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Febre Amarela

É uma doença infecciosa febril aguda transmitida pela picada de mosquitos contaminados por um flavivírus, que ocorre na América Central, América do Sul, África e Ásia tropical, de notificação compulsória internacional, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. A infecção não se transmite diretamente de pessoa-a-pessoa, sendo necessária a picada de mosquitos infectados, que nas áreas silvestres são do gênero Haemagogus e nas áreas urbanas são os mesmos mosquitos transmissores do Dengue, ou seja, o Aedes aegypti. Os reservatórios silvestres do vírus são macacos, sagüis e possivelmente marsupiais. Por este motivo, que as epidemias de Dengue sempre incluem um risco potencial de epidemia de Febre Amarela, visto serem os mesmos vetores.

Historicamente, os primeiros casos relatados no Brasil ocorreram no século XVII, com surtos em Olinda, Recife, Pernambuco e posteriormente Salvador. Mas, apenas em 1849 a epidemia atingiu a capital do Império, o Rio de Janeiro, onde grassavam outras tantas moléstias infecciosas pelas precárias condições sanitárias. Somente no início do século XX, que o grande sanitarista brasileiro, Dr. Oswaldo Cruz, através da “Brigada Mata-Mosquitos” para extermínio dos mosquitos transmissores da Febre Amarela conseguiu erradicar a epidemia na cidade. Os últimos casos de Febre Amarela Urbana registrados no Brasil ocorreram em 1942, em Sena Madureira, no Acre.

Contudo, como Brasil possui a mais extensa área de Febre Amarela Silvestre do mundo, compreendendo toda a região Amazônica, Norte e Centro-Oeste, sempre há a preocupação quando ao risco de ressurgimento de casos urbanos da moléstia, o que demanda ininterrupta vigilância epidemiológica.

Atualmente, inclusive, a Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) de febre amarela, que se iniciou em março de 2009 no Estado de São Paulo, registrou até a data de 31 de março de 2009, um total de vinte e nove notificações de casos suspeitos de febre amarela silvestre (FAS). Destes, dezoito casos foram confirmados, sendo dez com evolução para a cura e oito para o óbito (letalidade 44,4%). Os locais prováveis de infecção (LPI) foram: divisa de Itatinga com Avaré, com três casos confirmados com provável exposição durante atividade profissional no meio rural, seis casos confirmados no município de Sarutaiá, provavelmente durante atividade de lazer, e outros nove casos confirmados no município de Piraju, relacionados à atividade de lazer e trabalho em área rural. Conseqüentemente, as medidas de vigilância epidemiológica contra a Febre Amarela em todo o estado estão intensificadas com o objetivo de detectar precocemente a circulação viral, reduzir a incidência de Febre Amarela Silvestre e impedir a transmissão urbana.

O quadro clínico típico tem evolução bifásica, com inicio súbito de febre alta, pulso desproporcionalmente baixo (sinal de Faget) calafrios, cefaléia intensa, mialgias, prostração, náuseas e vômitos, durando cerca de três dias, após os quais ocorre remissão espontânea dos sintomas, que pode durar de algumas horas a no máximo dois dias. O caso pode então evoluir para a cura ou para a forma grave da doença, caracterizada pelo ressurgimento de febre alta, diarréia, vômitos em borra de café, insuficiência renal e hepática, com icterícia e manifestações hemorrágicas, rebaixamento do nível de consciência e óbito.

Não existe tratamento específico para a doença, apenas suporte clínico.

A mais importante e eficaz medida de prevenção é a vacina, que ser aplicada em dose única, com reforços a cada dez anos, conferindo proteção próxima a 100%. Deve ser administrada a partir dos nove meses de idade nas zonas endêmicas, de transição e de risco potencial, bem como para pessoas que se deslocam para estas áreas. Em situação de surto ou epidemia, vacinar a partir dos seis meses de idade. Vacinar no mínimo dez dias antes da viagem para áreas de risco. Contra-indicações da vacina: 1) Imunodeficiência congênita ou adquirida; 2) História de reação anafilática a ovos e derivados; 3) Gestação. Contudo avaliar individualmente risco versus benefício para indivíduos que obrigatoriamente se expuserem a regiões de risco.

Em todo o mundo, as autoridades de Vigilância Sanitária de portos, aeroportos e passagens de fronteiras exigem o certificado internacional de vacinação contra Febre Amarela com pelo menos dez anos da última dose aplicada, para viajantes procedentes de países ou áreas endêmicas da doença.

Fonte:
Prof. Dr. Vicente Amato Neto
Diretor Clínico da Amato Neto Infectologia e Clínica Médica


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