Tipos
e descrições de vacinas
Vacina BCG
Preparada com
bacilos vivos provenientes de cepas atenuadas de Mycobacterium
bovis. Deve ser administrada com seringas e agulhas apropriadas,
em região intradérmica, na porção
da inserção inferior do músculo deltóide,
preferencialmente, no braço direito, o mais precocemente
possível, a partir do nascimento, embora pessoas
de qualquer idade possam ser vacinadas. Contra-indicada
para indivíduos portadores de imunodeficiências
congênitas e adquiridas, incluindo-se pacientes em
terapia imunosupressora. Grávidas também são
devem ser vacinadas, bem como crianças com peso inferior
a 2.000g. Pacientes doentes com Sida não devem receber
esta vacina, porém, crianças portadoras do
vírus da imunodeficiência adquirida, com contagem
de CD4 superior a 500, sem sinais de infecção
ativa, podem recebe-la. Portadores de doenças graves,
neoplasias malignas, com infecções ou queimaduras
extensas em pele, bem como convalescentes de sarampo também
compõem o grupo de pessoas que não podem ser
imunizadas com o BCG. Não recomendamos a revacinação
rotineira dos indivíduos, entre os 6 e 10 anos, embora
tal esquema seja o recomendado pelo Ministério da
Saúde, em nosso país.
Vacina contra hepatite
B
Vacina produzida
por engenharia genética com técnica de DNA
recombinante, contendo antígeno de superfície
do vírus da hepatite C (HbsAg). Deve ser administrada
o mais precocemente possível, a partir do nascimento,
por via intramuscular profunda, seguida por outras duas
doses, um e seis meses após a primeira. Os adultos
devem também receber três doses, respeitando-se
os mesmos intervalos, embora, nestes casos, vimos indicando
a vacina conjugada, contra as hepatites A e B, seguindo
o mesmo esquema já proposto. Discute-se a necessidade
de reforços a cada 5 - 10 anos e a confirmação
da resposta imunitária pode ser feita através
de dosagem de anti-HBs que se positiva após a adequada
imunização. Esta vacina não deve ser
administrada na região glútea, devendo ser
utilizado o casto lateral da coxa em crianças menores
de dois anos em nos demais indivíduos, o deltóide.
Nos recém-nascidos
de mães HbsAg positivas, além da administração
da vacina, deve ser realizada a imunização
passiva, nas primeiras 12 horas de vida, com imunoglubulina
humana específica (0,5ml).
Devido à
sua comprovada eficácia, mínimos efeitos colaterais
e ausência de contra-indicações (só
não deve ser administrada a indivíduos sabidamente
alérgicos a um dos componentes da vacina) tem, em
nosso entendimento, indicação universal.
Vacina contra Poliomielite
Duas vacinas,
com formas de administração diferentes (oral
e intramuscular), estão disponíveis para a
prevenção da poliomielite. A vacina de administração
oral, Sabin, utilizada freqüentemente e, nosso país,
é constituída de vírus vivos atenuados.
É trivalente, contendo cepas dos poliovírus
I e II e III, e traz como benefícios induzir a produção
de IgA secretória e a imunização indireta
de outros indivíduos, através da disseminação
de vírus atenuados, a partir do vacinado. A vacina
Salk, de administração intramuscular, de vírus
mortos, tem sido a de escolha na imunização
da maioria dos países desenvolvidos, onde há
muito, não existem casos de paralisia causados por
vírus selvagens da poliomielite. Ao nosso ver, também
é a vacina atualmente indicada na prevenção
da poliomielite no Brasil, pois há vários
anos não são descritos casos de poliomielite
, sendo os casos de paralisia relacionados a efeitos adversos
da vacina oral.
O esquema
proposto segue a mesma seqüência de doses da
vacina oral, não incorrendo na necessidade do desenvolvimento
de novos esquemas vacinais. Tem como fator desfavorável,
o de ser mais uma aplicação injetável,
fato desagradável não só aos que a
recebem, mas também aos pais que vacinam seus pequenos
filhos. Contudo, apresentações combinadas
de vacinas injetáveis, que trazem em uma mesma apresentação,
a Salk associada à DPT (ou DPT acelular) e à
vacina contra a Haemophilus influenzae já são
uma realidade. Ainda, a combinação dos três
componentes citados combinados à vacina contra a
hepatite B brevemente estará disponível para
a administração rotineira em nosso meio. Formas
mistas de administração, utilizando algumas
doses da Salk, acrescidas da administração
de dose(s) de Sabin, têm sido indicadas por alguns
profissionais.
Quanto às
contra-indicações, basicamente se restringem
às gerais de todos os compostos vacinais, devendo-se
evitar a administração da vacina oral nos
casos de diarréia ou vômitos. Embora não
seja obrigatório o jejum, para a administração
das doses orais da vacina, acabamos por recomenda-lo, no
intuito de diminuir os riscos de regurgitação
ou vômito, que podem levar à perda da dose
administrada. Não há contra-indicação
da Sabin dentre os pacientes com Sida, embora, deva se dar
preferência, nestes casos, à administração
de Salk.
Vacina tríplice
(DPT)
Associação
dos toxóides tetânico e diftérico a
Bordetella pertussis inativada. Aplicação
intramuscular profunda, de preferência na região
glútea, embora a do vasto lateral da coxa, ou após
os dois anos de idade a do deltóide, possam ser utilizadas.
Pela menor incidência de efeitos colaterais, apresentando
a mesma resposta antigênica da DPT, temos indicado
a administração rotineira, a nossos pacientes,
da vacina tríplice acelular (DPT acel), seguindo
os mesmos esquemas de administração da vacina
convencional. Estas vacinas não devem ser administradas
em crianças maiores de 6 anos e 11 meses, pelo risco
de reação adversa ao componente pertussis.
A DPT tem como
contra-indicações específicas, além
das gerais a qualquer composto vacinal:
- Crise convulsivas que se apresentem
em até 72 horas após a administração
da vacina;
- Choque ou síndrome
hipotônico-hiporresponsiva que se apresente em até
48 horas após a administração da vacina;
- Encefalopatia que se apresente
em até sete dias após a administração
da vacina.
Embora a DPT
acel possa ser indicada, em substituição à
tríplice convencional, quando ocorram convulsões
após administração desta, preferimos
a utilização da dupla (infantil ou adulta).
Já nos casos de elevação acentuada
da temperatura, embora, não exista indicação
formal da troca da DPT pela acelular, em nossa prática
diária, temos indicado a descontinuação
com o esquema anterior utilizado pelo paciente e proposto
a continuação com o composto acelular. O desenvolvimento
de reação anafilática contra-indica
uma nova administração de qualquer dos componentes
vacinais, conjunta ou isoladamente, ao indivíduo.
Vacinas duplas infantil
(DT) e adulta (dT)
A DT contém
a mesma quantidade de toxóides diftérico e
tetânico encontrada na DPT. A dT, embora igual em
relação ao componente tetânico, apresenta
menor quantidade de toxóide diftérico. A dupla
infantil está indicada para crianças menores
de 7 anos que não possam receber a imunização
anti-pertussis, enquanto a dupla adulta a todos os indivíduos
acima dessa faixa etária, devendo ser utilizada rotineiramente
em doses que se repitam a cada 10 anos. Ressaltamos que
não se deve dar preferência a monovacina antitetânica,
em detrimento às vacinas duplas (DT e dT), mesmo
na gravidez (dT).
Vacina contra Haemophilus
influenzae tipo b (Hib)
Esta vacina
é producida com proteínas advindas da cápsula
da bactéria, não trazendo proteção
contra as demais Haemophilus, encapsulados ou não.
A sua indicação se restringe a crianças
menores de cinco anos ou, ainda, a indivíduos acima
dessa faixa etária que apresentem graves deficiências
imunitárias ou sejam esplenectomizados. Os preparados
atualmente existentes são conjugados aos toxóides
diftérico ou tetânico, ou a proteínas
da cápsula do meningococo, variando os esquemas de
administração em acordo ao produto utilizado
(duas ou três doses dos 15 meses, quando se faz o
reforço). São várias as apresentações
comerciais em que encontramos a associação
desta vacina à tríplice e , também,
à Salk, possibilitando a administração
dos diversos compostos através de uma única
injeção.
Vacina contra o sarampo
Preparada com
vírus vivos atenuados, deve ser administrada por
via subcutânea, podendo induzir a soroconversão
em 97% dos vacinados que não tenham anticorpos circulantes
contra a moléstia. Como algumas crianças detêm
anticorpos maternos até os 15 meses de idade, apregoa-se
um reforço, através da vacina tríplice
viral, nesta idade. Ainda está indicada no controle
de contágio de pessoas suscetíveis, em até
72 horas após o contato e às crianças
entre 4 e 10 anos, como reforço.
As reações
secundárias podem ocorrer em até 20% dos vacinados
e constam de febre, coriza, tosse e, às vezes, desenvolvimento
de discreto exantema entre o 4 º e 12 º dia pós-vacinal.
Tem como contra-indicações aquelas comuns
a todos os compostos de vírus vivos e reações
alérgicas graves relacionadas a ingestão de
ovo.
Vacina contra o sarampo,
caxumba e rubéola
Vacina combinada
de vírus atenuados contra as três moléstias.
Pode ser utilizada a partir de 12 meses de idade, em dose
única, embora, indiquemos uma segunda dose, a partir
da adolescência. A aplicação é
subcutânea, tendo as mesmas contra-indicações
da vacina contra o sarampo, ressaltando-se que mulheres
em idade fértil vacinadas com esta vacina (ou com
a monovalente contra o sarampo) devem evitar a gravidez
durante os 30-90 dias seguintes à imunização.
Reações como dores articulares, artrites e
adenomegalias podem ocorrer, principalmente em adultos,
entre a segunda e oitava semana pós-vacinal, em resposta
ao componente anti-rubéola. Parotidite pós-vacinal,
raramente, pode ocorrer.
Vacina contra varicela
Desenvolvida
a partir de 1974 é preparada com vírus vivos
advindos da cepa OKA, está indicada a partir dos
12 meses de idade, em dose única (subcutânea)
se aplicada até os 13 anos. Caso a administração
se dê após esta idade, deve ser realizada em
duas aplicações iguais e seqüenciais
em um mês. Consideramos que devido à sua alta
resposta imunogênica, associada aos poucos efeitos
colaterais, deva ser administrada rotineiramente a todos
os indivíduos suscetíveis. No caso de contato
com indivíduo doente, deve ser administrada nas primeiras
72 horas, nos pacientes não imunes, para tentar-se
evitar a transmissão do vírus selvagem.
Em breve deverá
estar disponível a apresentação quádrupla,
isto é, que contenha a apresentação
contra os vírus da varicela, sarampo, caxumba e rubéola.
Vacina contra a febre
amarela
Produzida com
vírus vivos atenuados. Pode ser administrada (subcutânea)
a partir dos seis meses de idade em habitantes de áreas
endêmicas da doença, ou também, aos
viajantes que se dirigirem a essas regiões (imunidade
adquirida após o décimo dia do ato vacinal).
Outro assim, em casos de epidemias, devemos considerar a
possibilidade de utilização do composto vacinal
em crianças menores de seis meses. Reforços
devem ser realizados a cada 10 anos. Tem como contra-indicação,
além das contra-indicações gerais às
vacinas de vírus vivos, dentre as quais a gravidez,
antecedentes de reação alérgica grave
a ovo.
Vacina hepatite A
Produto que
contém antígenos virais obtidos de culturas
de fibroblastos de indivíduos infectados pelo vírus
selvagem.
O esquema vacinal
é recomendado a partir dos 12 meses de idade e, caso
a pessoa não tenha recebido a imunização
prévia contra a hepatite B, recomendamos, a partir
dessa idade, a aplicação de compostos combinados
contra as hepatites A e B. devido à facilidade de
transmissão desta doença viral, principalmente,
em regiões com inadequada condição
sanitária e de rede de esgotos, além das complicações
que podem decorrer da moléstia, bem como ao alto
poder imunogênico do composto vacinal, acreditamos
que a sua indicação deva ser universal.
Esquemas de
imunização com compostos que requeiram três
doses têm sido preteridos em relação
àqueles de duas doses, visto que, conduzem a respostas
imunitárias semelhantes, com a vantagem de se evitar
uma nova visita aos centros de vacinação,
além do incômodo de uma nova injeção.
Deve ser administrada nos mesmos sítios de aplicação
da vacina contra a hepatite B, sendo discutível a
necessidade de reforços.
Ressaltamos
que esta vacina pode - e deve - ser aplicada a indivíduos
imunocomprometidos, sem maior risco de efeitos adversos.
Estes efeitos, infrequentes, restringem-se à dor
local, à febre e, às vezes, à cefaléia.
Vacina contra Streptococcus
pneumoniae
A vacina atualmente
disponível contém polissacarídeo capsular
purificado de 23 sorotipos de Streptococcus pneumoniae,
sorotipos esses que estão envolvidos com a grande
maioria das doenças clínicas em humanos, pode
ser aplicada por via intramuscular (preferencial) ou subcutânea,
a parir dos dois anos de idade, sendo indicada a todos os
indivíduos que tenham diminuição de
resposta imunitária a agentes encapsulados, aos portadores
de fístulas liquóricas, às pessoas
com insuficiência renal crônica e às
que desenvolvem pneumonias de repetição, bem
como portadores de pneumopatias e doença cardiovascular
crônica. Recomenda-se a vacinação rotineira
de todos os indivíduos acima dos 65 anos, mesmo que
sadios (em nossa experiência temos indicado a partir
dos 60 anos), com revacinação, em todos os
casos, a cada cinco anos.
Vacina contra gripe
Produzida anualmente
utilizando-se as cepas virais relacionadas às epidemias
da doença do período imediatamente anterior
à sua fabricação, através da
separação dos vírus coletados em vários
laboratórios dispersos no mundo, muitos aqui no Brasil.
Essas vacinas, de vírus inativados, podem ser administradas
a partir dos seis meses de idade, sendo necessário
às crianças menores de seis anos, que a recebem
pela primeira vez, a administração de duas
doses (com aplicação de metade da dose em
cada uma das aplicações).
Embora sua
eficácia se situe entre 80% e 85%, temos recomendado
a sua aplicação a todas as crianças
com risco de disseminação da doença,
àqueles portadores de infecções de
vias aéreas de repetição, de moléstias
cardiovasculares e pulmonares crônicas (inclusive
asma). Em relação aos adultos, pela grande
experiência adquirida com a vacinação
empresarial, com importante redução das faltas
ao trabalho, temos recomendado a vacinação
anual e rotineira de todos os indivíduos, considerando-se,
também o benefício social advindo da prevenção
da moléstia.
A aplicação,
intramuscular, pode levar à dor local e, mais raramente,
à febre e discreta mialgia. Importante informar aos
indivíduos vacinados qual a imunidade adquirida pós-vacinal
se apresenta após a segunda semana do ato e, caso
o paciente venha a contrair gripe nesse período,
não se deve à falha vacinal ou à transmissão
da doença pela vacina, absurdo que alguns desinformados
teimam em espalhar. As contra-indicações se
restringem a reações alérgicas a um
dos componentes vacinais, às proteínas do
ovo e ao timerosal. A gravidez deve ser avaliada em cada
caso, não se constituindo em contra-indicação
absoluta da administração.
Ref: Revista
Jovem Médico - páginas 248. 249, 250 e
251 de 04/00
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