Ginástica
para o coração
Pessoas
que sofrem de insuficiência cardíaca, hipertensão e diabete
melhoram expressivamente seu quadro clínico, com a prática
de exercícios físicos adequados e embasados cientificamente.
Essa constatação, feita por pesquisadores do Laboratório de
Fisiologia Cardiovascular do Exercício, do INCOR Instituto
de Coração, por meio de estudos detalhados, resulta, hoje,
na melhoria das condições de vida de aproximadamente 2000
pessoas.
A
pesquisa dos efeitos da educação física no sistema caridovascular
é preocupação antiga do professor Carlos Eduardo Negrão, diretor
daquele laboratório e titular da cadeira de Fisiologia de
Atividade Motora na Escola de Educação Física e Esporte da
USP. Já nos anos 80, ele tinha a proposta de formar grupos
para pesquisar fisiologia do exercício, no INCOR e na Escola
de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo.
Apenas no começo da década de 90 foi possível reunir uma equipe
de pós-graduandos para desenvolver o trabalho, inicialmente
com animais e depois com seres humanos, com o objetivo de
entender tanto o efeito agudo, ou imediato do exercício, quanto
o efeito crônico (obtido a longo prazo) relacionado à doença
cardiovascular.
A
equipe, coordenada pelo professor Negrão, estuda os efeitos
do exercício em cinco linhas de pesquisa relacionadas à hipertensão
arterial, diabete, insuficiência cardíaca do atleta. Sabe-se
há tempos que existem exercícios adequados para cada caso,
mas era preciso descobrir como eles alteram os fatores de
risco cardiovascular. No caso da hipertensão, por exemplo,
os exercícios mudam os aspectos hemodinâmicos, que resultam
na redução da pressão arterial. Com exigência menor de trabalho,
o coração é preservado.
Em
pessoas diabéticas, o exercício adequado melhora a ação da
insulina produzida pelo organismo. O desempenho é tão expressivo,
que o paciente precisa reduzir, aos poucos, as doses adicionais
de insulina, sob o risco de provocar um superefeito, a hipoglicemia.
Nos casos de insuficiência cardíaca, o exercício resulta em
melhoria do quadro clínico e, conseqüentemente, da qualidade
de vida do paciente. Ao reduzir a atividade simpática (referente
ao sistema nervoso autônomo, ou seja, que independe da vontade),
o exercício facilita o trabalho do coração, diminuindo os
sintomas clínicos da doença.
Para
os pacientes que sofrem de obesidade, o exercício, conjugado
à dieta, reduz o peso corporal e a pressão arterial e aumenta
a circulação periférica. Também melhora a sensibilidade do
organismo à insulina, já que muito obesos são diabéticos.
Da
teoria a prática
A
Unidade de Reabilitação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício
dedica-se ao ensino, à pesquisa e a assistência. Sua equipe
multidisciplinar reúne psicólogos, professores de educação
física, especialistas em fisiologia, cardiologia, nefrologia,
cardiologia e nutrição.
A
assistência é desenvolvida em três locais: Cidade Universitária,
Parque do Ibirapuera e no próprio Instituto do Coração.
O programa INCOR de Condicionamento Físico envolve 350 pessoas
em atividade regular, na Escola de Educação Física e Esporte
da USP. Ali uma equipe multidisciplinar coordena exercícios
com o objetivo de prevenir fatores de risco da doença cardiovascular,
buscar qualidade de vida e promover a reabilitação cardíaca.
O
programa de Saúde no Parque, realização do INCOR em parceria
com a Companhia de Processamento de Dados do Município de
São Paulo - PRODAM, é gratuito e aberto a todos os interessados
em exercícios físicos. Basta fazer o cadastramento, no quiosque
da Prodam instalado dentro do Parque Ibirapuera, das 7 às
9 horas, período em que permanecem dois professores de educação
física. As informações de cada cadastro são acessadas pela
equipe no INCOR, que faz o acompanhamento informatizado,
via Internet. Com cerca de um ano e meio de atividades,
o programa têm 1500 cadastrados.
No
ambulatório do INCOR, paciente do SUS, particulares e de
convênios têm atendimento em cardiologia ligada ao esporte
e ao exercício. Após o exame cardiológico, as pessoas recebem
prescrição e ainda podem passar por avaliação do estresse.
Depois, um professor de educação física indica os exercícios
adequados.
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