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Ensinar e Aprender: ações que acontecem no “entre nós”

Entre nós há um campo magnético. Mágico. Um campo que, como o vento, não vemos, mas existe. Um campo que, pouco dinamizado, gera fome psíquica e bem energizado gera aprendizado, vínculo sadio e crescimento. Sim, estou falando de afeto e também de inteligência e aprendizagem que, no meu entender, são instâncias que não se separam.

Esse é um tema que interessa a educadores, pais, profissionais liberais, executivos e a todos aqueles que lidam com indivíduos em formação ( vejam vocês que isso extrapola os limites da infância e da adolescência). O mestre Vygotsky, em sua obra “Linguagem e Pensamento” e em muitos outros escritos, salientou a importância central do que estou chamando aqui de “entre nós” como um campo riquíssimo para o desenvolvimento da aprendizagem. Na verdade, me parece que, para esse autor, esse é o espaço onde a aprendizagem se constitui , é gerada e desenvolvida.

É por essa razão que o sócio construtivismo, corrente pedagógica e folosófica advinda do conjunto de sua obra, revela uma visão de homem e de aprendizagem que tem nas relações sociais e afetivas os pilares da construção do conhecimento e da cultura.
O aspecto cultural é fundamental pois é a inserção em um determinado contexto cultural, e o despertar de símbolos e significados componentes dessa cultura, que fazem da aprendizagem uma ação viva para o aprendiz.

Assim, o “entre nós”, aparece como o campo potencial para a semiotização dos seres que estão em desenvolvimento. E, na mesma medida, a falta de investimento neste campo, deflagra um baixo teor de apresentação dos símbolos culturais que, além de um vazio emocional, leva até a problemas de aprendizagem, no caso da educação e, certamente a problemas de adaptação e rendimento profissional, no caso das instituições e empresas.

Por isso, é preciso que todos e, em especial, os educadores, pais e profissionais que lidam com o desenvolvimento humano, ocupem integralmente esse campo. Usem e abusem do vínculo e responsabilizem-se pela apresentação significativa dos conhecimentos e padrões culturais, pois, com isso, não estão apenas ensinando... estão iniciando novos seres em nossa roda.

Fonte: Luciana Puglisi de Paula Souza - lucianapuglisi@aol.com - Psicóloga, psicopedagoga, analista junguiana e mestre em psicologia educacional e do desenvolvimento humano USP -SP
R. Lisboa, 316 – 3088. 4545


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