Imunização
para viajantes
Difteria-tétano
Esta é
uma vacina de recomendação universal e, portanto,
sua indicação não é alterada
quando o indivíduo viaja. Partimos da tese que todos
os indivíduos, de crianças e adultos, têm
de estar com esta vacina em situação regular.
As crianças
recebem esta vacina associada à vacina da coqueluche
(onde houver possibilidade e disponibilidade, utilizar a
DPT acelular) aos 2, 4, 6, 15 meses e 5 anos de idade, no
calendário infantil de vacinação. Crianças
de 6 a 10 anos recebem a vacina Dupla Infantil quando necessário.
Adultos recebem a vacina Dupla tipo Adulto. O esquema é
de 3 doses se fizer mais de 10 anos que o paciente adulto
recebeu o último reforço desta vacina. Caso
contrário, uma dose só é suficiente.
Vale a pena
lembrar que, apesar da vacina DPT ser usada há várias
décadas, a presença de anticorpos séricos
contra estas doenças em adultos é baixa, por
isto, todos os viajantes devem ter sua vacina atualizada.
Varicela
Dispomos, hoje
em dia, de vacinas muito eficazes para a varicela, no entanto,
como a maioria da população adulta já
teve contato com o vírus na infância e, a incidência
da doença não varia muito entre os vários
países, não há recomendações
especiais em relação à varicela e viagens.
Crianças recebem esta vacina em dose única
a partir de 12 meses. Adultos jovens que vão estudar
no exterior e, têm a possibilidade de entrar em contato
com o vírus, podem receber a vacina em esquema de
2 doses com intervalo de 30-40 dias.
Sarampo/Caxumba/Rubéola
Atualmente
as crianças recebem esta vacina de rotina mas, como
isto não ocorria há 20 anos atrás,
muitos adultos não tiveram ou não foram vacinados
contra estas doenças virais. Recomenda-se esta vacina
para todo viajante, menor de 35 anos, que se encaixe na
situação anterior, principalmente adolescentes
e adultos jovens que vão fazer programas de intercâmbio
ou cursar escolas no exterior, já que aglomerações
e ambientes fechados facilitam a propagação
destas viroses. Em alguns locais da África e até
mesmo na Europa Ocidental, ainda ocorrem surtos de sarampo.
O esquema vacinal
é de duas doses com intervalo de 30 dias entre as
mesmas. Se o viajante já recebeu uma dose desta vacina
anteriormente, um reforço só é suficiente
já que a recomendação geral é
de duas doses da SCR após 1 ano de idade.
Poliomielite
A poliomielite
está erradicada na maioria dos países do mundo
e, por tanto, raramente recomenda-se esta vacina para viajantes.
Na eventualidade do local a ser visitado ainda ter casos
de doença (África, China) e a permanência
ser extensa, recomenda-se um reforço da vacina, de
preferência utilizando-se vacina do tipo Salk (poliovírus
inativados).
BCG
A vacina BCG
não costuma ser recomendada aos viajantes adultos,
apesar da tuberculose ser altamente prevalente em regiões
como a Ásia, América Central e América
do Sul. Isto porque, a vacina BCG de que dispomos atualmente
tem um papel reduzido no controle da infecção.
Para crianças até 10 anos, a vacina é
indicada se houver risco de exposição e se
o PPD for negativo.
Vacinas
de uso restrito para viajantes
Encefalite
japonesa
A doença
é uma virose causada por um vírus RNA da família
Flaviridae e o vetor é um mosquito do gênero
Culex. A encefalite japonesa é uma doença
de zona rural, endêmica em regiões da China,
Japão, Coréia, Taiwan, Nepal, Índia,
Filipinas e Indonésia. Em alguns locais já
ocorreram surtos urbanos, mas as plantações
de arroz continuam a ser as áreas prevalentes na
incidência da doença que, aliás, é
predominantemente infantil, se bem que os adultos também
possam adoecer.
A vacina ainda
desperta pouco interesse aqui no Brasil, porém, como
os turistas têm procurado cada vez mais locais exóticos
como Bali e Taiwan, é interessante que se saibam
as principais indicações da vacina contra
a encefalite japonesa.
O CDC (Centers
for Disease Control) dos EUA recomenda esta vacina apenas
para viajantes que vão a trabalho ou em visitas extensas,
que durem mais de quatro semanas, para zonas rurais das
regiões já citadas, em época de transmissão
elevada da doença. Esta época coincide com
a temporada de chuvas de cada região, entre o verão
e o outono. O risco de aquisição da doença
é baixo na grande maioria dos casos em que a viagem
é curta ou limitada às cidades, não
se recomendando então a vacinação.
Existem atualmente
3 tipos de vacinas, porém só está disponível
comercialmente Dora da China. Essa é uma vacina liofilizada
para uso subcutâneo, contendo vírus inativado
pela formalina. O esquema ideal é de 3 doses administradas
ao longo de 30 dias (0,7 e 30 dias). A dose para adultos
é de 1 ml e para crianças de 1 a 3 anos, 0,5
ml. Não se vacinam menores de 1 ano. A eficácia
se situa em torno de 85%. Encontramos efeitos colaterais
em até 20% dos casos (efeitos locais, sistêmicos
e, raramente, alérgicos).
Cólera
Cólera
é uma doença diarréica causada pelo
vibrião colérico e transmitida através
da ingestão de água e alimentos contaminados,
especialmente frutos do mar.
As vacinas
antigas feitas de bactérias inativadas com eficácia
em torno de 50% e imunidade por 6 meses, não são
nem mais exigidas ou indicadas. Existem atualmente no mercado
internacional duas vacinas de uso oral, uma contendo cepa
mutante atenuada e a outra inativada. Estas vacinas ainda
não foram suficientemente usadas para terem seu uso
recomendado. Ambas parecem ser bastantes eficazes.
O genoma da
bactéria foi mapeado recentemente e com certeza,
isto irá ajudar na elaboração de novas
vacinas para a prevenção da cólera.
Doenças
de viajantes ainda sem vacinas
- Dengue
- Hepatite C
- Hepatite E
- HIV
- Malária
Algumas das
doenças bastante freqüentes em viajantes como
malária e dengue ainda não dispõem
de vacinas de uso comercial. Neste caso, as medidas preventivas
têm um papel muito importante.
Como a quimioprofilaxia
não é o objetivo deste artigo, consulte os
sites selecionados para saber mais sobre o tema.
Vacinação
de crianças
A maioria das
crianças nascidas em países industrializados
já recebe proteção contra várias
doenças infecciosas na imunização de
rotina. O calendário vacinal normalmente está
completo por volta dos 18 meses e, se uma criança
for viajar antes desta idade, podemos considerar o adiantamento
de alguns reforços, como, por exemplo, a vacina tríplice
viral (SCR) que pode ser feita a partir de 12 meses. No
máximo, isto fará com que seja necessária
mais uma dose da vacina administrada, para assegurar proteção
maior e por um período de tempo mais longo.
Entre as vacinas
mais usadas para viajantes e que não são dadas
de rotina para as crianças, estão a febre
amarela e a febre tifóide. Nesses casos, o bom sendo
deve predominar, de preferência respeitando-se os
limites de idade para administração das mesmas,
a não ser que o risco de contrair a infecção
seja muito grande.
Vacinação
de mulheres grávidas
Em relação
a mulheres grávidas, a regra é que se evitem
vacinas de vírus vivo atenuado como a varíola
e SCR (sarampo/caxumba/rubéola). Algumas vacinas
deste tipo como a Sabin e a vacina contra a febre amarela,
podem ser utilizadas quando a possibilidade de exposição
materna é muito alta e o risco teórico de
infecção do feto seja muito menor que o da
mãe.
Quanto às
outras vacinas, não há maiores problemas em
sua administração, desde que feitas após
o segundo trimestre de gestação. Algumas são
até particularmente indicadas como a vacina dupla
adulto e a vacina contra hepatite B, se bem que a sua indicação
não se altere com o estado de viajante.
Vacinação
de indivíduos imunodeprimidos
A população
de pessoas com imunodepressão vem aumentando gradativamente
nos últimos anos graças à melhora de
tratamento e condições gerais de vida. Isto
fez com que a vacinação de imunodeprimidos,
antes praticamente desconhecida, tomasse um capítulo
importante em qualquer tratado sobre imunizações.
Ainda mais, estes indivíduos são muito suscetíveis
às infecções virais e bacterianas de
modo que a prevenção das mesmas através
de vacinas, é imprescindível, principalmente
em épocas de viagens onde o risco de exposição
aumenta.
Hoje em dia,
indica-se a vacinação destes pacientes com
a utilização de vacinas inativadas e toxóides
(vacina dupla, tipo Salk, meningocócica A/C, influenzae,
hepatite B, etc.). As vacinas de microorganismos vivos ou
atenuados (BCG, varicela, febre amarela, vacina oral contra
febre tifóide, etc.) devem ser evitadas de maneira
geral. Obviamente, cada caso em particular deverá
ser avaliado.
É importante
lembrar que a resposta sorológica de pacientes imunodeprimidos
é menor que a média esperada e, por isso,
doses de reforço extra podem ser necessárias.
Ref: Revista
Jovem Médico - páginas 224 e 225 de 00/04.
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