
Bulimia: compulsão
e "limpeza"
Entenda
mais o que é bulimia e saiba como trata-la. Afinal, nos
tempos de hoje, a bulimia é um comportamento mais comum
do que muitos de nós pensamos, principalmente entre os jovens.
O
comportamento bulímico apresenta duas fases: a compulsão
e a "limpeza" (vômitos induzidos e uso de laxantes).
A compulsão
Embora
existam variações individuais, define-se a compulsão como
a ingestão rápida de uma grande quantidade de alimentos
ricos em calorias num pequeno espaço de tempo. Pode consistir
de qualquer produto, na maioria das vezes dependendo do
que estiver disponível no momento.
Após
o início da crise, é muito difícil interrompê-la. Os pacientes
costumam descrever uma sensação de êxtase ou de torpor;
a comida pode ser ingerida tão rapidamente que nem sequer
é saboreada. Um episódio bulímico consiste no consumo médio
de 1.500 a 3.000 calorias, apesar de haver relatos de indivíduos
que consumiram até 60.000 calorias numa única crise. Algumas
vezes, o bulímico usa laxantes mesmo sem comer compulsivamente;
a ingestão não planejada de alimentos gera um sentimento
de culpa e ansiedade, levando-o a eliminar o "excesso".
Geralmente, a ingestão compulsiva é interrompida apenas
quando se esgotam as fontes de alimento ou de dinheiro,
ocasionando um grave desconforto abdominal e emocional no
indivíduo.
Características
da ingestão compulsiva de alimentos:
-
o ato de comer compulsivamente, em geral, ocorre às
escondidas.
- os
episódios podem ou não ser planejados.
- geralmente,
os episódios são caracterizados pela ingestão rápida
e frenética.
- alguns
pacientes contam que entram em um estado diferente quando
começam a comer. Muitos relatam que nem sequer sentem
o gosto dos alimentos.
Os
fatores desencadeantes mais comuns incluem:
-
situações de mau humor
- problemas
de relacionamento
- fome
decorrente de restrições dietéticas
- sentimentos
negativos relacionados à imagem corporal
A
"limpeza"
Cerca
de 70 a 80 % dos pacientes com bulimia procuram eliminar
os alimentos ingeridos através da indução de vômitos, enquanto
30% utilizam laxantes.
Riscos
associados com a "limpeza":
-
Laxantes - Existem vários efeitos colaterais
decorrentes do uso abusivo de laxantes. Os agentes mais
comumente utilizados são aqueles que estimulam o trânsito
intestinal. Algumas pessoas utilizam grandes quantidades
após a ingestão alimentar, na tentativa de eliminar
os alimentos. Trata-se de um meio ineficaz de livrar
o organismo das calorias, já que a maior parte delas
é absorvida antes de atingir as porções distais do trato
digestivo.
Além disso, se o intestino adaptar-se ao uso dos laxantes,
a interrupção pode provocar constipação e desconforto
abdominal, levando o indivíduo a utilizar novamente
os laxantes e perpetuar esse ciclo. A longo prazo, podem
causar depleção de potássio e desidratação. Outro risco
inerente ao uso crônico desses medicamentos reside na
possibilidade do intestino tornar-se irresponsivo.
A melhor maneira de lidar com o abuso de laxantes é
interromper o ciclo vicioso. Você pode sentir alguns
efeitos indesejáveis nos primeiros dias (cerca de 10
dias), mas o funcionamento normal do intestino costuma
retornar após esse período. Alguns indivíduos preferem
usar laxantes a base de durante essa fase de transição.
- Diuréticos
- Os diuréticos representam a maneira menos eficaz para
o controle do peso. Seu modo de ação baseia-se na eliminação
da água corporal, diminuindo a sensação de plenitude.
O uso crônico dessas drogas pode provocar lesões renais
e/ou insuficiência renal, além de promover distúrbios
hídricos e eletrolíticos que podem causar arritmias
cardíacas fatais. ·
- Indução
de vômitos - Pode causar lesões de vasos oculares,
erosões dentárias, lesões esofágicas ou depleção de
potássio, que pode cursar com arritmias cardíacas fatais.
Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
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