Doenças diarréicas
agudas
Aspectos
Epidemiológicos
A diarréia, embora reconhecida como importante causa no
quadro da morbi-mortalidade do país, até o presente não
teve sua inclusão consolidada com sucesso no Sistema de
Vigilância Epidemiológica. As tentativas realizadas têm
sido pontuais, decorrendo do interesse de analisar algumas
características ou ocorrências isoladas. As dificuldades
em vigiar as doenças diarréicas decorrem, fundamentalmente,
de sua elevada incidência, da inobservância da obrigatoriedade
de notificação de surtos e da aceitação tanto de parte da
população leiga, quanto da maioria dos técnicos de que o
problema da diarréia é "normal" no Brasil.
Os
dados disponíveis permitem a afirmativa de que a diarréia
é responsável por uma elevada proporção de óbitos em menores
de 5 anos, e que sua maior prevalência se registra nas áreas
carentes de saneamento e onde há maior concentração de populações
de reduzida condição sócio-econômica. Essas constatações
não se aliam, porém, a um conhecimento da dinâmica dessas
doenças e não têm resultado em ações objetivas para a prevenção
ou controle. É premente a necessidade de se organizar um
sistema capaz de colher, registrar e analisar com suficiente
agilidade os dados referentes às doenças diarréicas. Para
que isto se torne viável em futuro próximo, estas ações
deverão ser simplificadas e descentralizadas, atendendo
aos interesses atuais de municipalização da Vigilância Epidemiológica.
A
diarréia é uma síndrome clínica de etiologia diversificada,
caracterizada por evacuações numerosas de fezes pastosas
ou aquosas. Com freqüência, é acompanhada de febre e vômitos.
Agente
Etiológico: há uma grande diversidade de agentes que
podem provocar a síndrome diarréica.
Suscetibilidade
e Imunidade: a suscetibilidade é geral, sendo maior
em crianças com menos de 5 anos. A infecção não confere
imunidade.
Distribuição,
Morbidade, Mortalidade e Letalidade: mesmo nas áreas
consideradas endêmicas, em certas épocas do ano ocorre tendência
de elevação da incidência das diarréias. Esse fato vincula-se
principalmente à elevação da temperatura média ambiental
e ao regime das chuvas, cuja conjugação favorece a proliferação
e transmissão de alguns agentes. Além desses, outros fatores
particulares à região devem ser considerados e pesquisados
quanto à possibilidade de modificar o comportamento das
diarréias, tais como: turismo, migrações, colheitas agrícolas,
etc. A distribuição da doença diarréica é universal. No
entanto, existe uma relação inversa entre sua incidência
e boas condições de saneamento e hábitos de higiene pessoal
e alimentar. Tal relação pode determinar diferentes comportamentos
da doença numa mesma área geográfica, explicando incidências
diferenciadas em populações situadas muito proximamente
no espaço, mas beneficiadas por diferentes níveis de melhorias
sanitárias ou de serviços promotores de desenvolvimento
social. Os indivíduos mais afetados são os menores de 5
anos, com maior incidência nos menores de 24 meses, nas
áreas mais carentes, e entre os de 24 a 48 meses, nas áreas
mais desenvolvidas.
Dentre
os fatores predisponentes citam-se o desmame precoce e a
desnutrição, sendo que essa última mantém uma relação de
causa e efeito recíproca com a diarréia. Nos adultos, costuma
ocorrer em surtos, geralmente por fonte comum. Por tratar-se
de uma doença que costuma ter sua importância subestimada
pela população, apenas parte dos casos, geralmente os mais
graves, busca atendimento nos serviços de saúde. Por outro
lado, não sendo obrigatória a notificação de casos isolados,
o conhecimento restringe-se ao número de casos internados
nos hospitais públicos e conveniados.
A
mortalidade infantil no Brasil, embora apresentando-se em
declínio, ainda tem nas doenças diarréicas uma importante
causa. Excetuando-se as causas mal definidas, as diarréias
ocupam sistematicamente o segundo ou terceiro lugar, superadas
pelas afecções do período perinatal e infecções respiratórias.
Considerando a qualidade do preenchimento das declarações
de óbito quanto à causa básica, e o sub-registro de nascimentos
e dos óbitos precoces, supõe-se que os valores estejam ainda
subestimados. A letalidade tem seu cálculo prejudicado pela
falta de um denominador exato. Esse indicador, no entanto,
precisa ser analisado com cuidado, pois uma elevada incidência
pode diluir a letalidade levando à conclusão equivocada
de uma situação controlada. É evidente que esses indicadores
devem ser analisados em conjunto e calculados para grupos
populacionais reduzidos (região, cidade, bairro, distrito).
Aspectos Clínicos
Descrição:
trata-se de uma síndrome de etiologia diversificada, que
tem como manifestação mais evidente aumento de número de
evacuações, com fezes aquosas ou de pouca consistência.
Com freqüência é acompanhada de vômito, febre e dor abdominal.
Em alguns casos há presença de muco e sangue. No geral,
é auto-limitada, com duração entre 2 e 14 dias. As formas
variam desde leves até graves. Nessas, a desidratação e
os distúrbios eletrolíticos determinam a maior letalidade,
principalmente quando associados à desnutrição prévia. De
acordo com o agente etiológico envolvido, algumas observações
podem ser feitas.
Bactérias:
as bactérias causadoras de doença diarréica aguda se utilizam
de dois mecanismos principais: o secretório, desencadeado
por toxinas, ou o invasivo, através da colonização e de
sua multiplicação na parede intestinal, provocando lesão
epitelial. Neste caso, pode ocorrer bacteremia ou septicemia.
Alguns agentes, como a Yersinia enterocolitica, podem produzir
toxinas e, ao mesmo tempo, produzir invasão e ulceração
do epitélio. As bactérias que mais comumente causam diarréias
em crianças são a Shigella, Salmonella e E. coli enteropatogênica.
Vírus:
produzem diarréia auto-limitada. As complicações decorrem
normalmente de um estado nutricional já comprometido. São
mais comuns como agentes em crianças desmamadas. Os rotavírus
estão em terceiro lugar em freqüência como causa de diarréia
na população brasileira. Parasitas: são habitantes comuns
do intestino de grande parte da população, em especial da
que vive em precárias condições higiênico-sanitárias. Pode-se
encontrar infecção por agentes isolados ou associados, e
a manifestação diarréica pode ser aguda, intermitente, ou
até não ocorrer.
Diagnóstico
Diferencial: a análise de casos isolados de diarréia,
no geral, não faculta o diagnóstico clínico conclusivo do
agente causal. A definição da etiologia, a rigor, só é feita
através de análises laboratoriais. Deve-se ressaltar que
grande número de casos de diarréia ocorre por causas bacterianas,
cujo isolamento do agente nem sempre é fácil. O êxito é
maior quando o material é colhido, precocemente, dos casos
mais graves, que se encontram hospitalizados e que , via
de regra, apresentam quadros clínicos mais explícitos e
característicos. Por outro lado, em surtos, após a descoberta
da via de transmissão e das fontes de contaminação, além
da caracterização clínica e identificação do agente etiológico
nos casos iniciais, pode-se fazer o diagnóstico pelo critério
clínico-epidemiológico. Esse critério evita a repetição
de exames laboratoriais excessivos, apenas confirmadores
do diagnóstico. No entanto, essa prática requer uma maior
atenção a todos os elementos clínicos e epidemiológicos
relevantes para a caracterização do caso.
Complicações:
as complicações mais freqüentes decorrem da desidratação
e do desequilíbrio eletrolítico, em conseqüência de uma
diarréia não tratada adequada e precocemente podendo, inclusive,
levar ao óbito. A médio e longo prazos, os episódios repetidos
podem decretar uma desnutrição crônica, com retardo do desenvolvimento
estato-ponderal e, até mesmo, da evolução intelectual.
Tratamento:
após a introdução do tratamento e prevenção da desidratação
com o uso dos Sais de Reidratação Oral (SRO), em 1984, a
terapêutica tornou-se bastante simplificada propiciando
resultados amplamente satisfatórios. Essa prática seguramente
foi definitiva para o declínio observado na mortalidade
por diarréia/desidratação. A determinação do esquema de
tratamento adequado independe do isolamento do agente etiológico,
já que o objetivo da terapêutica é reidratar ou evitar a
desidratação. Para prevenir a desidratação não é necessário
utilizar o esquema terapêutico rígido. Após a avaliação,
a conduta indicada (Manual de Assistência e Controle das
Doenças Diarréicas/MS) é a seguinte:
-
aumento da ingestão de líquidos como soro caseiro, sopas,
cozimentos e sucos;
-
após cada evacuação, a criança de até 12 meses deve
receber de 50 a 100 ml; e 100 a 200 ml para aquelas
acima de 12 meses;
- manter
a alimentação habitual, em especial o leite materno,
e corrigir eventuais erros alimentares;
- orientar
a família no reconhecimento de sinais de desidratação,
que implicarão na procura de serviço de saúde.
Quando
houver sinais de desidratação, é indicado:
- administrar
Soro de Reidratação Oral - SRO de acordo com a sede.
Inicialmente a criança deve receber de 50 a 100 ml/Kg,
no período de 4 a 6 horas;
- as
crianças amamentadas devem continuar recebendo leite
materno, junto com SRO. Outro tipo de alimentação deve
ser suspenso enquanto perdurarem os sinais de desidratação;
-
se o paciente vomitar, deve-se reduzir o volume e aumentar
a freqüência da administração;
- manter
a criança na unidade de saúde até a reidratação;
- o
uso de sonda nasogástrica-SNG é indicado apenas em casos
de perda de peso após as 2 primeiras horas de tratamento
oral, vômitos persistentes, distensão abdominal com
ruídos hidroaéreos presentes ou dificuldade de ingestão.
Nesses casos, administrar 20 a 30 ml/Kg/hora de SRO.
A
hidratação parenteral está indicada nos casos de:
-
alteração da consciência;
- vômitos
persistentes, mesmo com uso de sonda nasogástrica;
-
a criança não ganha ou perde peso com a hidratação por
SNG;
- íleo
paralítico.
A
solução recomendada na hidratação parenteral para desidratação
grave é:
- em
menores de 5 anos: solução 1:1 de soro glicosado
5% e soro fisiológico 0,9%, 100 ml/Kg em 2 horas, seguido
de solução 4:1 (100ml/Kg/24h) + sol. 1:1 (50ml/Kg/24h
+ Kcl 10%, 2 ml/100 ml de solução); e b.
- em
maiores de 5 anos: soro fisiológico 0,9%, 30
ml/Kg em 30 minutos, seguido de Ringer Lactato ou Solução
Polieletrolítica, 70 ml/Kg em 2 horas e 30 minutos.
Os antimicrobianos devem ser utilizados apenas na disenteria
e nos casos graves de cólera. Recomenda-se utilizar
Sulfametoxazol + Trimetoprima 50mg/Kg/dia, em 2 tomadas,
por 5 dias, nos casos de disenteria. Na cólera grave
a indicação é de Tetraciclina para maiores de 8 anos,
50 mg/Kg/dia divididos em 4 tomadas, por 3 dias.
- em
menores de 8 anos: usar Sulfametoxazol + Trimetoprima
50mg/Kg/dia, divididos em 2 tomadas, por 3 dias. Quando
há identificação de trofozoítos de Giardia lamblia ou
Entamoeba hystolitica, é recomendado o Metronidazol,
15 e 30 mg/Kg/dia, respectivamente, dividido em 3 doses
durante 5 dias.
Diagnóstico Laboratorial
Embora não seja necessário na rotina do tratamento das diarréias,
em situações especiais de surtos ou epidemias deve-se proceder
à identificação do agente etiológico objetivando não o tratamento
individual, mais sim o da fonte de infecção. Esse procedimento
baseia-se em exames parasitológicos de fezes, culturas,
bacteriologia e provas sorológicas. Muitas vezes, como parte
da investigação, na tentativa de identificar o agente e
a fonte de contaminação, é necessário o exame da água e
de alimentos suspeitos
Vigilância Epidemiológica
Notificação: considerada a magnitude das diarréias,
evidencia-se improdutiva a tentativa de manter sobre elas
uma vigilância que envolva a notificação de casos isolados
e a investigação constante de casos. A estratégia que se
apresenta mais viável é a de efetuar a medição contínua
da ocorrência das diarréias, em termos numéricos. Essa atividade
deverá ser desenvolvida em nível local, na área de abrangência
de cada unidade de saúde, ou daquelas eleitas como "sentinelas",
e corresponde à monitorização.
Investigação Epidemiológica: a investigação implica
no levantamento de todas as variáveis capazes de conduzir
à detecção da fonte de contaminação. Deve ser colhido material
para exame laboratorial, conforme citado anteriormente,
para que se isole o agente etiológico responsável , informações
e sua análise deverão ser capazes de indicar a fonte de
infecção que pode ser variada como pessoas, alimentos, fontes
de abastecimento de água, utensílios, animais domésticos,
entre outros.
Monitorização:
é uma expressão que corresponde à palavra "monitoring",
originária da língua inglesa. O significado que lhe foi
dado é de acompanhamento e avaliação. Na área da saúde,
os textos técnicos usam esta palavra com o significado de
controlar e, às vezes, ajustar programas e também observar
atentamente ou controlar com propósito especial. A monitorização
das doenças diarréicas deve ser entendida como um processo
de elaboração e análise de mensurações rotineiras capazes
de detectar alterações no ambiente ou na saúde da população
e que se expressem por mudanças na tendência das diarréias.
Ela pode conferir ao sistema de vigilância uma maior agilidade
quanto à tomada de decisões, seja para intervenção direta,
seja para o desencadeamento de processos mais apurados de
pesquisa e diagnóstico de situação.
Registro
dos Casos: de início, as unidades sentinelas deverão
contabilizar os casos de diarréia atendidos, por semana
epidemiológica, e registrar algumas informações, como: iniciais
ou nome, data do início dos sintomas, data do primeiro atendimento
relativo ao episódio atual, idade, procedência e tipo de
encaminhamento dado ao paciente em relação ao seu tratamento.
Estes dados devem ser consolidados, semanalmente, pelo nível
local, em formulários padronizados. Nesse nível já deve
ser feita uma primeira análise da situação das diarréias.
Paralelamente ao registro numérico dos casos, as unidades
de saúde serão instruídas a mapeá-los e a confeccionar gráficos
de acompanhamento.
Definição
da Área de Abrangência da Unidade de Saúde: por se tratar
de uma tentativa de melhorar a capacidade de análise e de
diagnóstico do nível local, é fundamental que cada unidade
tenha noção da sua área de abrangência real. Para tal, deverá
ser feito um levantamento da procedência dos pacientes que
compõem a demanda costumeira do serviço de saúde. Após esta
atividade, será identificada em um mapa a área que é atendida
por cada Unidade de Saúde. De posse desse dado, deve-se
buscar junto ao IBGE a população de cada setor censitário
contido na área definida como de abrangência e estimar a
população assistida pela unidade em questão. Dessa forma,
passa-se a conhecer em que áreas em particular podem estar
ocorrendo surtos ou casos repetidos intermitentemente, o
que é de extrema valia no processo de investigação ou busca
ativa de casos. As Unidades de Saúde devem ser estimuladas
a manter seu mapa atualizado quanto à localização dos casos
de diarréia atendidos. Esse mapa deve ser trocado ao final
de cada mês e guardado para comparação com registros anteriores
e posteriores, na tentativa de definir um padrão de doenças
diarréicas para aquela localidade em função do tempo e do
espaço.
Definição
de Caso: será considerado um caso de diarréia aguda
aquele em que o indivíduo apresentar fezes cuja consistência
revele aumento do conteúdo líquido (pastosas, aquosas),
com aumento do número de dejeções diárias e duração inferior
a 2 semanas.
Conduta
Frente a um Caso
-
Início imediato da reidratação oral após avaliação
inicial do paciente;
-
Encaminhamento para nível secundário ou terciário
se for um caso grave;
-
Preenchimento das fichas e planilhas padronizadas;
-
Avaliação da possibilidade de tratar-se de cólera
(ver capítulo
sobre Cólera);
- Coleta
de material para exame laboratorial nas situações
indicadas;
- Orientações
ao paciente ou familiares sobre a conduta a seguir.
Conduta
Frente a um Surto
Embora
de características endêmicas, a diarréia pode apresentar
casos relacionados entre si, seja quanto à clínica,
à distribuição espaço-temporal, ou à provável fonte
de infecção, que são capazes de caracterizar um surto.
Nessas circunstâncias, deve-se desencadear um processo
de investigação que permita colher as informações necessárias
à eleição de medidas de intervenção. Nesse processo,
o objetivo principal é caracterizar o agravo e definir
sua fonte de infecção, de modo a propor-se manobras
que interrompam a cadeia de transmissão. O sucesso dessa
tentativa vincula-se, na maioria das vezes, à precocidade
da detecção dos surtos e à agilidade da investigação.
A auto-limitação dos episódios, os curtos períodos de
incubação, a auto-medicação, a indisponibilidade de
amostras para exames, ou restrições da resolutividade
dos laboratórios são alguns dos fatores que prejudicam
as ações pretendidas.
Análise
dos Dados: no processo de monitorização a análise deve
ser feita para acompanhar a tendência das diarréias. A consolidação
semanal do total de casos, considerados segundo variáveis
medidas, deve facultar ao nível local a detecção precoce
de alterações no padrão das diarréias para aquela localidade.
É desejável que cada unidade monitorizadora seja capaz de
analisar constantemente os dados por ela colhidos. As mudanças
detectadas devem desencadear os processos de investigações,
ou estudos que darão subsídios a intervenções objetivas
e eficientes. No processo de investigação: uma vez desencadeado,
o processo passa por etapas que deverão levar à descoberta
da fonte de infecção, bem como identificar possíveis fatores
de risco e proteção a serem considerados no aconselhamento
quanto a medidas de controle. Nesse caso, os dados devem
ser analisados segundo sua distribuição semanal, anual,
geográfica e, também, quanto à faixa etária. Da mesma forma
a mortalidade e a letalidade devem ser estudadas, assim
como as taxas de internação e os resultados dos exames laboratoriais.
Outras informações podem ser consideradas no sentido de
ampliar a possibilidade de sucesso da análise, tais como:
absenteísmo escolar, atestados médicos pela causa (CID)
estudada, número de episódios internados/atendidos, reinternações,
consumo de SRO e de antidiarréicos
Medidas de Controle
Estas
medidas podem ser gerais, e passam pela melhoria da qualidade
da água, destino adequado de lixo e dejetos, controle de
vetores, higiene pessoal e alimentar. Tais orientações,
no entanto, são muito amplas e impossíveis de serem aplicadas
imediatamente em áreas extensas. Sabe-se que os processos
de implantação do saneamento básico e da mudança de algumas
condutas populares não parecem estar próximos de ocorrer
satisfatoriamente. Assim sendo, é necessário que os serviços
sejam capazes de orientar, em paralelo, algumas ações mais
específicas e menos onerosas, já que os recursos são sabidamente
escassos na área de saúde pública. Deve ser definida a prioridade
tanto em relação aos locais, quanto ao tipo de atividade
a ser desenvolvida. Essas propostas passam pela vigilância
mais apurada dos locais de uso coletivo, tais como colégios,
creches, hospitais, penitenciárias, que podem apresentar
riscos maximizados quando as condições sanitárias não são
adequadas, o que torna suas populações mais vulneráveis
às doenças transmissíveis. Outras populações específicas,
como os viajantes, também se apresentam com suscetibilidade
aumentada para a diarréia. Esses locais e populações devem
receber atenção especial, envolvendo inspeções sanitárias
e orientações sobre procedimentos de prevenção e controle
da circulação de enteropatógenos.
É
fundamental que se estimule o uso de água tratada através
de sistemas coletivos ou domiciliares, além de difundir
os procedimentos capazes de melhorar a qualidade dos alimentos
consumidos pela população. No caso de crianças de creches,
deve ser feito o isolamento daquelas que apresentem diarréia,
os cuidados entéricos devem ser intensificados, além de
reforçadas as orientações às manipuladoras e às mães. Considerando
a importância das causas alimentares na diarréia das crianças
menores, é fundamental o incentivo ao prolongamento do tempo
de aleitamento materno que é comprovadamente uma prática
que confere elevada proteção a este grupo populacional.
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