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Síndrome Respiratória Aguda Grave

O que é Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)?

SRAG é uma doença respiratória de causa desconhecida recentemente reportada por países da Ásia, América do Norte e Europa. Informações atualizadas podem ser obtidas também nos sites:

Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa: http://www.anvisa.gov.br/divulga/noticias/2003/190303_2.htm

Organização Mundial de Saúde – OMS (World Health Organization – WHO): http://www.who.int/en

Centro de Controle e Prevenção de Doenças – (Centers for Disease Control and Prevention – CDC):
http://www.cdc.gov/ncidod/sars

Quais são os sinais e sintomas da SRAG?

A doença, geralmente, inicia com febre alta (> 38º C), e pode estar acompanhada de calafrios e outros sintomas, tais como: cefaléia, mal-estar, mialgias, anorexia, confusão, exantema e, raramente, diarréia. Alguns pacientes apresentam sintomas respiratórios leves durante esta fase. Após três a sete dias, o quadro evolui para comprometimento das vias respiratórias inferiores com tosse seca (não-produtiva), dispnéia ou dificuldade respiratória que pode estar associada a hipoxemia. As radiografias de tórax podem estar normais durante a fase prodrômica, no entanto, na fase respiratória, os achados radiográficos indicam a ocorrência de pneumonia, com infiltrados intersticiais focais e/ou difusos. A doença cursa, em mais da metade dos casos, com leucopenia e trombocitopenia. Na maioria dos casos, a função renal é normal.

Em 80% a 90% dos casos há significativa melhora dos sintomas a partir do sexto dia. Em 10% a 20% dos casos os pacientes evoluem para um quadro clínico mais grave, que progride para insuficiência respiratória aguda, caracterizado por Síndrome da Angústia Respiratória (hipoxemia grave, refratária ao uso de oxigenoterapia), que necessita entubação e ventilação mecânica. A letalidade neste grupo de pacientes tende a ser elevada.

O que causa a SRAG?

Até o momento não há resultados conclusivos sobre o agente etiológico da SRAG. No Canadá, China e Estados Unidos, exames laboratoriais indentificaram a presença de vírus das famílias Paramyxoviridae e Coranaviridae, além de M. pneumoniae e metapneumovírus, em pacientes com SRAG. Em 24 de março, o CDC informou que seus laboratórios isolaram um novo coronavírus em células Vero E6 de amostras clínicas de dois pacientes suspeitos de SRAG, da Tailândia e Hong Kong.

Como se transmite a SRAG?

É difícil estabelecer exatamente como se transmite a SRAG, pois os resultados das investigações ainda são preliminares. Sabe-se que há transmissão pessoa a pessoa, sendo necessário um contato próximo com pessoas infectadas. O contato com aerossóis, secreções respiratórias e fluidos corporais de uma pessoa infectada parecem ser importantes. A maioria dos casos tem acontecido em trabalhadores de hospitais que atenderam pacientes com SRAG e familiares próximos dos pacientes. Desconhece-se a quantidade do agente infeccioso necessário para causar infecção. A SRAG parece ser menos infecciosa que a influenza.

A SRAG pode ser transmitida por fômites (objetos contaminados)?

Atualmente, as informações disponíveis indicam que a transmissão do agente requer contato próximo e direto (pessoa a pessoa). Porém, não se descarta a transmissão por objetos contaminados, devendo-se tomar cuidados de desinfecção com objetos utilizados pelos casos suspeitos.

Se eu tivesse sido exposto à SRAG, quanto tempo demoraria para adoecer?

Informações preliminares das investigações realizadas em Hong Kong e Hanói indicam que o período de incubação (período entre a infecção inicial e o desenvolvimento da doença) médio da SRAG corresponde de dois a sete dias, podendo se estender por 10 dias. Apesar do curto período de incubação, a rapidez das viagens internacionais aumenta o risco de disseminação dos casos.

Quem está sob risco de contrair a SRAG?

Até o momento, os casos têm ocorrido, principalmente, entre profissionais de saúde envolvidos com o cuidado dos pacientes com SRAG e contatos familiares próximos. Pessoas com antecedentes de viagens recentes a cidades com casos notificados estão sob maior risco.

Qual é o tratamento da SRAG?

Vários medicamentos têm sido utilizados para o tratamento da SRAG, no entanto nenhum tem sido recomendado para a profilaxia ou tratamento. Os antibióticos não têm mostrado eficácia. Um adequado tratamento de apoio em UTI é o indicado, quando pertinente. Como resultado de um bom tratamento de suporte, alguns pacientes em Hanói têm passado do estado crítico para o regular.

O que tem sido recomendado para prevenir a transmissão de SRAG em hospitais e no domicílio? Os pacientes suspeitos de ter a SRAG devem ser isolados? Como devem ser manejados os pacientes com SRAG?

Os casos suspeitos devem ser internados em unidades isoladas, com banheiro privativo. Recomenda-se que profissionais de saúde e visitantes usem máscaras com filtros eficientes, óculos, aventais, gorro e luvas (barreiras respiratórias e de mucosas) quando em contato próximo com o paciente.

Para minimizar a transmissão potencial fora do ambiente hospitalar, os pacientes com SRAG devem limitar as interações fora do domicilio até que se conheça melhor o mecanismo de transmissão da doença. Recomenda-se colocar máscaras cirúrgicas nos pacientes durante o transporte e no domicílio.

A FUNASA elaborou recomendações referentes ao controle da infeção para pacientes suspeitos de ter a SRAG, no âmbito dos serviços de saúde e na comunidade.
Estas informações estão disponíveis no endereço eletrônico
(http://www.funasa.gov.br/epi/sars/arquivos/sars_condutas_lab.doc) e outras informações podem ser obtidas no CDC (http://www.cdc.gov/ncidod/sars).

Onde e quando foi notificado o primeiro caso de SRAG?

O primeiro caso de SRAG foi notificado em Hanói, em 26 de fevereiro de 2003. Um homem foi internado com febre alta, tosse seca, mialgias e dor de garganta leve. Em quatro dias o paciente apresentava dificuldade respiratória, trombocitopenia e sinais de insuficiência respiratória, sendo necessário o uso de respirador. Entretanto, de acordo com as novas investigações, há relação dos casos de SRAG, com o surto ocorrido na Província de Guangdong, na China, em novembro de 2002.

Quantos casos de SRAG tem sido reportados até hoje e onde?

O número de casos suspeitos são atualizados continuamente e estão disponíveis na página da FUNASA e da OMS (http://www.who.int/csr/sarscountry/en).
Até o dia 2.4.2003 a OMS recebeu notificação de mais de 2.000 casos suspeitos de SRAG de 16 países, com mais de 70 óbitos. Os países notificadores foram: China (Províncias de Guangdong e Hong Kong, Taiwan), Singapura, Tailândia, Vietnã, Alemanha, Suíça, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Irlanda, Reino Unido, Romênia, Austrália, Bélgica e Espanha.

Há alguma notificação de casos de SRAG no Brasil?

Sim – Um caso suspeito notificado em 2/4/2003 no município de São Paulo, que encontra-se em investigação.

A SRAG corresponde a um surto (epidemia) de influenza aviária?

Não há evidências, até o momento, de que os casos atuais de SRAG tenham alguma relação com a influenza aviária. Entretanto, em 26 de março de 2003, um grupo de investigadores organizado pela Organização Mundial de Saúde relacionou o surto de SRAG com o surto de pneumonia atípica ocorrido na província de Guangdong (localizada ao sul da China), que teve início em novembro de 2002. Isto ocorreu porque a definição de caso provável adotada em Guandong é compatível com a definição do surto de SRAG. Com isso o número de casos aumentou em 792 casos.

Quando será identificada a causa da SRAG?

Uma colaboração internacional multicêntrica está investigando a causa da SRAG desde 17 de março de 2003. Onze laboratórios em dez países trabalham para identificar o agente infeccioso. No Brasil, os laboratórios de referência nacional estão preparados para o processamento de amostras de possíveis casos suspeitos.

Existe algum motivo para pensar que a SRAG está relacionada a terrorismo?

Não há indício de que a SRAG esteja relacionada a ações terroristas. As informações disponíveis indicam que as pessoas aparentemente sob maior risco são aquelas que mantém contato próximo com os pacientes de SRAG: profissionais de saúde e contatos domiciliares. O padrão de transmissão corresponde ao tipicamente esperado de uma doença respiratória contagiosa ou doença similar à gripe.

O que devo fazer se suspeitar que tenho SRAG?

Se você está doente, com febre (> 38º C), tosse ou dificuldade para respirar procure um serviço de saúde. Para auxiliar o profissional de saúde a estabelecer o diagnóstico e identificar se é um caso suspeito de SRAG, informe sobre viagens recentes a países onde têm sido registrados casos da doença, ou se você esteve em contato com pessoas que têm tido os mesmos sintomas.

O que devo fazer se recentemente viajei a um país onde casos de SRAG têm sido reportados?

Se você adoecer durante um período de até 10 dias após a sua chegada ao Brasil, apresentando febre, tosse ou dificuldade para respirar, procure um serviço de saúde e informe ao profissional de saúde sobre a sua viagem recente.

Existe alguma restrição de viagens relacionada à SRAG?

Neste momento é recomendado não viajar para Honk Kong e Guangdong, ambos situados na China. Para outros locais onde tem ocorrido casos recomendamos evitar aglomerações e contato próximo com pessoas com sintomatologia respiratória. A finalidade do alerta é conscientizar os viajantes, as autoridades de saúde e os médicos. Todo passageiro deve estar ciente dos principais sinais e sintomas da SRAG e da necessidade de procurar assistência médica caso adoeça com estes sintomas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem elaborado recomendações para os passageiros e mantém em alerta as unidades de saúde dos portos e aeroportos internacionais. Informações adicionais referentes a recomendações sobre viagens encontram-se disponíveis nas páginas do CDC (http://www.cdc.gov/travel) e da OMS.

Qual a preocupação em relação à SRAG?

A SRAG pode ser grave e em virtude do transporte intercontinental rápido pode disseminar-se para vários países num curto período de tempo. No entanto, a SRAG não é altamente contagiosa quando as medidas preventivas adequadas são utilizadas e a percentagem de casos fatais é baixa. Mais de 90% dos casos até hoje notificados, têm acontecido em profissionais de saúde em contato com o paciente ou em familiares. Os casos podem ser evitados por meio do uso de métodos de barreira (máscaras com filtros). Em vários países que têm notificado casos, não há evidências de transmissão local.

O que o Cenepi está fazendo para prevenir/controlar esta ameaça à saúde?

Desde janeiro de 2003, quando foi registrado na China, um surto de uma doença respiratória desconhecida, o qual se verificou posteriormente estar relacionado com este surto, o Cenepi vem divulgando informações e orientações para as secretarias de saúde dos estados.

O Cenepi tem encaminhado uma série de orientações para as secretarias de saúde e profissionais de saúde, disponíveis na página da FUNASA. Vem sendo mantido também equipes de sobreaviso para atender possíveis demandas estaduais, referentes a casos suspeitos de SRAG. Notas técnicas atualizadas são repassadas diariamente aos serviços de epidemiologia dos estados.

Os objetivos principais da resposta emergencial internacional são:

  • Conter e controlar o surto;
  • Identificar o agente causal;
  • Determinar esquemas terapêuticos efetivos;
  • Apoiar os serviços de saúde dos estados;
  • Prover informações aos profissionais de saúde e ao público em geral.

O Cenepi encontra-se à disposição para assessorar e apoiar os estados e serviços locais de saúde na investigação de possíveis casos de SRAG. Diretrizes referentes à coleta, manipulação e processamento de amostras, bem como de controle de infecção foram elaboradas e encontram-se disponíveis neste site:

http://www.funasa.gov.br/epi/sars/arquivos/sars_condutas_lab.doc

* Fontes de Informação:
1. Material do CDC, atualizado em 28 de março de 2003,
2. Material da OMS, atualizado em 28 de março de 2003


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