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Esteatohepatite não alcóolica

O termo esteatohepatite não alcóolica (EHNA) é empregado para descrever uma entidade clínica distinta na qual pacientes sem antecedente de consumo significativo de álcool apresentam biópsia hepática com achados semelhantes àqueles encontrados na hepatite alcóolica.

É mais comum em pacientes do sexo feminino, entre 40 e 60 anos de idade, e o diagnóstico exige a presença dos seguintes achados:

  • Biópsia hepática demonstrando moderado/acentuado acúmulo macrovesicular de gordura associado a processo inflamatório (lobular ou portal), com ou sem corpúsculos de Mallory, fibrose ou cirrose.
  • Evidências convincentes da não ingestão de quantidades significativas de álcool (menos de 40 g de etanol por semana), incluindo uma história clínica detalhada obtida por três médicos independentes e conversa com membros da família, além de pesquisa negativa de etanol em amostras de sangue coletadas aleatoriamente. Quando possível, deve-se ainda realizar a pesquisa no sangue de isoformas da transferrina que servem como marcadores do consumo de álcool.
  • Ausência de evidências sorológicas da infecção pelo vírus da hepatite B ou C.

Embora a etiologia da EHNA seja desconhecida, essa condição está freqüentemente associada a obesidade, diabetes tipo 2 e hiperlipidemia.

Um número relativamente pequeno de pacientes foi acompanhado prospectivamente para determinar a história natural da EHNA, mas trata-se de uma doença com um prognóstico melhor que a hepatite alcóolica. Os pacientes com EHNA não parecem apresentar uma expectativa de vida menor que pessoas saudáveis ajustadas por sexo e idade. Na maioria dos pacientes, observam-se alterações discretas nos exames de função hepática. Em um pequeno número de casos, no entanto, ocorre progressão histológica e clínica para hepatopatia crônica avançada.

A maioria dos pacientes com EHNA são assintomáticos e a apresentação mais comum são alterações em exames de função hepática realizados na rotina clínica. Os níveis séricos de AST e ALT estão elevados em cerca de 90% dos pacientes e a relação AST/ALT geralmente é menor que 1, bem inferior àquela observada na hepatite alcóolica. A elevação dos níveis de fosfatase alcalina e a hiperbilirrubinemia são pouco comuns.

O diagnóstico diferencial inclui a maioria das doenças hepáticas crônicas. A história clínica, os exames laboratoriais e radiológicos não permitem distinguir a EHNA de algumas doenças. As hepatites relacionadas ao álcool e outras drogas geralmente podem ser diagnosticadas com um história clínica detalhada. Outras causas de hepatopatia crônica e elevação dos níveis séricos de enzimas hepáticas (como as hepatites virais, hemocromatose hereditárias, hepatite auto-imune, doença de Wilson e a deficiência de alfa-1-antitripsina) devem ser investigadas.

Na ausência de evidências clínicas ou laboratoriais dessas condições, a biópsia hepática é o único método capaz de confirmar ou descartar a possibilidade de EHNA.


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