
Anemia falciforme
A
hemoglobina, encarregada do transporte de oxigênio dos pulmões
aos tecidos periféricos, é uma proteína responsável pela
pigmentação vermelha do sangue e compõe-se de quatro subunidades
ou cadeias (duas cadeias alfa e duas cadeias beta) e um
agrupamento não protéico denominado "heme". A troca de um
aminoácido, na cadeia beta, altera as propriedades químicas
da hemoglobina, que passa a ser conhecida como hemoglobulina
S (Hb S). Quando desoxigenada, a Hb S polimeriza e forma
longos bastonetes que alteram a forma das hemácias de bicôncavas
para falciformes (em formato de foice).
As
hemácias falciformes são inflexíveis. Sua forma estranha
e sua rigidez celular causam viscosidade sangüínea aumentada,
estase e obstrução mecânica das pequenas artérias e capilares.
O sangue não consegue circular facilmente através dos vasos
sangüíneos de pequeno calibre, por isso diminui significativamente
o suprimento de oxigênio para tecidos e órgãos. >> Anemia
hemolítica Em situação normal, as hemácias têm vida média
de 120 dias. Ora, os glóbulos vermelhos alterados só permanecem
de 10 a 20 dias no sistema sangüíneo. O resultado é um quadro
de anemia classificada como hemolítica (= anemia causada
pela destruição excessiva de eritrócitos), que debilita
o paciente. Este, em geral, mantém níveis de hemoglobina
em torno de 7 a 9 gramas por decilitro.
Sinais e sintomas
A
anemia falciforme provoca os mesmos sintomas da anemia comum,
porém causa problemas resultantes do bloqueio do fluxo de
sangue pelas hemácias alteradas:
- Fadiga
e respiração curta.
- Pele
pálida e unhas esbranquiçadas.
- Icterícia.
- Crescimento
lento.
- Atraso
da puberdade.
- Agravamento
de infecções.
- Problemas
osteoarticulares.
- Problemas
oculares.
- Problemas
cardiovasculares, como insuficiência cardíaca congestiva.
- Problemas
pulmonares, como infarto pulmonar.
- Problemas
renais, como perda de proteína na urina e insuficiência
renal crônica.
Quadros
de infecção ou desidratação podem favorecer o que se chama
"crise vaso-oclusiva", geralmente acompanhada de muita dor.
Diagnóstico
É realizado por meio de eletroforese da hemoglobina.
Tratamento
Até o momento, não existem medicamentos que tratem eficientemente
a anemia falciforme. Os tratamentos disponíveis, hoje, têm
como objetivo acompanhar as condições do paciente, prevenindo
complicações e diminuindo as lesões dos órgãos-alvo da doença.
Episódios dolorosos podem ser tratados com analgésicos,
líquidos e oxigênio. Suplementação diária de ácido fólico
e início precoce de antibióticos, quando há febre, têm sido
condutas comuns. Resultados satisfatórios têm sido obtidos
com a administração de hidroxiuréia, um agente quimioterápico
utilizado no tratamento de alguns tumores.
Raças mais propensas à doença
A
anemia falciforme é encontrada em pessoas oriundas de algumas
regiões da África, Arábia Saudita, Índia e regiões do Mediterrâneo.
Indivíduos da América do Sul, América Central ou Estados
Unidos da América cujos ancestrais eram dessas regiões também
podem ser portadores da doença.
A hereditariedade
A
anemia falciforme é uma doença hereditária. Para que se
manifeste, é necessário que o filho tenha herdado um gene
da doença de cada um dos pais. Quando herda apenas o gene
do pai ou da mãe, torna-se portador do "traço" falciforme,
isto é não apresenta sinais da anemia, mas pode transmitir
esse gene aos seus filhos. Diante disso, quando existe algum
caso de anemia falciforme na família, é necessário que o
casal procure um especialista em aconselhamento genético,
com o objetivo de avaliar possíveis riscos. Exames de sangue
permitem determinar se há perigo e são úteis para auxiliar
na decisão a ser tomada. Após a concepção, a doença pode
ser diagnosticada, no bebê, por amniocentese, no segundo
trimestre da gestação.
O pediatra
Uma vez que se trata de doença hereditária, o pediatra deve
pedir um exame especial de sangue (eletroforese de hemoglobina)
sempre que um bebê nascer em família de risco. Se a criança
não foi examinada, a síndrome do pé e da mão (conseqüência
da vaso-oclusão nesses locais) pode ser o primeiro sinal.
Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
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