Hantaviroses
As
viroses emergentes preocupam as autoridades sanitárias de
todo o mundo. Fruto de alterações no ecossistema e dos comportamentos
econômicos, sociais e culturais do homem, estas viroses
surgem como importante problema de saúde pública tanto nas
zonas rurais como nas zonas urbanas. O exemplo mais clássico
de uma virose emergente, já hoje consolidado na humanidade,
é a infecção humana pelo vírus HIV(AIDS) que atualmente
atinge praticamente todos os territórios. Entre as viroses
emergentes as que guardam especial preocupação são aquelas
associadas com as febres hemorrágicas dado o seu caráter
comumente letal e a capacidade de disseminação.
Aspectos Epidemiológicos
Hantaviroses
são enfermidades agudas que podem se apresentar sobre as
formas de Febre Hemorrágica com Síndrone Renal (HFRS) e
Síndrone Pulmonar por Hantavírus (HPS), sendo a segunda
a única forma encontrada nas Américas. A enfermidade não
é específica de nenhum grupo étnico, se comporta de forma
estacional coincidindo com a presença e o maior número de
roedores portadores do vírus.
Agente
Etiológio: são designados de hantavírus os agentes etiológicos
do agravo que pentencem a família Buyanviridae (Quadro I).
Reservatórios:
os roedores, especialmente os silvestres, são os principais
reservatórios dos Hantavírus e cada espécie parece ter tropismo
por determinado tipo.No roedor, a infecção pelo Hantavírus
aparentemente não é letal e pode levá-lo ao estado de reservatório
do vírus por toda a vida. Nesses animais, os Hantavírus
são isolados principalmente nos pulmões e rins, apesar da
presença de anticorpos séricos, sendo eliminados em grande
quantidade na saliva, urina e fezes durante longo período,
todavia, a duração e o período máximo de infectividade são
desconhecidos.
Quadro
1.
Espécies de Hantavírus, enfermidades que causam, principais
reservatórios e sua distribuição geográfica
| ESPÉCIES |
ENFERMIDADE |
RESERVATÓRIO
PRINCIPAL |
DISTRIBUIÇÃO
DO VÍRUS |
DISTRIBUIÇÃO
DO RESERVATÓRIO |
| Hantaan
(HTN) |
FHSR*
|
Apodemus
agrarius |
China,
Russia, Coreia |
Europa
Central, ao sul de Tracia, e as montanhas Tien Shan.
Do rio Amur através da Coréia até a China. |
| Tailândia
(China) |
FHSR |
Apodemus
flavicollis |
Balcãs |
Inglaterra
e Gales, desde a Espanha, França e sul da Escandinávia,
através da Rússia Européia até os Urais. Desde Itália
aos Balcãs, Síria, Líbano e Israel. |
| Seul
(SEQ) |
FHRS |
Rattus
norvegicus |
Mundial |
Ao
redor do Mundo. |
| Puumala
(PUU) |
FHSR |
Clethrionomys
glareolus |
Europa,
Rússia, Escandinávia |
Desde
a França a Escandinávia até o Lago Baikal. Sul da Espanha,
Itália, Balcãs, Turquia, até o Saara. Grã- Bretanha,
Irlanda. |
| Sin
Nombre (SN) |
SPH** |
Peromyscus
maniculatus |
EUA,
Canadá, México |
Desde
o Alaska ao Canadá, parede continental do EUA, excluindo
o sudoeste e leste da baixa Califórnia, Oaxaca no México. |
| New
York (NY) |
SPH |
Peromyscus
leucopus |
EUA |
Parte
central do EUA, Alberta, Ontario, Quebec, Nova Escócia,
Canadá. Do Caribe até a Península de Yucatán no México. |
| Black
Creek Canal (BCC) |
SPH |
Sigmodon
hispidus |
EUA |
Nebraska,
Virgínia, Península da Flórida, México, América Central
(Panamá), Sul da América, (Norte da Colômbia e Venezuela).
|
| Bayou
(BAY) |
SPH |
Oligoryzomys
palustris |
EUA |
Do
Kansas ao Texas, New Jersey a Península da Flórida. |
| Andes
(AND) |
SPH |
Oligoryzomys
longicaudatus
Calomys laucha |
Argentina |
Chile
e Argentina até os 50° latitude sul. |
| Por
Nombrarlo |
SPH |
Calomys
laucha |
Paraguai |
Argentina,
Uruguai, Paraguai, Brasil. |
| Rio
Mamore (RIOM) |
Não
reportado em humanos |
Oligoryzomys
Microtis |
Bolívia |
Brasil,
entre os rios Solimões e Amazonas, continuando nas terras
baixas do Peru, Bolívia, Paraguai e Argentina. |
| Punchana
(1) (2) |
Não
reportado em humanos |
Oryzomys
sp |
Perú |
Loretu,
Perú |
| Caño
Delgativo |
Não
reportado em humanos |
Sigmodon
alsoni |
Venezuela |
Venezuela |
| *
FHSR: Febre hemorrágica com sindrome renal
** SPH: Sindrome pulmonar por hantavirus |
Modos
de Transmissão: a infecção humana ocorre mais freqüentemente
pela inalação de aerossóis formados a partir de secreções
e excreções dos reservatórios(roedores) de Hantavírus. Outras
formas de transmissão para a espécie humana foram também
descritas:
-
ingestão de alimentos e água contaminados;
-
percutânea, por meio de escoriações cutâneas e mordeduras
de roedor;
-
contato do vírus com mucosa, por exemplo, a conjuntival;
-
acidentalmente, em trabalhadores e visitantes de biotérios
e laboratórios.
-
Mais
recentemente, há evidências da possibilidade de transmissão
interhumana. Na Argentina, Cantoni e cols.(1997) verificaram
durante um surto de hantavírus, na província de rio
Negro, que os profissionais da área de saúde apresentaram
risco maior do que o observado na população em geral.
A hipótese de transmissão pessoa a pessoa em casos de
síndrome pulmonar por Hantavírus descritos por Cantoni
et cols(1997) direcionam a revisão das medidas de precaução
e biossegurança no atendimento destes pacientes e manuseio
de espécimes biológicas.
Período
de Incubação: o período de incubação da doença provocada
por Hantavirus varia de 12 a 16 dias com uma variação de
05 a 42 dias.
Período
de Transmissibilidade: até o momento é desconhecido.
Susceptibilidade
e Imunidade: ao que parece, as pessoas sem dados sorológicos
de infecção passada são uniformemente susceptíveis. Não
existem relatos na literatura de reinfecção em humanos.
Distribuição,
Morbidade, Mortalidade e Letalidade: a Febre Hemorrágica
com Síndrome Renal (HFRS) tem a distribuição na Europa e
Ásia onde na China ocorrem de 40.000 a 100.000 casos por
ano. Na Coréia do Sul tem ocorrido uma média de 1.000 casos
por ano. Possui uma letalidade variável com média de 5%
na Ásia e um pouco maior nas Ilhas Balcãs.A forma respiratória
da doença (HPS) com grande letalidade, identificada em junho
de 1993 na região sudoeste dos Estados Unidos e, posteriormente,
observada em outros 21 estados daquele país levou ao isolamento
de outros Hantavírus como o Sin Nombre, Black Creek Canal,
Bayou e New York. Desta forma, a Síndrome Pulmonar por Hantavírus
passou a ser reconhecida em outros países e possibilitou
o isolamento de novas espécies.No Brasil os 3 primeiros
casos clínicos de Síndrome Pulmonar por Hantavírus foram
identificados no Estado de São Paulo, no Município de Juquitiba,
em 1993. Outros sete casos foram registrados: um no Estado
de Mato Grosso na cidade de Castelo dos Sonhos e outros
seis no estado de São Paulo, nas cidades de Araraquara e
Franca, ambos em 1996; um em Tupi Paulista e um em Nova
Guataporanga, dois casos em Guariba, em 1998.
Tabela
1.
Casos de Síndrome Pulmonar por Hantavírus diagnosticados
nas Américas até abril de 1998.
| País |
Casos |
| Argentina |
150
casos |
| Brasil |
10
casos |
| Chile |
27
casos |
| Canadá
(até julho de 1997) |
13
casos |
| EUA
(até julho de 1997) |
162
casos |
| Uruguai |
3
casos |
| A
Letalidade na Argentina gira em torno de 30 % dos casos,
enquanto no Brasil dos 10 casos que ocorreram no período,
9 foram a óbito. |
Aspectos Clínicos
Síndrome Pulmonar por Hantavírus (HPS):
- Descrição:
febre, mialgias, dor abdominal, vômitos e cefaléia;
seguidas de tosse produtiva, dispnéia, taquipnéia, taquicardia,
hipertensão, hipoxemia arterial, acidose metabólica
e edema pulmonar não cardiogênico. O paciente evolui
para insuficiência respiratória aguda e choque circulatório.
- Diagnóstico
Diferencial: septicemias, leptospirose, viroses
respiratórias, pneumonias atípicas (Legionella, Mycoplasma,
Clamydia), histoplasmose pulmonar e pneumocitose.Complicações:
insuficiência respiratória aguda e choque circulatório.
- Tratamento:
desde o início do quadro respiratório, estão indicados
medidas gerais de suporte clínico, inclusive com assistência
em unidade de terapia intensiva nos casos mais graves.
Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (HFRS)
- Descrição:
febre, cefaléia, mialgia, dor abdominal, náuseas, vômitos,
rubor facial, petéquias e hemorragia conjuntival, seguida
de hipotensão, taquicardía, oligúria e hemorragias severas,
evoluindo para um quadro de poliúria que antecipa o
início da recuperação, na maioria dos casos.
- Diagnóstico
Diferencial: é importante, em nosso meio, lembrar
de doenças que cursam com febre hemorrágica como malária
grave, leptospirose, septicemia (Gram negativo), hepatite
B, intoxicações exógenas, dengue hemorrágico e febre
amarela.
- Tratamento:
na HFRS, as medidas de suporte e observação são fundamentais
no tratamento dos paciente. Recomenda-se as seguintes
medidas:
-
isolamento dos pacientes com proteção de barreiras
(avental, luvas e máscaras);
- evitar
sobrecarga hídrica nos estágios iniciais, manter
o aporte de fluidos adequado para repor perda na
fase de poliúria, controle da hipotensão com expansores
de volume e vasopressores nos casos graves, monitorização
do estado hidroeletrolítico e ácido-básico e diálise
peritoneal ou hemodiálise no tratamento da insuficiência
renal.
Diagnóstico Laboratorial
Para
os dois tipos de Hantaviroses, o diagnóstico faz-se através
de Imunofluorescência, Elisa e Soroneutralização. A confirmação
se dá através de PCR e Imunohistoquímica de órgãos positivos.
Vigilância Epidemiológica da HPS
Os
principais objetivos da Vigilância Epidemiológica da HPS
são:
- manter
um sistema sentinela que permita atuar no sistema de
saúde, com informação sistematizada, ágil e nos locais
adequados;
- conhecer
os indicadores epidemiológicos e fatores de risco associados
à doença, a fim de direcionar ações adequadas de controle;
- estimular
e direcionar ações de investigação epidemiológica visando
um melhor conhecimento epidemiológico da doença e introduzir
medidas de prevenção.
Notificação:
todos os casos suspeitos devem ser notificados.
Definição
de caso de HPS
- Caso
suspeito: paciente previamente sadio com histórico
de síndrome gripal: febre acima de 38°C, mialgias, calafrios,
grande astenia, sede e cefaléia, acompanhados de sintomas
e sinais de insuficiência respiratória aguda de etiologia
não determinada ou edema pulmonar não cardiogênico,
na primeira semana da doença. Na fase cardiopulmonar,
os dados clínicos associados a achados laboratoriais,
como leucocitose com desvio à esquerda, trombocitopenia,
hematócrito elevado, infiltrados pulmonares intersticiais
e aumento de desidrogenase láctica (DHL) podem levar
à suspeita de HPS.
- Caso
confirmado: paciente com as características clínica
do suspeito e laboratório específico de confirmação
por Elisa (IgM em soro ou soroconversão por IgG), ou
PCR positivo ou Imunohistoquímica de órgãos positivo.
Busca
de Casos
- Passiva:
baseando-se na notificação dos casos, necessitando de
capacitação prévia dos profissionais que atuam na ponta,
principalmente em áreas rurais, para fins de diagnóstico
precoce e manejo inicial adequado dos casos.
- Ativa:
subsequente à notificação de casos, dar-se-à início
à busca ativa de mais casos junto à população de risco,
identificação de reservatórios, identificação do vírus
causal e outros estudos que se fizerem necessários.
Investigação
Epidemiológica: a investigação epidemiológica deverá
ser realizada de forma clara e objetiva, incluindo o preenchimento
de uma ficha epidemiológica para cada caso suspeito, devendo
compreender os seguintes aspectos:
-
Investigação clínica e/ou laboratorial de todos os casos,
para confirmação diagnóstica;
- Determinação
da provável forma e local de contágio, sendo importante
pesquisar:
- os
fatores de risco e o provável reservatório do vírus;
- condições
propícias à proliferação de roedores nos locais
de trabalho ou moradia;
- atividades
em áreas potencialmente contaminadas. Deverá ser
feito o mapeamento de todos os casos para se precisar
a distribuição espacial e geográfica da doença (onde
está ocorrendo), determinando-se, assim, as áreas
onde se procederão às ações de controle.
Conduta
frente ao caso
- O
estudo dos reservatórios se dará a partir da notificação
do caso em uma determinada área, com amostras de roedores
para o estudo de seu potencial zoonótico.
- Limpeza
e desinfecção dos locais onde tenham sido diagnosticados
casos de Hantavírus.
As ações de limpeza e desinfecção da casa do paciente
deverão ser realizadas concomitantemente às atividades
de captura e desratização dos locais de foco.Será enviado
ao local, uma equipe técnica operacional do Serviço
de Controle de Zoonoses do Município afetado, formada
por um técnico em epidemiologia e 1 a 3 agentes de saúde
em controle de roedores treinados para melhor investigar
e proceder as devidas ações. A família do paciente deverá
ser aconselhada a mudar-se temporariamente para que
ocorram as ações necessárias à limpeza e desinfecção
local.A equipe técnica em controle de roedores procederá
a inspeção técnica na busca de sinais de roedores e
captura sistemática na casa e nos arredores, registrando
na Ficha de Inspeção de Roedores utilizada par tal fim.Além
de efetuar a investigação epidemiológica do caso, o
técnico associará a história clínica detalhada às informações
obtidas da inspeção técnica de campo. Depois da captura
em armadilhas, devem-se abrir as portas e janelas da
casa por 30 minutos, antes de entrar. Realizar a limpeza
do local e, se necessário, aplicar raticidas. Os moradores
da região deverão ser informados quanto às atividades
realizadas e sobre a importância de procederem ações
de antiratização necessárias para se manter a área livre
da presença de roedores.Deve-se proceder a desinfecção
local utilizando desinfetantes, usando luvas e botas
de borracha, aventais, respirador com filtro. Deve-se,
também, eliminar todas as fontes de alimento e água
que possam estar contaminadas no interior da casa.A
equipe dará instruções para que se realize o desmatamento
ao redor de 30m do local, assim que as atividades de
captura de roedores já tenham sido finalizadas. Orientará
também, sobre a plantação e cultivo de hortas e hortaliças
com pelo menos 30 m de distância da casa.A desratização
deverá ser feita quando houver a confirmação do caso,
por técnicos capacitados para tal, e deve-se, também,
colocar raticidas em habitações que irão permanecer
fechadas por longo período, evitando-se o crescimento
de novas colônias de roedores no interior desses locais.A
equipe fornecerá orientações sobre todos os procedimentos
de vedação das habitações do local, evitando-se o ingresso
de roedores para o interior das mesmas. Essas medidas
deverão ser periodicamente avaliadas pela equipe técnica
responsável.As áreas onde ocorreram captura de roedores,
vem como desratizações e a limpeza das habitações devem
ser inspecionadas e repassadas periodicamente por um
período de dois anos, no mínimo.
Medidas de Controle
As medidas de prevenção e controle devem ser baseadas em
manejo ambiental, através principalmente de práticas de
higiene e medidas corretivas no meio ambiente, saneamento,
melhorias de condições de vida e moradia, tornando as habitações
e os campos de trabalhos impróprios à instalação e proliferação
de roedores (antirratização) associados a desratizações
focais, quando necessários.
Controle
de Roedores
- Mecânico:
medidas básicas de controle de roedores poderão se obtidas
no "Manual de controle de Roedores" do Ministério da
Saúde, porém é essencial:
- Eliminar
todos os resíduos que possam servir para construção
de tocas e ninhos;
- Evitar
entulhos e objetos inúteis no interior e ao redor
do domicílio através de limpeza diária;
- Armazenar
insumos agrícolas e outros objetos em galpões distantes
pelo menos 30 metros dos domicílios sobre estrados
de 40 cm de altura;
- Armazenar
produtos agrícolas (grãos, hortigranjeiros e frutas)
em silos ou tulhas situadas a uma distância mínima
de 30 metros do domicílio, sobre estrados com 40
cm de altura do piso. O silo ou tuia deverá estar
suspenso e a uma altura de 40 cm do solo com escada
removível e rateiras dispostas em cada suporte;
- Os
produtos armazenados no interior dos domicílios
devem ser conservados em recipientes fechados a
40 cm do solo;
- Vedar
fendas e outras aberturas superiores a 5 cm para
evitar ingressos acidentais de roedores no interior
dos domicílios;
- Remover
diariamente as sobras dos alimentos de animais domésticos;
- Lixos
orgânicos e inorgânicos, caso não exista coleta
regular, devem ser enterrados separadamente, respeitando-se
uma distância mínima de 30 metros do domicílio;
- O
plantio deve sempre obedecer uma distância mínima
de 30 metros do domicílio;
- O
armazenamento em estabelecimentos comerciais deve
seguir as mesmas orientações para o armazenamento
em domicílio e em silos de maior porte;
- Em
locais onde haja coleta de lixo rotineira, os lixos
orgânicos e inorgânicos devem ser acondicionados
em latões com tampa ou em sacos plásticos sobre
suporte de aproximadamente 1,5 metros de altura
do solo.
- Controle
Químico: nas áreas rurais não recomendamos o controle
químico de roedores, tendo em vista que as medidas de
antirratização geralmente são suficientes. No âmbito
urbano, entretanto, a desratização está indicada sempre
que ocorrer alta infestação ou a presença de casos diagnosticados
em humanos. Outras considerações devem respeitar a situação
epidemiológica da região, conforme citado no Manual
de Controle de Roedores do Ministério da Saúde.
- Precauções
com Roedores Silvestres e de Laboratórios: até que
se estabeleça com certeza as espécies de roedores hospedeiros
de infecções por Hantavírus, todos os roedores silvestres
devem ser manejados como fontes potenciais de infecção.
Roedores de laboratórios inoculados ou expostos a sangue,
componentes do sangue, tecidos e excretas de roedores
silvestres devem ser considerados como potencialmente
infectados por Hantavírus. Sejam animais silvestres
ou de laboratório que estejam infectados com Hantavírus,
há um risco claro de transmissão por aerossol de urina
infectada, fezes ou saliva de roedores. Embora não se
conheça a participação de ectoparasitas na cadeia de
transmissão da doença, conseqüentemente os animais de
laboratório que somente estejam expostos a ectoparasitas
(pulgas, carrapatos) não necessitam ser tratados como
potencialmente infectados por Hantavírus.
- Medidas
de desinfecção nos ambientes de residências potencialmente
contaminadas: considerando-se que os roedores contaminam
o ambiente com seus excretas, deve-se tomar precauções
quanto a limpeza de ambientes potencialmente contaminados
e quando na manipulação de roedores mortos. Deve-se
usar desinfetantes como o hipoclorito de sódio a 3%.
Na habitações fechadas deve-se realizar a limpeza do
piso com um pano umedecido em detergente ou desinfetante,
o qual evitará a formação de aerossóis. Os móveis devem
ser limpos com pano embebido em detergente ou desinfetante.
Os alimentos e outros materiais com evidências de contaminação
devem ser eliminados em bolsa dupla plástica, mas previamente
molhados com detergentes e finalmente enterrados a mais
de 60 cm da superfície. Durante a manipulação de roedores
mortos e objetos ou alimentos contaminados, deve-se
utilizar luvas de borracha. Ao terminar o trabalho,
deve-se lavá-las antes de retirá-las em uma solução
desinfetante ou detergente, e após lavar as mãos com
água e sabão.
- Controle
em grupos de risco: os grupos de risco são constituídos
por pessoas que por sua atividade estão expostas ao
contato com roedores ou suas excreções, além dos laboratoristas
e bioteristas, os que trabalham em esgoto, os agentes
de saúde que atuam no controle de roedores, os portuários,
trabalhadores agrícolas e pessoas que acampam ao ar
livre.
- Medidas
de prevenção deverão ser consideradas:
- As
habitações que tenham permanecido fechadas por muito
tempo: deverão ser ventiladas por pelo menos
uma hora. As pessoas que ingressarem em locais fechados,
potencialmente contaminados com excretas de roedores,
devem faze-lo com proteção respiratória com máscara
ou equipamentos de pressão positiva, com filtros
de alta eficiência.
- Os
acampamentos: tanto de trabalhadores como
de recreação, deve ser realizados em lugares afastados
de potenciais focos de contaminação de roedores,
como ninhos, escombros, lixões, acúmulos de lenha,
palha ou outros materiais. Nestes acampamentos deve-se
manter a adequada proteção de alimentos contra roedores,
assim como resíduos em recipientes fechados e finalmente
enterrados a uma distância maior que 300m do acampamento.
A água deve estar protegida em recipientes fechados
e ser fervida ou clorada. Se o acampamento for por
longo período, devem-se aplicar raticidas como medida
complementar.
Todos
os operadores que atuem na limpeza dos locais afetados devem
ser devidamente treinados para desenvolver suas atividades
de maneira segura. Uma amostra de soro destes operadores
deverá ser colhida antes do início das atividades e estocadas
a -20ºC como medida de segurança para garantias trabalhistas.Lembrar-se
que pessoas freqüentemente expostas, seja pelo seu local
de moradia como através da manipulação ou contato profissional
com roedores, sofrem maior risco de exposição do que a população
em geral, devido ao maior tempo e freqüência de exposição.
Portanto, todas as medidas de prevenção e proteção individual
deverão ser rigorosamente observadas nessas situações.
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