Esta vitamina fortalece os ossos e
portanto evita o raquitismo. Entretanto, a vitamina D também
pode vir de nossa dieta - por exemplo, de óleos de peixes,
de ovos e de produtos laticínios, os quais são suficientes
para nos prover de toda a vitamina de que necessitamos normalmente.
Visto dessa maneira, parece que a radiação UV pode não ser
absolutamente de nenhum valor para nós, mas que é, sim,
responsável pela maioria dos efeitos danosos da radiação
solar tais como as queimaduras, o fotoenvelhecimento e os
cânceres de pele. Entretanto, a radiação UV é usada pelos
médicos em algumas circunstâncias especiais para tratamento
de afecções cutâneas quando nenhum outro tipo de tratamento
se mostrou eficiente; em todo caso, é bom lembrar que a
pele sadia é lesada nesse tipo de terapia.
Radiação solar UV
O componente UV da radiação é pequeno, mas biologicamente
importante, consistindo em comprimentos de ondas entre 100
e 400 nanômetros (nm). São subdivididos em três categorias:
UVC: 100 - 290 nm
UVB: 290 - 320 nm
UVA: 320 - 400 nm
A UVC é completamente absorvida pela camada de ozônio da
atmosfera e não penetra ao nível do rés do chão, assim a
radiação UV que nos atinge consiste em UVB (cerca de 5%)
e UVA (95% ou mais). Entretanto, essas porcentagens são
aproximações relativas variam com as estações, hora do dia,
latitude e muitos outros fatores.
Embora a UVB represente apenas uma pequena proporção do
total da radiação UV, ela é, contudo, extremamente importante
porque é a responsável principal pelas queimaduras solares,
fotoenvelhecimento e câncer de pele.
Isto se dá porque é muitas vezes mais eficiente do que a
UVA para causar alterações deletérias no material genético
das células vivas, isto é, no DNA. Disso resulta que, mesmo
a UVA compondo a maior parte da radiação UV solar ao longo
de todo o ano, ela é responsável por apenas cerca de 10%
a 20% dos efeitos danosos da exposição ao Sol. Em todo o
caso, há evidências claras de que a exposição regular de
sua pele a doses altas de UVA em câmaras de UV causa lesão
semelhante à da exposição à luz solar, embora as câmaras
de UV freqüentemente emitam uma grande quantidade de UVB.
A UVA também tem um papel importante no desenvolvimento
de toda uma série de erupções cutâneas causadas pela luz
solar.
Outras fontes de UV
Embora o Sol seja de longe a fonte principal de radiação
UV para a Terra, a UV é também emitida artificialmente por
muitos tipos de lâmpadas, inclusive a fluorescentes, e por
equipamentos de solda, sendo essas fontes importantes de
exposição ao UV para pessoas que trabalham com esses dispositivos
ou equipamentos de solda, sendo essas fontes importantes
de exposição ao UV para pessoas que trabalham com esses
dispositivos ou equipamentos.
Lâmpadas especiais de radiação UV são também destinadas
a um uso cuidadoso, sob supervisão médica, para o tratamento
de algumas afecções de pele, tais como a psoríase e a eczema.
As lâmpadas fluorescentes são uma outra fonte de radiação
UV, mas, devido à baixa densidade de emissão envolvida,
não se acredita que cheguem a causar lesão da pele. Por
outro lado, lâmpadas halogênicas de tungstênio, tipo spot,
são potencialmente perigosas se usadas continuamente; podem
causar queimaduras após minutos ou horas de exposição e
provavelmente também têm o potencial de causar fotoenvelhecimento
e mesmo câncer de pele quando usadas continuamente por anos
a fio.
>> Como variam os níveis de UV
O fator que tem a maior importância na determinação da intensidade
da radiação UV terrestre é a altura do Sol no céu., a qual
depende da hora do dia, da estação e da latitude. A altitude,
a cobertura de nuvens, o terreno e a quantidade de céu limpo
são fatores modificadores de menor importância.
Hora do dia
A maior densidade de radiação UV é recebida nas quatro horas
em torno do zênite solar (isto é, quando o Sol está em seu
ponto mais alto no céu). No Brasil isto acontece entre 11h00
e 15h00 em um dia claro de verão. Nessas horas, o ângulo
dos raios solares relativamente à superfície da Terra é
tal que a luz tem a menor distância para atravessar a atmosfera
e portanto menor oportunidade de ser absorvida ou refletida.
Como resultado, cerca de um terço da radiação UV diária
é recebida entre 12h00 e 14h00 e três quartos entre 10h00
e 16h00.
Aos níveis de UVB, em particular, variam significativamente
durante o dia, sendo muito mais suscetíveis aos fatores
atmosféricos do que a UVA e a luz visível; assim, no verão,
a intensidade de UVB aumenta e diminui muitas vezes entre
10h00 e 16h00. em termos práticos, portanto, isto significa
que o risco de queimadura solar é quando o Sol se encontra
em seu ponto mais alto, o que ocorre mais ou menos em torno
das 13h00, embora no verão você deva manter um nível mínimo
de exposição entre 11h00 e 15h00 porque os níveis de radiações
são persistentemente altos durante essa estação.
Uma regra simples a seguir é a de que se sua sombra é menor
do que sua altura, você não deve se expor ao sol sem proteção.
Pela manhã e ao entardecer, quando as sombras são mais longas,
a luz do Sol tem menos efeitos danosos.
Estação do ano
Variações sazonais na intensidade da radiação UV, particularmente
a da UVB, são mais pronunciadas em climas temperados, como
do norte da Europa. Nessas regiões a intensidade da UVB
pode variar até 25 vezes entre inverno e verão. A intensidade
da UVA é mais constante, sendo menos suscetível à reflexão,
à deflexão e ao conseqüente enfraquecimento durante uma
passagem mais curta ou mais longa pela atmosfera. Por outro
lado, ao redor do Equador os níveis variam muito menos,
sendo altos durante o ano todo, porque o Sol está sempre
relativamente alto no céu no meio do dia, independentemente
da estação do ano.
Latitude geográfica
A radiação UV diminui à medida que se afasta do Equador.
Por exemplo, a média de exposição anual para uma pessoa
vivendo no Havaí (20 ºN) é aproximadamente quatro vezes
maior do que a de uma outra vivendo no norte europeu (50o
N). Este aumento de exposição é, de novo, causado pela diminuição
da distância que a radiação UV percorre na atmosfera terrestre
nas latitudes menores.
Altitude
Como regra geral, para cada 300 metros (cerca de 1.000 pés)
de aumento de altitude, o poder da radiação UV em causar
queimaduras aumenta cerca de 4%. Isto acontece porque a
radiação atravessa uma menor distância de atmosfera em regiões
de altas altitudes como nas montanhas.
Cobertura de Nuvens
A ação das nuvens em reduzir a quantidade de radiação UV
que atinge o rés do chão é apenas moderada, muito menor
do que elas exercem sobre a temperatura, de modo que você
pode muito bem se queimar em um dia nublado de verão, mesmo
que a temperatura esteja amena. Isto acontece porque a água
das nuvens absorve calor muito melhor do que absorve radiação
UV. Dessa maneira, nuvens esparsas em um céu azul influenciam
muito pouco o nível de radiação UVB, embora, um toldamento
de nuvens completo do céu possa, ocasionalmente, reduzir
a probabilidade de uma queimadura de até 50% e nuvens muito
pesadas podem levar essa redução a 90%. Em outras palavras,
é possível ganhar uma queimadura em um dia de verão mesmo
que o tempo esteja nublado, frio e desagradável. A poluição
tem um efeito semelhante ao das nuvens, reduzindo apenas
discretamente os efeitos da radiação UV.
Vento
O vento, a menos que seja muito quente, tem o efeito falsamente
gratificante de reduzir a temperatura de sua pele, de forma
que você se sinta refrescado mesmo que os níveis de radiação
UVB permaneçam inalterados. Você pode se queimar severamente
na presença como na ausência de uma brisa refrescante. O
risco é relativamente mais alto em um dia nublado de mormaço.
Isto acontece porque você perde a noção da força da radiação
solar e, portanto permanece mais tempo ao ar livre.
Vidro de janela
A maioria dos vidros usados na confecção de janelas e de
pára-brisas de carros bloqueiam a UVB, mas não a UVA, ou,
é claro, a luz visível. Isto significa que, embora esses
vidros reduzam drasticamente o risco de queimaduras, eles
não evitam as erupções cutâneas induzidas por UVA nem lesões
de longo termo.
Reflexão de superfície
Algumas superfícies refletem bem a radiação UV, permitindo
que ela cheque em maior quantidade à sua pele aumentando
o risco de uma queimadura. Assim, vidros refletem apenas
cerca de 3% da UVB, enquanto uma areia de praia branca e
seca reflete cerca de 25%. Entretanto, embora a superfície
de água aberta não reflita UVB quando o Sol está alto, superfície
encrespada e mar grosso podem refletir muito mais, talvez
até uns 20%. Isto significa que você pode se queimar muito
mais rapidamente numa praia, mesmo protegido por uma barraca,
ou velejando, do que ficando no seu quintal. Esse risco
de queimadura pode ser aumentado ainda mais por um efeito
de dispersão da radiação no céu. Neve caída recentemente
também reflete grandes quantidades de UVB, até 85%; isso
explica as freqüentes queimaduras solares severas de esquiadores
descuidados, que sofrem com o efeito enganador do vento
e do clima frio.
Temperatura
A temperatura do ar ambiente (por exemplo, 0o C versus 30o
C) ou a temperatura de qualquer água onde você esteja nadando,
a menos que esteja mergulhando a alguns metros de profundidade,
tem apenas uma pequena influência sobre a intensidade da
radiação UVB incidente.
Efeito de dispersão no céu
A radiação UV não atravessa incólume a atmosfera terrestre,
pois sofre colisões com moléculas de ar em sua trajetória,
semelhante ao que acontece num jogo de bilhar. Como resultado,
os raios alcançam o rés do chão de todos os ângulos a partir
do céu; a luz visível e o calor são menos afetados por esse
processo. Assim, se você consegue ver muito céu aberto,
o risco de se queimar é ainda muito grande, mesmo que você
esteja protegido por uma nuvem, por árvores, prédios ou
por um guarda-sol. Na verdade, até dois terços da UVB nos
chegam dessa maneira e apenas de um terço à metade chega
em linha direta do Sol.
Ozônio e Câncer de pele
O ozônio é um gás na atmosfera superior criado a partir
do oxigênio por ação da radiação solar UVC; o ozônio absorve
uma parte da UVB, o que faz com que ele reverta o oxigênio
novamente. Presentemente, então, há um equilíbrio entre
a produção e a destruição de ozônio; a absorção de toda
a UVC e parte da UVB nesse processo impede que uma grande
parte das radiações danosas atinjam a superfície da Terra.
Se essa quantidade de radiação que é atualmente absorvida
chegasse à superfície da Terra, um número enorme de organismos
unicelulares mais vulneráveis, como é o caso do plâncton,
certamente morreria, interrompendo a cadeia alimentar do
planeta e toda a manifestação de vida como conseqüência.
Antes que esta catástrofe total ocorresse, todos nós enfrentaríamos
maiores riscos de queimaduras, fotoenvelhecimento e câncer
de pele, embora pudéssemos diminuir grandemente esses riscos
tomando mais cuidado quando expostos ao sol.
Atualmente é de conhecimento geral que algumas substâncias
químicas e certos gases, predominantemente derivados sintéticos
do cloro e do flúor, usados nos aerosóis e nos gases de
refrigeração, são capazes, quando liberados na atmosfera,
de alterar o equilíbrio do ozônio, porque este é inativado.
Em 1974, quando os cientistas se deram conta de que isso
estava acontecendo, eles já calcularam o que resultaria
na superfície da Terra em razão de um tal aumento de radiação.
Atualmente, "buracos" de ozônio, que são áreas de rarefação
relativa do gás, são freqüentemente registrados por cientistas
do Grupo Britânico de pesquisas Antárticas durante a primavera
do Pólo Sul; o problema é mais sério nessa região por causa
do extremo frio que acelera o processo de inativação. Entretanto,
nos dias atuais, a perda de ozônio em outros locais do globo
é muito pequena para causar preocupações, mesmo em épocas
do ano em que a radiação UV é alta e potencialmente mais
danosa. Contudo, há preocupação de que o fenômeno se torne
mais generalizado a não ser que medidas em escala mundial
sejam tomadas para se evitar o avanço da poluição atmosférica.
Felizmente, há uma série, de providências de grande alcance
que estão sendo tomadas nesse sentido.
Resumindo, portanto, a despeito de haver redução da camada
de ozônio em algumas partes do mundo, durante alguns períodos
do ano, principalmente no Hemisfério Sul, não há dados seguros
de que esteja havendo um aumento na radiação UVB terrestre,
pelo menos nas últimas décadas. Se as medidas antipoluição
continuarem a ser adotadas, não se espera que haja um aumento
real; se essas medidas forem negligenciadas, aí então o
risco de futuros problemas torna-se muito grande.
Está bastante claro que outros fatores que não o aumento
da radiação UVB pela redução da camada de ozônio são os
responsáveis pelo aumento da camada de ozônio são os responsáveis
pelo aumento da incidência de câncer de pele nos últimos
50 anos. O mais importante, provavelmente, é o fato de que
passamos a desfrutar a maior parte do nosso tempo de lazer
em atividades ao ar livre e, portanto mais expostos ao sol;
além disso, o envelhecimento crescente da população e a
melhoria dos métodos diagnósticos também contribuem de maneira
significante.
Pontos centrais
- A
intensidade da radiação UV depende, em grande parte, da
hora do dia, estação do ano e latitude.
- A
camada de ozônio da atmosfera, que forma uma barreira
de proteção à penetração da radiação de UV solar mais
danosa para os seres vivos, está sendo lentamente diminuída
por ação de substâncias químicas fabricadas pelo homem.
- Os
níveis terrestres de UVB não aumentaram significativamente.
-
O aumento da incidência de lesões induzidas pela luz solar
é devido provavelmente às recentes mudanças no estilo
de vida
Fonte:
ISTOÉ - GUIA DA SAÚDE FAMILIAR
- volume 12 - dezembro/2001
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