De
acordo com um estudo recente, mesmo que você tenha tomado
apenas uma aspirina na semana anterior a um AVC, ele provavelmente
será menos grave que aqueles que acometem pessoas que não
tomaram a medicação.
A análise de dados referentes a 1.275 pacientes foi realizada
para reforçar a importância da aspirina, droga recomendada
para a prevenção do AVC e de outras doenças cardiovasculares
em pacientes de risco elevado, refere o estudo publicado
na edição de dezembro de 2001 do periódico Stroke,
um jornal da American Heart Association.
"Tradicionalmente,
os estudos clínicos preocupam-se apenas com o número de
pacientes com AVC", diz o autor do estudo. "É uma
forma parcial de avaliar o papel da aspirina. É importante
analisar também a gravidade desses pacientes."
Wilterdink
e colaboradores utilizaram dados de um estudo sobre AVC
que teve início em 1990. Cerca de 40% dos pacientes que
apresentaram a doença afirmaram ter utilizado aspirina na
semana anterior ao quadro. Usando uma escala padronizada
pelo National Institutes of Health, os pesquisadores
demonstraram que 50,3% dos pacientes que utilizaram o medicamento
apresentaram quadros leves, em comparação com 43% daqueles
que não usaram. Além disso, 9,6% dos pacientes que tomaram
aspirina apresentaram quadros graves, em comparação com
14,8% dos outros pacientes.
Wilterdink reconhece que o estudo apresenta alguns
pontos fracos. Foi perguntado aos pacientes, por exemplo,
sobre o uso de aspirina na semana anterior ao AVC, sem levar
em consideração a freqüência. "Eu acredito que a maioria
dos pacientes tomavam aspirina diariamente", mas os
pesquisadores não tem certeza disso, diz Wilterdink.
Além disso, o estudo avaliou apenas casos de AVC isquêmico,
sem incluir aqueles causados por hemorragia. Os pesquisadores
também não levaram em consideração o uso de outras drogas
que atuam sobre o sistema de coagulação.
Porém,
esse trabalho é um bom começo para aprendermos mais sobre
a relação entre o AVC e o uso de aspirina, afirma o Dr.
Edgar Kenton, da American Stroke Association.
"Nós
sabíamos que a aspirina era eficaz na prevenção do AVC,
mas não conhecíamos o seu papel em relação à gravidade da
doença", diz Kenton.
Novos
estudos são necessários para determinar a eficácia da aspirina
e de outras drogas que apresentam o mesmo mecanismo de ação
e evitam a formação de coágulos, diz ele. "Nós precisamos
pesquisar novas drogas, não apenas a aspirina, bem como
a gravidade dos pacientes, não apenas a incidência da doença."
Outras drogas que podem ser utilizadas em um estudo controlado
incluem a ticlopidina e o dipiridamol, afirma Kenton. Assim
como a aspirina, evitam a formação de coágulos reduzindo
a agregação plaquetária. Estudos a longo prazo ainda são
necessários para esclarecer a relevância de determinadas
drogas anti-plaquetárias na gravidade dos AVCs, diz ele.