| HPV
O HPV é
um vírus transmitido pelo contato sexual que pode causar
o câncer do colo uterino e as verrugas genitais.
>> Como, quando ou através
dequem eu contraí o HPV?
O HPV genital
é, primeiramente, um vírus transmitido pelo
contato sexual. Mas é comumente impossível
determinar de quem ou quando se adquiriu o HPV,porque a
maioria das pessoas não sabe que o tem.Entretanto,
existem vários relatos na literatura médica
de contaminação não-sexual do HPV.
>> O que o HPV causa
e como eu posso fazer um teste de HPV?
As principais
doenças causadas pelo HPV são o câncer
do colo uterino e as verrugas genitais. As verrugas são
diagnosticadas através do exame clínico-visual.
Na mulher, lesões do colo do útero relacionadas
com o HPV podem ser detectadas pelo teste de Papanicolau
(preventivo). Mulheres com o preventivo duvidoso podem ser
submetidas a um teste para detectar o HPV (pesquisa de HPV
por técnicas de biologia molecular, como a captura
híbrida) ou repetir o preventivo. Com muita freqüência,
o ginecologista lança mão de um exame simples,
e muito útil, a colposcopia. Este exame nada mais
é do que o exame ginecológico com especulo
vaginal, onde um instrumento aumenta a imagem da genitália
(vulva, vagina e colo), permitindo enxergar e avaliar melhor
lesões pequenas da região genital.Criteriosamente,
em casos de exames citológicos ou histopatológicos
(biópsia) de lesões genitais/anais não-conclusivos,
pode-se solicitar a pesquisa de DNA viral. Principalmente
em mulheres com mais de 35anos de idade.
>> Eu sempre terei HPV?
Um sistema
imune saudável suprime o vírus. É difícil,
entretanto, quando as lesões não estão
bem evidentes, saber quando o HPV está ou não
no seu período de contágio. Especialistas
discordam se o vírus é totalmente eliminado
do corpo ou se ele é reduzido a níveis indetectáveis.
Atualmente,acredita-se que em muitos casos exista, realmente,
o completo desaparecimento do vírus: quando a imunologia
local (área do corpo onde o vírus foi introduzido)
e a geral estão equilibradas.
>> Como eu posso evitar
adquirir e transmitir HPV?
Geralmente
se pode dizer que a monogamia mútua por toda a vida
e a abstinência sexual são as possibilidades
para a prevenção. Todavia, existem inúmeros
relatos de pessoas com HPV nos genitais sem ter praticado
qualquer atividade sexual, na vida ou nos últimos
cinco ou dez anos. A maioria das pessoas sexualmente ativa
terá chance de entrar em contato, com maior ou menor
intensidade, com o Papilomavírus humano.Preservativos
(camisinhas masculinas e femininas)previnem muitas infecções
bacterianas e virais, mas,se o HPV estiver presente em uma
pele exposta, a transmissão poderá ocorrer.
>> O HPV pode afetar
a gravide do bebê?
A maioria dos
tratamentos para lesões no colo uterino com envolvimento
pelo HPV mantém o colo do útero intacto o
se estiverem sangrando ou obstruindo o canal do parto. O
HPV é raramente transferido da mãe para a
criança. Em casos incomuns, HPV tipo 6 e11 podem
causar crescimentos verrugosos na garganta de recém
nascidos de mães com o condiloma acuminado (verruga
genital grande),condição conhecida por papiloma
de laringe.
>> HPV causa câncer?
HPV pode causar
o câncer do colo uterino, mas os exames preventivos
regulares e um tratamento supevisionado apropriado previnem
muitas mulheres de ter a doença. Outros fatores (sistema
imune, outras DST, fumo, genética, número
de parceiros, uso de hormônios anticoncepcionais com
altas doses de estrogênio) podem aumentar os riscos
de câncer.Atualmente se sabe que o problema maior
está na persistência do HPV, em especial os
tipos com maior potencial de malignização
(p.ex. os tipos 16 e 18),nas células do colo uterino.
Essa persistência quer dizer que, apesar de ser atacado
com produtos e cirurgias, o vírus permanece no colo
por longo tempo.
Evidente que
os fatores antes descritos, também desempenham papel
preponderante na instalação das lesões
malignas. É bom lembrar que aquelas pessoas que não
vão a exames periódicos nem acompanham devidamente
as alterações iniciais, por falta de oportunidades
maiores de tratamento, ficam mais propensas a serem “surpreendidas”
com uma lesão em estágio mais adiantado. Por
terem condições de doença crônica
e imunodeficientes, as pessoas HIV positivas ou com aids
também possuem maiores chances de, se infectadas
por HPV, desenvolverem lesões agressivas no colo
uterino, bem como em outros locais. Pesquisadores estão
buscando marcadores biológicos para se conhecer quem
tem mais probabilidade de vir a adoecer quando na presença
de infecção por HPV. Cada vez mais, surgem
trabalhos bem elaborados, confirmando a íntima relação
de HPV com lesões malignas de colo uterino, vagina,
vulva, ânus e pênis.
>> O que devo dizer
a meu parceiro sobre o HPV?
Várias
pessoas sexualmente ativas entrarão em contato com
HPV. Para muitas, os sinais e os sintomas do HPV são
apenas temporários. A maioria das pessoas não
desenvolve sintomas; portanto, elas não sabem que
estão infectadas. Pode ser de grande ajuda se, além
de uma conversa franca, o parceiro puder ter acesso a tetos
não aterrorizantes sobre o tema para entender os
impactos psicológicos, sociais e físicos do
HPV.
>> Qual é a melho
opção de tratamento para o HPV?
Ainda não
existe uma medicação específica para
o HPV, como existem os antibióticos para as doenças
bacterianas. As lesões causadas por ele, sim, podem
ser atacadas. O profissional trata as verrugas através
de seu congelamento, cauterização e remoção
ou prescrevendo cremes que são auto-aplicados. Os
tratamentos mais comuns para um preventivo anormal vão
desde o simples acompanhamento até a retirada da
área afetada. Esta retirada pode ser somente da lesão
ou a remoção de uma parte maior
do colo uterino (conização). As pacientes
devem questionar todas as opções de tratamento
com o profissional que orienta o caso antes de decidirem
por qual optar.É bem conhecido que pessoas com uma
doença transmitida por contato sexual têm mais
chance de ter outra associada. Assim, instituir rotina de
pesquisa de clamídia, gonococo, sorologia para síflis,
HIV, hepatites virais, principalmente a B, são medidas
usuais e necessárias. Isso porque, tratando infecções
associadas às doenças de transmissão
sexual ou não, fará com que ocorra melhora
das condições de defesa da área genital.
Com isso, a remissão das alterações
causadas pelo HPV podem ocorrer com mais facilidade.Cabe
citar que todos esses exames e tratamentos não devem
ser imposições médicas e sim medidas
discutidas e compartilhadas entre profissional e o paciente.
Resumo
- HPV está
presente em mais de 99,7% dos
casos de cânceres cervicais.
- A população
mais atingida está:
- entre 18
e 28 anos de idade.
- Os fatores preditivos de
infecção por HPV:
- cinco ou mais parceiros
sexuais.
- inicio das atividades
sexuais >= seis anos.
- baixo nível educacional.
- Em média 90%
da via de transmissão do HPV é através
do contato sexual .
- A transmissão
pode ocorrer após uma única relação
sexual com um parceiro infectado.
- Ao menor trauma, o vírus
penetra na camada basal do epitélio.
- No entanto, a manifestação
patológica associada ao HPV é confinada
aos sítios onde a infecção foi
iniciada.
- Outros 10%
são transmitidos:
- quando se compartilham:
roupas íntimas, sabonetes, toalhas de banho e
instrumentos ginecológicos contaminados, entre
outros.
- gestantes infectadas
pelo HPV podem transmitir o vírus para o feto
durante a gestação ou na hora do parto,
embora o baixo risco.
- O condiloma acuminado se caracteriza:
- como uma lesão
superficial, única ou múltipla.
- de crescimento exofítico.
- de aspecto papilar.
- coloração
rósea.
- distribuído de
forma isolada ou coalescente, formando uma massa semelhante
a uma couve-flor.
- geralmente as lesões
são assintomáticas.
- algumas vezes regridem
espontaneamente, podendo ou não apresentar recidiva.
- O HPV causa virtualmente
todos os casos de câncer cervical.
- É responsável
por aproximadamente 10% de
todos os cânceres em mulheres mundialmente.
- É a segunda causa
mais comum de morte por câncer entre mulheres.
- Embora sejam identificados
mais de 150 genótipos diferentes de HPV.
- 80%
do câncer cervical está associado a apenas
4 tipos, considerados de alto risco ( 16, 18, 31 e 45).
- Cerca de 150 tipos diferentes
de HPV já foram identificados, são classificados:
- Alto risco oncogênico:
HPV 16,18,31,33,35,39,45, 51, 52, 56, 58, 59 e 62
.
- Baixo risco oncogênico:
HPV 6, 11, 41, 42, 43.
- O HPV 16
é responsável por mais de 57,6%
de todos os cânceres cervicais.
- O HPV 18
responsável por 17,2%.
- Os tipos
31, 33 e 45 juntos
por 12,5% dos casos de cânceres
cervicais.
- 80% do
câncer de colo uterino acontece em países em
desenvolvimento.
- A forma latente do HPV pode
ser detectada em 5-40% das
mulheres.
- O uso do preservativo é
recomendado principalmente para os indivíduos que
nunca tiveram contato com HPV.
- É importante observar
que o condon masculino não previne 100% dos casos,
pois esta se dá pelo contato direto com a pele
ou mucosa.
- A forma mais recente de prevenção
são as vacinas, ainda
em fase de estudos, mas, com resultados animadores.
- A vacina quadrivalente da
MSD foi desenvolvida para combater os HPV
tipos 16 e 18, que respondem por 70%
dos cânceres cervicais, e HPV tipos
6 e 11, que respondem por 90%
das verrugas genitais.
- Informou recentemente que
sua vacina recombinante quadrivalente impediu 100%
de pré-cânceres de alto grau e cânceres
de colo do útero associados a estes tipos.
- Não foram observados
casos de CIN (neoplasia intraepitelial
cervical) 2 / 3 ou
AIS (adenocarcinoma in situ) no grupo da vacina
em comparação com os 21 casos no grupo do
placebo.
- Com a inclusão dos
tipos de HPV 6 e 11 na vacina
quadrivalente , além dos tipos 16
e 18, os cientistas esperam atrair
também os homens para evitar o risco de proliferação
dos papilomas ou verrugas e, dessa forma, proteger indiretamente
e transmitir as mulheres.
- A vacina anti-HPV foi liberada
nos Estados Unidos, tendo sido aprovado em junho pelo FDA,
órgão regulador dos medicamentos do país.
- No dia 28 de agosto 2006
a vacina quadrivalente foi liberada pela Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (ANVISA) no Brasil.
>> Fonte: Dr.
Charles Rosenblatt
CRM 52819
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