As
hepatites virais são importantes causas de morbidade
e mortalidade na população mundial constituindo
um sério problema de saúde pública.
Dentre as que merecem destaque os tipos B e C. É
uma das principais causas de doença hepática
crônica e de indicação de transplantes
de fígado.
A hepatite C (HVC) é uma inflamação
do fígado provocada por um vírus RNA, que
pode levar a casos de cirrose e hepatocarcinoma (“câncer”)
pelo seu poder de crônificação. Durante
vários anos foi conhecida sob a designação
de hepatite não-A e não-B, até ser
identificado, em 1989. Devido ao indivíduos não
apresentarem sintomatologia alguma tem sido conhecida como
uma epidemia «silenciosa» pela forma como tem
aumentado o número de portadores crônicos em
todo o mundo e pelo fato de os infectados poderem não
apresentar qualquer sintoma, durante dez ou 20 anos, e sentir-se
de perfeita saúde.
Apenas
25 a 30% dos infectados apresentam sintomas da doença
que pode manifestar-se por letargia, mal-estar geral e intestinal,
febre, perda de apetite, intolerância ao álcool
e icterícia (“olhos e/ou pele amarelados”).
Muitas vezes, os sintomas não são claros,
podendo-se assemelhar aos de uma gripe. A hepatite C é
classificada em 6 genótipos principais e mais de
100 subtipos. Sua distribuição é variável
conforme a região geográfica, predominando,
no Ocidente, os genótipos 1, 2 e 3, enquanto na África
predominam os genótipos 4 e 5. O genótipo
6 é encontrado na Ásia e no Oriente Médio.
Calcula-se que existam 170 milhões de portadores
crônicos (cerca de três por cento da população
mundial), o que transforma o VHC num vírus mais comum
que o HIV, responsável pela Aids. No Estado de São
Paulo temos 1,5% de pacientes com a doença. Segundo
a Organização Mundial de Saúde, é
possível que surjam todos os anos três a quatro
milhões de novos casos no planeta.
No mundo ocidental, os toxicodependentes de drogas injetáveis
e inaláveis e as pessoas que foram sujeitas a transfusões
de sangue e a cirurgias, antes de 1992, são os principais
atingidos. Com a descoberta da Aids, na década de
80, foram tomadas novas medidas de proteção
e, hoje a possibilidade de contágio com o VHC, numa
transfusão de sangue ou durante uma intervenção
cirúrgica nos hospitais, é praticamente nula.
A transmissão do VHC ocorre principalmente por via
sanguínea através das transfusões de
sangue ou hemoderivados, uso de drogas injetáveis,
hemodiálise, inalação de cocaína,
tatuagens e piercing. Situações cotidianas
e habituais já foram relatadas na transmissão
do vírus C, como a partilha de lâmina de barbear
e escova de dentes. A transmissão por via sexual
é rara não alcançando 5% dos casos.
Apesar de o vírus já ter sido detectado na
saliva, é pouco provável a transmissão
através do beijo, a menos que existam feridas na
boca. Outra preocupação por parte dos pacientes
reside no risco de uma mãe infectar o filho durante
a gravidez que é de aproximadamente 6%, contudo,
ainda não se sabe se a infecção ocorre
durante a gravidez ou o parto. É extremamente importante
que os pacientes com infecção crônica
pelo vírus C sejam alertados quanto às possíveis
vias de transmissão e o risco de contaminação
de terceiros.
Cerca de 20% dos infectados com o VHC recuperam espontaneamente,
mas mais de 80 % passam a sofrer de hepatite crônica,
sem que muitas vezes os portadores se apercebam e, em 20
% dos casos, pode dar origem a uma cirrose ou carcinoma
no fígado. Os especialistas ainda não chegaram
a uma conclusão sobre as razões que levam
alguns portadores a desenvolver uma cirrose em poucos anos,
enquanto outros podem levar décadas. Entre as possíveis
explicações está a idade em que a pessoa
é contaminada (quanto mais tarde, mais grave pode
ser a infecção) , as diferenças hormonais
(é mais comum no sexo masculino) e o consumo de álcool
(que estimula a multiplicação do vírus
e diminui as defesas imunitárias.
A pesquisa do anticorpo anti-HCV pelo método ELISA
é o exame de triagem de eleição. Atualmente,
estão disponíveis os teste de 2ª e 3ª
geração, cuja sensibilidade e especificidade
estão acima de 90%. Esses testes podem ser encontrados
com facilidade na rede pública e privada de Saúde.
Contudo, logo foi percebida a necessidade de testes confirmatórios
e de técnicas de biologia molecular (PCR- “protein
chain reaction”) para melhor interpretar os eventos
sorológicos dessa doença. Devido a doença
ser silenciosa temos adotado como uma constância o
pedido do exame da vírus HCV para qualquer indivíduo
explicando de sua real necessidade.
Com a confirmação da hepatite C o médico
acaba solicitando ao paciente um perfil hepático,
aonde na maioria dos casos existe alteração
laboratorial nos níveis de transaminases. Após
esta fase é indicado uma biópsia hepática
,a tipificação da hepatite C (genotipagem)
e a quantificação viral (carga viral) porque
deste modo será definido pelo médico que assiste
ao paciente o tempo de tratamento e drogas especificas.
Quando se fala em tratamento existe uma preocupação
do paciente sobre a possibilidade de cura ou não.
Sabe-se, hoje, que o genótipo 1 subtipo b é
aquele que apresenta maior resistência ao tratamento,
enquanto os genótipos 2 e 3 estão associados
a melhor resposta terapêutica com antivirais.
Na ausência de uma vacina contra a hepatite C, o melhor
é optar pela prevenção, evitando, acima
de tudo, o contacto com sangue contaminado. Alguns dos cuidados
passam por não partilhar escovas de dentes, lâminas,
tesouras ou outros objetos de uso pessoal, nem seringas
e outros instrumentos usados na preparação
e consumo de drogas injetáveis e inaláveis.
Deve também usar-se preservativos nas relações
sexuais quando existem múltiplos parceiros, mas,
como a transmissão por via sexual é baixa,
o uso nas relações entre cônjuges poderia
não se justificar.