Febre Amarela
Aspectos
Epidemiológicos
A Febre Amarela (FA) é uma doença infecciosa aguda, febril,
de natureza viral, encontrada em países da África e Américas
Central e do Sul. Caracteriza-se clinicamente por manifestações
de insuficiência hepática e renal, que pode levar à morte,
em cerca de uma semana.
Agente
Etiológico: o agente causal da Febre Amarela é o vírus
amarílico, um arbovírus pertencente ao gênero Flavivirus,
família Flaviviridae.
Reservatório:
na Febre Amarela Urbana (FAU), o homem é o único reservatório
hospedeiro vertebrado com importância epidemiológica. Na
Febre Amarela Silvestre (FAS), os primatas não humanos são
os principais reservatórios e hospedeiros vertebrados do
vírus amarílico, sendo o homem um hospedeiro acidental.
Vetores:
o Aedes albopictus se introduziu no Brasil, em 1986,
através do estado do Rio de Janeiro, provavelmente importado
dos Estados Unidos, tendo rapidamente se expandido para
os estados do Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais, São Paulo
e Paraná. Possui este mosquito a capacidade de combinar
os ciclos silvestre e urbano da FA, no continente americano.
Sem dúvida, ainda não se comprovou qualquer participação
desta espécie na transmissão da doença. O mosquito da espécie
Aedes aegypti é o principal transmissor da Febre
Amarela Urbana. Na Febre Amarela Silvestre, os transmissores
são mosquitos com hábitos eminentemente silvestres, sendo
que os dos gêneros Haemagogus e Sabethes são os mais importantes
na América Latina. No Brasil, a espécie Haemagogus janthinomys
é a que mais se destaca na perpetuação do vírus.
Modo
de Transmissão: na FAU, pela picada do mosquito Aedes
aegypti infectado. Na FAS, pela picada de espécies de mosquitos
silvestres do gênero Haemagogus. · Período de Incubação:
de três a seis dias após a picada do mosquito infectado.
Período
de Transmissibilidade: o sangue dos doentes é infectante
para os mosquitos cerca de 24-48 hs antes do aparecimento
dos sintomas, de três a cinco dias após o início da doença.
O período de incubação extrínseco no Aedes aegypti, dura,
em média, de nove a doze dias. Uma vez infectado, o mosquito
pode transmitir o vírus amarílico durante toda sua vida
(3 a 4 meses).
Suscetibilidade
e Imunidade: o doença confere imunidade por um longo
período, não se conhecendo recidivas. Nas zonas endêmicas,
são comuns as infecções leves e inaparentes. Os filhos de
mães imunes podem apresentar imunidade passiva e transitória
durante seis meses.
Distribuição,
Morbidade, Mortalidade e Letalidade: a Febre Amarela
pode apresentar-se sob duas modalidades: Febre Amarela Urbana
(FAU) e Febre Amarela Silvestre (FAS).
Febre
Amarela Urbana: nas Américas, as últimas notificações
de FAU ocorreram em Trinidad, em 1954. Desde então, não
se tem registrado ocorrência de Febre Amarela Urbana, (FAU)
transmitida pelo Aedes aegypti no Continente Americano.
No Continente Africano, têm sido registradas epidemias de
FAU ao longo dos últimos dez anos. Assim, ocorreram epidemias
em Burkina-Faso (1983), onde foram notificados 286 óbitos.
Na Nigéria (1986-1988), surgiram mais de 30.000 casos, tendo
10.000, desfecho fatal. No Brasil, a FAU está erradicada
desde 1942, quando foi registrada pela última vez, no município
de Sena Madureira, no Acre. A FAS tem um comportamento cíclico
e é sempre precedida de epizootias. Na população humana,
as epidemias aparecem de forma irregular, devido a fatores
de interferência entre a exposição do suscetível aos vetores
silvestres infectados. Isto porque, pessoas não vacinadas,
especialmente imigrantes, instalam-se em área de mata na
zona enzoótica, a fim de desenvolverem atividades especialmente
relacionadas com a derrubada de áreas florestais para extração
de madeira, bem como para instalação de projetos agropecuários.
Febre
Amarela Silvestre: a Febre Amarela Silvestre da América
Tropical apresenta anualmente 100 a 200 casos, na parte
setentrional da América do Sul e na bacia Amazônica, incluindo
as grandes planícies da Colômbia e as Regiões Orientais
do Peru e da Bolívia. Ocasionalmente, a doença tem-se apresentado
em todos os países do continente americano, desde o México
até a Argentina, com exceção de El Salvador, Uruguai e Chile.
A idade, o sexo e a ocupação são fatores de risco importantes,
uma vez que a grande maioria dos casos ocorre entre adultos
de 16 a 35 anos. A freqüência de casos é seis vezes maior
no sexo masculino. Migrantes não imunizados, oriundos de
áreas indenes da doença, que desenvolvem atividades agrícolas,
constituem um dos grupos de alto risco. No período de 1973
a 1992, foram notificados 355 casos, com 252 óbitos, correspondendo
a uma taxa de letalidade de 71%. Durante o período, o maior
número de casos ocorreu em Goiás, Pará, Mato Grosso do Sul
e Mato Grosso, estados que se encontram dentro da extensa
área enzoótica (endêmica) de FAS, que é a grande Região
Amazônica, área onde existe circulação do vírus amarílico
e onde a doença se mantém permanentemente, nas matas, entre
animais, afetando o homem de forma acidental. Quando o vírus
circula periodicamente causando uma alta morbi-mortalidade
entre a população de primatas e alguns casos humanos, estará
considerada epizoótica. A Febre Amarela Silvestre (FAS)
vem ocorrendo no país desde 1934, nas regiões Norte e Centro-Oeste.
Nessas áreas de mata, a doença se mantém de forma endêmica,
porém sob controle, já que ocorre anualmente um pequeno
número de casos humanos. Entretanto, a distribuição dos
casos por mês tem demonstrado que a maior freqüência da
doença ocorre nos meses de janeiro a abril, período com
maior índice pluviométrico, quando a densidade vetorial
é elevada, coincidindo com a época de maior atividade agrícola.
Aspectos Clínicos
Descrição: a infecção por vírus amarílico determina
no homem, desde quadros inaparentes e oligossintomáticos
até formas fulminantes. O quadro típico da doença se caracteriza
por apresentar evolução bifásica, com um período inicial
prodrômico (período de infecção) e um período de localização.
Período de Infecção: dura cerca de três dias, com início
súbito e sintomas gerais como febre, calafrios, cefalalgia,
lombalgia, mialgias generalizadas, prostração, náuseas e
vômitos. Período de Remissão: caracteriza-se pelo declínio
da temperatura e diminuição dos sintomas, provocando uma
sensação de melhora no paciente. Dura poucas horas, no máximo
um a dois dias.
Período
de Intoxicação: caracteriza-se pela predominância dos
sintomas de insuficiência hepato-renal, representados por
icterícia, hematêmese, melena e outras manifestações hemorrágicas
(epistaxes, otorragias e gengivorragias), oligúria e anúria,
acompanhados de albuminúria e prostração intensa. O pulso
se torna mais lento, apesar da temperatura elevada (sinal
de Faget).
Diagnóstico Diferencial: as formas leve e moderada
são de difícil diagnóstico diferencial em relação a outras
doenças febris. As formas graves de Febre Amarela com quadro
clínico clássico ou fulminante devem ser diferenciadas de
malária por Plasmodium falciparum, leptospirose, além de
formas fulminantes de hepatite B e hepatite D. Devem ser
lembradas as febres hemorrágicas de etiologia viral, como
o dengue hemorrágico e septicemias.
Diagnóstico Laboratorial
O
diagnóstico laboratorial é feito por isolamento do vírus
em amostras de sangue ou fígado, a partir da inoculação
em camundongos recém-nascidos, mosquitos ou cultivos celulares.
As células mais usadas na atualidade são as originárias
de artrópodes, tais como C¨/36, AP61 e TRA284, de Aedes
albopictus, Aedes pseudoscutellaris e Toxorhynchites amboinensis,
respectivamente. A colheita de sangue deve ser feita em
condições de assepsia, de preferência nos seis primeiros
dias da doença. As amostras devem ser conservadas em gelo,
ou a 4o C em geladeira, se a inoculação se fizer no mesmo
dia. Caso seja necessário mais tempo para transporte, os
espécimes deverão ser identificados e congelados em temperaturas
inferiores a -60oC, mantidos em freezer, gelo seco ou nitrogênio
líquido, devendo ser encaminhados, juntamente com a ficha
de investigação epidemiológica, ao laboratório.
A
demonstração do antígeno viral no tecido hepático, através
de técnicas como a imunofluorescência indireta e a imunoperoxidase;
testes sorológicos, complementares ao isolamento do vírus,
podem ser utilizados como alternativos ao diagnóstico. As
técnicas classicamente utilizadas são: Inibição da hemaglutinação
(IH), Fixação de Complemento (FC) e Neutralização (TN).
Independentemente do teste adotado, o diagnóstico está relacionado
ao aumento de quatro vezes ou mais no título de anticorpos
específicos, entre amostras de soro colhidas nas fases aguda
e de convalescença da enfermidade; as amostras devem ser
analisadas simultâneamente, e devem ser colhidas com intervalo
de 14 a 21 dias.
As
principais técnicas são:
-
Inibição da Hemaglutinação (IH): indicada
para sorologia de rotina sensível, de fácil execução,requer
equipamento simples. Ideal para estudos soro-epidemiológicos.
Detecta anticorpos que aparecem na primeira semana após
o início da doença;
- Fixação
de Complemento (FC): menos sensível, mais específica.
Detecta anticorpos que aparecem mais tardiamente (2a
semana da doença), ou que podem persistir em títulos
moderados, por períodos prolongados (pelo menos dois
anos).
- Neutralização
(TN): o mais específico. Detecta anticorpos
que aparecem precocemente (1ª semana) e permanecem
por muitos anos (provavelmente toda a vida). O diagnóstico
sorológico é sugestivo para FA ao demonstrar a presença
de IgM específica nos soros iniciais, ou um aumento
do título de anticorpos específicos em pares de soros
obtidos na fase aguda da doença e na fase da convalescença.
Ocorrem reações sorológicas cruzadas com outros flavivírus
sendo impossível diferenciar os anticorpos provenientes
da vacina contra a FA, dos anticorpos produzidos por
imunidade natural.
- MAC-ELISA:
técnica imunoenzimática que permite o diagnóstico através
da detecção de anticorpos da classe IGM; é bastante
sensível, dispensando amostragem sérica pareada. A presença
de anticorpos pode ser detectada através da coleta de
uma amostra de soro a partir do 6o dia da doença. Esses
anticorpos surgem precocemente (1ª semana da doença)
e perduram por cerca de 90 a 120 dias. Sua detecção
indica infecção ativa ou recente, tendo valor diagnóstico.
Vigilância Epidemiológica
O propósito da vigilância epidemiológica da Febre Amarela
é o de mantê-la erradicada dos centros urbanos e sob controle
nas áreas silvestres.
Notificação:
por ser uma doença de notificação compulsória internacional,
todo caso suspeito deve ser comunicado imediatamente por
telex, telefone ou fax, ao Serviço de Vigilância Epidemiológica
da Secretaria Municipal de Saúde, que deverá transferir
a informação à Secretaria Estadual. A Secretaria Estadual
deverá comunicar à Coordenação Regional da FNS, para que,
através de um trabalho integrado, realize-se a vigilância
epidemiológica e entomológica.
Investigação
Epidemiológica: a investigação epidemiológica dos casos
registrados são imprescindíveis para uma correta avaliação
quanto à magnitude do problema, comprovação ou não da existência
de transmissão e início precoce de atividades de controle,
seja através da imunização de suscetíveis ou através de
medidas específicas contra o vetor. A ocorrência na selva
de grande mortandade de macacos é sugestiva da circulação
do vírus amarílico na área, devendo este fato ser imediatamente
comunicado às autoridades locais de saúde para investigação
Conduta
Frente a Um Caso: a ocorrência de casos suspeitos de
FA requer imediata notificação e investigação de todos os
casos suspeitos, utilizando-se para isto a ficha de investigação
epidemiológica. Após a confirmação diagnóstica de um caso
de FA, providenciar imediatamente:
-
visita ao domicílio e peridomicílio dos casos suspeitos,
em busca de dados sobre o vetor e busca ativa de outros
casos no domicílio ou arredores;
- preenchimento
de ficha de investigação e coleta de material de outros
casos suspeitos, para envio imediato ao laboratório
de apoio;
- vacinação
antiamarílica de bloqueio, na área; e nas regiões onde
ocorrem casos de Febre Amarela, implantação de um serviço
de diagnóstico por viscerotomia, com finalidade de obtenção
de amostras de tecido hepático de pessoas, com enfermidades
febris, que evoluíram para óbito, após, no máximo, 10
dias de febre. O exame histopatológico pode confirmar
o diagnóstico em amostras hepáticas obtidas post-mortem.
Definição
de Caso Suspeito: todo paciente residente e/ou procedente
de área endêmica para Febre Amarela, com quadro clínico
sugestivo, e que, comprovadamente, não tenha sido vacinado
contra Febre Amarela.
Confirmado:
todo paciente residente e/ou procedente de área endêmica
para Febre Amarela, com quadro clínico compatível, que apresente
diagnóstico laboratorial confirmado através de:
- isolamento
do vírus a partir de amostras de sangue ou tecido hepático;
- conversão
sorológica (aumento de pelo menos 4 vezes no título
de anticorpos entre o soro coletado na fase aguda e
na fase de convalescência); e
- achado
de IgM específica em uma amostra sangüínea.
Febre Amarela
Silvestre - Casos confirmados e óbitos. Brasil -
1980 a 2000

| |
1980 |
1981 |
1982 |
1983 |
1984 |
1985 |
1986 |
1987 |
1988 |
1989 |
1990 |
| Óbitos |
22 |
21 |
21 |
6 |
28 |
5 |
8 |
14 |
14 |
3 |
1 |
| Casos |
25 |
22 |
24 |
6 |
45 |
7 |
9 |
16 |
26 |
9 |
2 |
| Fonte:
MS / FUNASA / CENEPI |
| |
1991 |
1992 |
1993 |
1994 |
1995 |
1996 |
1997 |
1998 |
1999 |
2000 |
| Óbitos |
8 |
7 |
19 |
6 |
2 |
13 |
3 |
7 |
6 |
40 |
| Casos |
15 |
12 |
83 |
19 |
4 |
15 |
3 |
34 |
76 |
85 |
| Fonte:
MS / FUNASA / CENEPI |
|
Medidas de Controle
Vacinação: é utilizada a vacina de vírus atenuado,
cepa 17D, cultivada em embrião de galinha, aplicada por
via subcutânea. Sua eficácia está em torno de 99%, formando
anticorpos protetores de 7 a 10 dias após a vacinação. O
Regulamento Sanitário Internacional exige a revacinação
após dez anos. A vacinação anti-amarílica pode ser aplicada
a partir dos seis meses de idade, devendo estar incluída
nos programas de vacinação em crianças residentes na área
endemo-epidêmica. As reações pós-vacinais mais freqüentes
são: dor local, cefaléia, mal estar, febre baixa. As contra-indicações
são: crianças menores de seis meses, gestantes, portadores
de processos infecciosos agudos, imunodeprimidos, pessoas
debilitadas, hipersensíveis a ovo de galinha e seus derivados.
A vacina está indicada para todas as pessoas, a partir de
6 meses de idade, que residam na área endemo-epidêmica ou
em centros urbanos com presença de Aedes aegypti.
Medidas
de Controle do Vetor: em relação ao vetor da FAS, não
existem medidas específicas para combatê-lo; em relação
ao Aedes aegypti, transmissor da FAU, as seguintes medidas
são recomendadas:
-
Medidas de controle mecânico: são aquelas
direcionadas aos recipientes com a eliminação daqueles
que podem ser dispensados, evitando-se com isto a manutenção
de criadouros favoráveis à proliferação do Aedes;
- Medidas
de controle químico: são aquelas dirigidas especificamente
contra o vetor, através do uso de larvicidas e/ou adulticidas;
dividem-se em:
- tratamento
focal: tratamento interno de recipientes, utilizando-se
o temefós, na formulação granulado a 1%; e
- tratamento
perifocal: aplicação de inseticida de ação residual
sobre as superfícies internas e externas de recipientes
e/ou superfícies verticais imediata aos recipientes,
estejam estas dentro ou fora das habitações.
Medidas
de Controle do Paciente: isolamento: nenhum. Em áreas
infestadas com Aedes, deve ser evitado o acesso de mosquitos
ao paciente durante os primeiros dias de infecção.
Medidas
em Caso de Epidemias: FAU: vacinação em massa, aplicação
de larvicidas e nebulização espacial, quando indicado. FAS:
Vacinação imediata das pessoas residentes ou que se desloquem
para a área acometida. Contactar o Instituto Evandro Chagas
(Pará), que pode desenvolver pesquisas científicas de natureza
eco-epidemiológica na vigilância de epidemias.
Situação atual da doença
A
febre amarela apresenta duas formas de expressão, a urbana
e a silvestre. A febre amarela urbana encontra-se erradicada
de nosso país desde 1942. A febre amarela silvestre não
é erradicável, porque a doença tem um importante ciclo natural
de circulação entre primatas das florestas tropicais.
A
febre amarela silvestre, mesmo apresentando em nosso país
um número de casos anuais inferiores à maioria dos países
que compartilham conosco a Bacia Amazônica (o Peru, por
exemplo, registrou 165 casos em 1998), continua sendo objeto
de atenção e de novas estratégias de vacinação, visando
proteger a população brasileira que vive nas áreas endêmicas
(Amazônia Legal e Centro-Oeste).
Desde
abril de 1998, lançada pelo Ministro da Saúde José Serra
em Mato Grosso, vem ocorrendo uma intensificação da vacina
antiamarílica na região endêmica, visando completar a cobertura
de todos os moradores. Essa intensificação, já em 1998,
conseguiu quadruplicar o número médio anual de vacinados
no país, atingindo 12 milhões de pessoas. Em 1999, além
da continuidade dessa ação, visando atingir as pessoas que
residem em áreas de difícil acesso, expandiu-se a vacinação
para as áreas contíguas à região endêmica, com o objetivo
de vacinar as populações do Triângulo Mineiro e das regiões
Norte e Noroeste de São Paulo e Paraná. No ano de 1999,
foram vacinadas 16 milhões de pessoas contra a febre amarela.
As
ações de vigilância epidemiológica também foram fortalecidas,
buscando o registro do número real de casos de Febre Amarela
que ocorrem, e a adoção de medidas de bloqueio, de forma
tempestiva. O surto verificado no Parque Nacional da Chapada
dos Veadeiros, em Alto Paraíso, Goiás, local que atraiu
cerca de 3 mil turistas nas festas do final do ano e o surto
ocorrido recentemente (2001) em Minas Gerais, reforçou a
necessidade de se garantir a proteção para um novo grupo
de risco, os praticantes do turismo ecológico ou rural.
O
Ministério da Saúde, em conjunto com órgãos de turismo e
transporte, realizou uma campanha de divulgação, para alertar
os viajantes que se dirigem às regiões endêmicas, da necessidade
de vacinação prévia, tendo sido também ampliado o acesso
à vacina para toda a rede de saúde. No ano de 2000 foram
vacinadas cerca de 21 milhões de pessoas. Novas ações de
intensificação da vigilância epidemiológica, inclusive sobre
a circulação do vírus entre os macacos das florestas brasileiras,
e de fortalecimento da vacinação de todos os viajantes para
as áreas endêmicas e de transição foram adotadas. Este ano,
foram registrados 32 casos da doença, sendo 31 em Minas
Gerais e um em Mato Grosso, com 16 óbitos. Até o mês de
março, foram vacinadas mais de quatro milhões de pessoas,
principalmente em Minas Gerais. Desde o dia 13 de março
não há registro de novos casos da doença.
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