Considerações
específicas sobre diferentes exercícios
Ginástica e musculação na academia
- Benefícios:
aumento do tônus muscular, preparo para atividades esportivas,
ganho estético.
- Recomendações:
alongamento prévio (aquecimento), evitar excesso de carga,
realizar exercícios em posições corretas. Como 30% dos professores
que atuam nas academias de ginástica não possuem diploma
( dados do Conselho Regional de Educação Física do Rio de
Janeiro ), tais recomendações nem sempre são cumpridas.
- Lesões
relacionadas à prática da musculação: tendinites crônicas
causadas por solicitação exagerada e inadequada a um grupo
muscular. Sinovite ( inflamação nas articulações ) causada
pelo excesso de exercícios. Estiramentos musculares caracterizados
por ruptura de algumas fibras musculares, podendo apresentar
diferentes graus de gravidade.
Os estiramentos
costumam ocorrer quando não são realizados alongamentos.
As lesões são normalmente tratadas com repouso, gelo e
alongamento por 3 a 6 semanas.
Rupturas
musculares e/ou tendíneas são raras nesse tipo de atividade
física, porém podem ocorrer no membro superior de pacientes
com algum grau de lesão degenerativa prévia. Eventualmente,
as lesões necessitam ser tratadas com reparo cirúrgico.
A hérnia
de disco é a mais comum entre L4 e L4/L5 e S1. Suas causa
é postura inadequada durante a ginástica e especialmente
durante a musculação. A posição ideal para se levantar
carga partindo do chão é com os joelhos e quadris fletidos
e a coluna ereta, em posição vertical, mantendo as vértebras
em paralelismo.
Os sintomas
da hérnia de disco são dor localizada na coluna e/ou irradiada
para os membros inferiores. Eventualmente, ocorrem diminuição
de força, alteração da sensibilidade e dos reflexos em
graus variados.
O diagnóstico
é clínico e pode ser confirmado pela ressonância magnética
de coluna. Na grande maioria dos casos, o tratamento é
conservador, sendo realizado com repouso, analgésicos,
relaxante muscular, benzodiazepínicos, crioterapia e fisioterapia
convencional. O tratamento cirúrgico deve ser indicado
quando houver falha no tratamento conservador, após 45
ou 60 dias, com piora do quadro neurológico e/ou quando
houver alterações esfincterianas.
Corrida e caminhada
- Benefícios:
são extremamente benéficas para o sistema cardiorespiratório
e musculoesquelético.
- Recomendações:
alongamentos musculares devem ser realizados antes a após
as práticas.
- Solo:
o terreno para a prática da corrida deve ser plano. Terrenos
inclinados, como no canto das ruas ou à beira-mar, propiciam
uma distribuição de carga desequilibrada nos membros inferiores,
podendo causar síndromes dolorosas nos pés, tornozelos e
joelhos.
- Equipamento:
a escolha do tênis adequado para a corrida é fundamental.
Especificações básicas incluem: serem leves e arejados,
terem apoio para o arco plantar e acolchoamento nos calcanhares.
- Lesões
mais comuns: tendinite de Aquiles: caracteriza-se pela
inflamação do Tendão de Aquiles ocorrendo mais comumente
nas pessoas que correm em terreno inclinado (subindo ladeira).
Devem ser tratadas rapidamente pois, a cronificação pode
causar rupturas parciais ou totais do tendão; fasciíte
plantar: caracteriza-se pela dor na face plantar dos
pés abaixo do calcâneo. Ocorre mais freqüentemente em indivíduos
com pé cavo; metatarsalgia: dor na face plantar do
antepé no nível da cabeça dos metatarsianos.
Normalmente está relacionada a uma técnica inadequada para
a corrida (pessoas que correm na ponta dos pés). As variações
anatômicas dos pés, como a queda do arco plantar, em pés
excessivamente planos, também podem causar o problema. A
tendinite do tibial anterior caracteriza-se pela dor na
face anterior do tornozelo, provocada pela inflamação da
bainha sinovial do tibial anterior. Tênis apertado nesse
local ou inadequado para corridas e caminhadas, como, por
exemplo, os de cano longo pode ser a causa. Tendinites no
nível do joelho; tendinites patelares: processo inflamatório
causado por overuse que ocorre no nível da inserção do quadríceps
na patela; runner's knee: condição dolorosa que ocorre na
face lateral do joelho, no nível do epicôndilo. Está relacionada
com corridas de longa distância e incide preferencialmente
nas pessoas que correm em solos inclinados; estiramentos
musculares: ocorrem com freqüência na coxa, na virilha e
na panturrilha e estão associados principalmente à falta
de alongamento prévio; fraturas por estresse: ocorrem mais
freqüentemente na tíbia e nos ossos do pé. São causados
por excesso de solicitação; lesões ligamentares do tornozelo:
suas causas são por torções, sendo a lesão do ligamento
fibulotalar anterior (85% dos casos) a mais comum. As lesões
ligamentares e meniscais do joelho são causadas por traumas
de maior energia. Apresentam graus variados de gravidade.
Os sintomas
das lesões acima relacionadas são a dor local durante
a prática esportiva, a limitação funcional do membro acometido,
edema e derrame articular.
O diagnóstico
é clínico, podendo ser complementado por ultra-sonografia
nos casos de tendinites e estiramentos musculares. As
radiografias e a ressonância magnética têm grande valor
para o diagnóstico das fraturas por estresse e das lesões
ligamentares e meniscais. O tratamento é específico para
cada tipo de lesão; entretanto, algumas medidas gerais
são comuns, tais como o afastamento temporário das corridas
até que os sintomas cessem; gelo e/ou calor local; analgésicos
e antiinflamatórios; alongamentos localizados no caso
das fasciítes, tendinites, metetarsalgias e estiramentos.
O uso de órteses (palmilhas) para melhorar a relação do
apoio do pé com o solo deve ser considerado na fasciíte
plantar e na metatarsalgia.
Nas fraturas
por estresse, por vezes é necessária a imobilização. Em
algumas situações, são utilizados métodos fisioterápicos
convencionais, como o ultra-som e o micro-ondas, a fim
de reduzir a inflamação. As imobilizações são utilizadas
para permitir a cicatrização de lesões anatômicas, como,
por exemplo, os ligamentos do tornozelo. Devemos considerar
o tratamento cirúrgico nas lesões meniscais ligamentares
do joelho.
Futebol
- Benefícios:
condicionamento físico, melhora dos reflexos e do equilíbrio,
aumento do tônus muscular, integração social.
- Recomendações:
o alongamento prévio diminui o risco de lesão muscular.
O uso de equipamentos adequados, como chuteiras e caneleiras,
diminui o risco de lesões nos membros inferiores.
- Lesões
mais freqüentes:
a)
Síndromes por excesso de uso: A dor no quadril e na virilha
é freqüente em praticantes de futebol. Os sintomas são
vagos e, em alguns casos, é difícil detectar o sítio da
dor.
As dores estão
habitualmente relacionadas com a síndrome de overuse na
origem ou na inserção dos tendões. Na maioria dos casos
os seguintes tendões estão envolvidos: ileopsoas, adutor
longo, reto femoral e reto abdominal. Outra causa de dor
no quadril nesse grupo de pessoas é a bursite trocantérica,
que se caracteriza por inflamação da bursa trocantérica
e provoca dor na face lateral do quadril. O tratamento dessas
lesões é conservador, podendo-se utilizar analgésicos e
antiinflamatórios, repouso, gelo, alongamento muscular e
fisioterapia convenciona.
b)
Lesões traumáticas: rupturas musculares na região anterior
ou posterior da coxa são freqüentes e podem ocorrer por
trauma direto ou por mecanismo de desaceleração. A gravidade
é variável e o diagnóstico é feito pelo exame físico e
complementado por ultrassonografia e ressonância magnética.
É necessário repouso e medidas fisioterápicas por duas
a 12 semanas, dependendo da gravidade. Em rupturas extensas,
entretanto, pode ser necessário o tratamento cirúrgico.
Devemos citar
também as lesões traumáticas do joelho que habitualmente
são causadas por mecanismos de alta energia. Podem ocorrer
desde entorses, com estiramento dos ligamentos, até lesões
ligamentares graves associadas a lesões meniscais e a fraturas.
As entorses
são tratadas com repouso, gelos, antiinflamatórios e imobilização
temporária. As lesões mais graves como as meniscais, ligamentares
e fraturas são tratadas na maioria das vezes por cirurgia.
Conclusão
Atividades
esportivas são extremamente benéficas, porém, existe risco
potencial na sua prática, especialmente para o sistema osteoarticular.
Para reduzir estes riscos, alguns cuidados devem ser tomados
antes de iniciar uma atividade física, tais como:
- Avaliação física prévia,
incluindo avaliação clínica, cardiológica e ortopédica.
- Orientações gerais sobre
o tipo de esporte indicado para determinado indivíduo,
considerando obesidade, doenças associadas, alterações
e/ou lesões ortopédicas prévias.
- Profilaxias das lesões
osteoarticulares esclarecendo sobre a utilização correta
dos equipamentos e da necessidade da presença de um
instrutor qualificado em atividades físicas.
- Salientar a importância
dos alongamentos antes e depois das práticas esportivas.
- Reconhecimento e tratamento
rápido e eficaz dos diversos tipos de lesões ortopédicas
relacionadas ao esporte.
Atenção para
os idosos em função do risco potencial de fraturas patológicas,
causadas pela osteoporose. Considerar também neste grupo
o problema da osteoartrose nos membros inferiores, especialmente
nos joelhos. Nesta faixa etária, dar preferência para as
atividades sem impacto.
Nos indivíduos
jovens, enfatizar a necessidade de "começar ou recomeçar
devagar", sem que o objetivo final de fazer exercícios seja
simplesmente estético.
Nas crianças,
estimular de forma adequada o prazer pelo esporte, tendo
o cuidado em não solicitar precocemente atividades excessivamente
competitivas que podem contribuir para o desinteresse das
crianças pelo esporte realizado, além de aumentar o risco
de lesões traumáticas. Estes fatores podem inviabilizar
uma atuação em atividades esportivas mais duradouras na
vida adulta.
- Divulgar e democratizar
os conhecimentos de medicina desportiva entre a comunidade
médica
Resumo
O objetivo
desse artigo é fornecer um breve panorama das lesões do
sistema musculoesquelético relacionado a pratica esportiva.
Consideramos o tema oportuno, pois, no Brasil, especialmente
no verão, aumenta a procura por atividade física ou esporte
aumentando, com isso, também as lesões ortopédicas relacionadas.
São apresentados dados epidemiológicos sobre a incidência
de determinadas lesões ortopédicas nos vários grupos etários
e nas diferentes atividades esportivas. Também é apresentado
um guia simplificado para uma avaliação física básica, a
qual todas as pessoas devem ser submetidas antes de iniciar
a prática esportiva.
Unitermos:
prática esportiva, lesões ortopédicas, avaliação física.
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