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Largar o café pode ajudar o coração

Um estudo recente de pesquisadores noruegueses demonstrou que os indivíduos que param de tomar café filtrado contendo cafeína apresentam redução nos níveis de colesterol e de homocisteína.

Níveis elevados de ambas as substâncias são fatores de risco conhecidos para doenças cardíacas.

Pesquisas anteriores mostraram efeito similar em relação ao café fervido, que não é filtrado e, portanto contém mais compostos orgânicos naturais presentes nos cafezais. Algumas dessas substâncias, chamadas terpenóides, agem aumentando os níveis de colesterol. Mas a questão se o café realmente aumenta o risco de doenças cardíacas permanece controversa, com alguns estudos, mas não todos, estabelecendo uma relação entre a ingestão da bebida e o risco aumentado.

O Dr. Benedicte Christensen, do Ulleval University Hospital em Oslo e principal autor do estudo, explica que "o café filtrado também altera os níveis de colesterol e homocisteína."

"Se você apresenta níveis elevados de colesterol ou homocisteína e bebe muito café, deve pensar em reduzir a quantidade", disse o Dr. Christensen a Reuters Health.

No estudo, os pesquisadores avaliaram amostras de sangue de 191 indivíduos entre 24 e 69 anos de idade, não-fumantes e que ingeriam café. Os voluntários, saudáveis, foram aleatoriamente distribuídos em três grupos. Um deles não consumiu café, outro ingeriu entre 1 e 3 xícaras de café por dia, e o terceiro bebeu mais de 4 xícaras por dia.

O estudo durou 6 semanas e foram coletadas amostras de sangue de cada participante no início do estudo, após 3 semanas e no final desse período.

Na edição de 23 de agosto do American Journal of Clinical Nutrition, os autores observam que todos aqueles que consumiram café utilizaram métodos padronizados de preparo da bebida, incluindo o uso de filtros.

Após 6 semanas, os indivíduos que não ingeriram café mostraram uma redução de 10% nos níveis de homocisteína. Os níveis de colesterol foram diminuídos em 0,28 milimoles por litro, efeito menor que o observado em estudos anteriores. Os resultados "indicam que os terpenóides que causam o aumento na concentração de colesterol são removidos apenas em parte pelo filtro do café", afirmam os pesquisadores.

Christensen observou que embora o objetivo do estudo não seja identificar uma explicação biológica para a relação entre o café e os níveis de homocisteína, ele acredita que a ingestão da bebida pode interferir com a capacidade do organismo de manter os níveis normais de homocisteína, talvez através da inibição da ação das vitaminas B6 e folato.

Fonte: American Journal of Clinical Nutrition 2001;74:302-307.


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