
Hanseníase
A
hanseníase, antigamente conhecida como "lepra" ou "mal de
Lázaro", é uma das mais antigas doenças da humanidade,
caracterizada por lesões da pele e das mucosas, atrofia
de pés e mãos, e diminuição da força muscular. Sinais dessa
moléstia foram encontrados em esqueletos egípcios do século
II e, no Brasil, os primeiros registros são de 1600. Em
1874, um médico norueguês descobriu a bactéria causadora,
a Mycobacterium leprae, também conhecida como Bacilo de
Hansen, mas apenas entre 1912 e 1920, os médicos Emílio
Ribas e Oswaldo Cruz denunciaram o descaso das autoridades
públicas para com a doença que mutilava e matava centenas
de pessoas.
Sinais e sintomas
Classificada como doença da pele, tem início lento. A bactéria
atinge, inicialmente, a pele, a mucosa do nariz, os testículos,
os olhos; em seguida, os nervos, com conseqüente perda de
sensações táteis e movimentos do corpo.
Os principais sintomas, em ordem de aparecimento são:
-
Pele: manchas avermelhadas ou esbranquiçadas
e regiões "anestesiadas"; perda de pêlos nas regiões
afetadas, caroços ou nódulos, dores, cãibras e formigamento
de mãos e pés.
-
Nervos: perda de movimento de pés e mãos,
diminuição da força muscular, ressecamento dos olhos,
atrofia dos dedos.
Tipos de hanseníase
-
Multibacilar (lepra lepromatosa) - É a
forma mais grave da doença e a de mais fácil contágio.
Provoca feridas cutâneas de diferentes formas e tamanhos,
caroços, queda de pêlos, (sobrancelhas e cílios), atrofia
de pés e mãos, infertilidade e impotência.
-
Paubacilar (lepra tuberculóide) - É menos
grave. Geralmente os sintomas demoram de 2 a 5 anos
para se manifestar. O doente apresenta erupções cutâneas
esbranquiçadas e planas e perda de sensibilidade ao
tato.
No início do século, eram comuns, nas cidades do interior,
bandos de leprosos miseráveis, mendigando pelas ruas, cobertos
com capuzes para esconder as deformidades do rosto e estendendo
à caridade pública latinhas amarradas em varetas, pois as
mãos sem dedos causariam repulsa. O Brasil foi pioneiro
na substituição do termo "Lepra" por hanseníase, numa tentativa
de livrar a doença do estigma historicamente ligado a seu
nome, causado pelo preconceito social.
Formas de contágio
A hanseníase é transmitida de pessoa para pessoa. Somente
os doentes com lesões em atividade podem contagiar, por
meio de contato de pele ou por vias respiratórias.
Má nutrição e condições precárias de moradia, muito comuns
em regiões pobres do país contribuem para o alastramento
da doença. O Brasil é o campeão latino-americano e o segundo
colocado, no mundo, com 79 mil casos registrados de hanseníase.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito a partir dos sinais iniciais: erupções
na pele, diminuição da sensibilidade ao tato e alterações
musculares. O médico procede ao exame físico do paciente,
registra sua história clínica e pede exames de laboratório:
estudo microscópico de um fragmento de pele, identificação
de bactérias da secreção nasal ou biópsia do nervo. Os postos
de saúde dispõem de serviços gratuitos.
Tratamento
No passado, não havia tratamento e os doentes eram, no máximo,
isolados em leprosários, de precário atendimento. Só em
1941 foi criado o Serviço Nacional da Lepra. Modernamente,
há diversos medicamentos específicos, de grande eficácia,
que são ajustados pelo médico a cada caso. As reações individuais
aos remédios podem requerer adaptações das doses, por isso
é importante rigoroso controle médico. Em geral, o tratamento
é longo, mas leva à cura e está disponível, gratuitamente,
nos serviços do Sistema Único de Saúde.
Familiares do doente devem ser submetidos a exame para detecção
de possível contágio e orientação de conduta em casa.
O paciente hanseniano deixa de ser fonte de infecção duas
semanas após ter iniciado o tratamento.
Prevenção
A hanseníase é, hoje, bem conhecida. Pode ser controlada
e mesmo erradicada desde que sejam tomadas medidas de prevenção.
Esta cabe mais aos poderes públicos, no sentido de tomar
medidas que acabem com a miséria responsável pela promiscuidade
e acúmulo de pessoas com baixa imunidade em ambientes pequenos,
mal arejados e sujos.
Esclarecimentos
Poucas semanas após o início do tratamento, o doente não
oferece mais perigo de contágio, podendo voltar ao trabalho.
Vencer o preconceito social arraigado durante séculos é
o grande desafio para a sociedade de hoje, por isso, é necessário
um empenho individual e coletivo, no sentido de esclarecer
a comunidade de que o hanseniano não deve ser marginalizado
e de que a doença tem cura.
Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
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