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Crack: feito para destruir

Ao contrário da maioria das drogas, o crack não tem sua origem ligada a fins medicinais ou ritualísticos: ele já nasceu como uma droga para viciar e alterar o estado mental do usuário.

Esta droga surgiu da cocaína, sendo difícil dizer quando e onde realmente ele apareceu pela primeira vez. O crack consiste em uma mistura de cocaína em forma de pasta não refinada com bicarbonato de sódio e se apresenta na forma de pequenas pedras e pode ser até cinco vezes mais potente do que a cocaína. O nome "crack" vem do barulho que as pedras fazem quando estão sendo queimadas para ser consumidas. Seu efeito dura em média dez minutos e a principal forma de consumo é a inalação da fumaça produzida pela queima da pedra.

Porém é necessário o auxílio de algum objeto como um cachimbo para consumir a droga, muitos desses são feitos artesanalmente com o auxílio de latas, pequenas garrafas plásticas e canudos ou canetas. Também podem ser usados canetas plásticas e copos pequenos, também de plástico. Os pulmões conseguem absorver quase 100% do crack inalado.

Efeitos

Os primeiros efeitos do crack são uma euforia plena que desaparece repentinamente depois de um curto espaço de tempo, sendo seguida por uma grande e profunda depressão. Por causa da rapidez do efeito, o usuário consome novas doses para voltar a sentir uma nova euforia e sair do estado depressivo.

Crack: Prazer Zero

Os usuários de crack apresentam um comportamento violento, são facilmente irritáveis. Tremores, paranóia e desconfiança também são sintomas causados pela droga. Alguns relatos de usuários comprovam: o crack, desde o início de sua utilização faz com que a pessoa sinta-se mal. Mas é o vício, que rapidamente se desenvolve que perpetua o uso. Além disso, também provoca hiperatividade, insônia, perda de sono, sensação de cansaço, perda de apetite e conseqüente perda de peso e desnutrição. Com o tempo e uso constante da droga, aparecem um cansaço intenso, uma forte depressão e desinteresse sexual.

A droga induz a abortos e nascimentos prematuros. Os bebês sobreviventes apresentam cérebro menor e choram de dor quando tocados ou expostos à luz. Demoram mais para falar, andar e ir ao banheiro sozinhos e têm imensa dificuldade de aprendizado. O uso contínuo da droga pode causar ataque cardíaco e derrame cerebral graças a um considerável aumento da pressão arterial. Contrações no peito seguidas de convulsões e coma, também são causadas pelo consumo excessivo da droga.

Não compartilhe desse cachimbo

Normalmente, os usuários têm os lábios, a língua e a garganta queimadas por causa da forma de consumo da substância. Apresentam também problemas no sistema respiratório como congestão nasal, tosse, expectoração de muco preto e sérios danos nos pulmões. Por conta desses machucados (queimaduras e rachaduras) provocados pelo uso do cachimbo, existe o perigo de contaminação pelo vírus HIV (AIDS), no caso de compartilhar, isto é, dividir o cachimbo com uma ou mais pessoas. Algumas pesquisas comprovam que basta usar o crack três vezes para ficar viciado. O mais difícil em largar o crack é a crise de abstinência que induz a vômitos, náuseas, dores no corpo, alucinações e até crises de pânico.

Merla: uma variação do crack

A merla é um subproduto da cocaína. É obtida das folhas de coca às quais se adicionam alguns solventes como ácido sulfúrico, querosene, cal virgem etc, transformando-se num produto de consistência pastosa com uma concentração variável entre 40 a 70% de cocaína.

Sua atuação é semelhante a da cocaína, causa euforia, aumento de energia, diminuição da fadiga, do sono, do apetite, ocasionando perda de peso e psicose tóxica (alucinações, delírios, confusão mental). Devido aos resíduos dos ácidos solventes, os usuários poderão apresentar casos de fibrose (endurecimento pulmonar).

Efeitos do uso da Merla

Durante o uso

Durante o uso podem ocorrer convulsões e perda da consciência. As convulsões podem levar a parada respiratória, coma, ou parada cardíaca e, obviamente, à morte.

O usuário comumente apresenta as extremidades dos dedos amareladas. Pode evidenciar lacrimejamento, olhos avermelhados, irritados, respiração difícil, tremores das mãos, muita inquietação e irritabilidade. A longo prazo, perda dos dentes é causada pelo ácido de bateria usado na mistura.

Passado a euforia provocada pelo uso, surgem efeitos como alucinações, depressão, sensação de medo e paranóia de perseguição. Por isso a merla é também chamada pelos usuários de "nóia", gíria derivada da palavra paranóia.

Após o uso

Uma de suas características é o cheiro que o corpo exala através da transpiração dos produtos químicos adicionados durante o preparo da droga:

Os usuários cheiram a querosene, gasolina, benzina e éter.

Os usuários de merla rapidamente entram para a delinqüência: 68,7% roubavam para sustentar o vício e 17% se envolveram com o tráfico para comprar a droga. Não bastasse tudo isso, o sofrimento é tão grande que 20,5% dos usuários tentaram o suicídio para fugir à Síndrome de Abstinência ou à depressão causada pelo uso contínuo. (Fonte: Içami Tiba, Anjos Caídos).

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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