Mapeamento
do genoma humano: Você sabe o que isto significa?
Prof. Dr. Savio L.C.Woo
Agora
que os cientistas completaram o mapeamento inicial do genoma
humano, nós podemos aguardar o surgimento de inúmeros
testes para calcular o risco de desenvolvimento de doenças
genéticas de um indivíduo. O rastreamento
genético já se encontra disponível
para o câncer de mama, a doença de Huntington,
e outras doenças. Tendo em vista que os cientistas
acreditam que a maioria das doenças têm um
componente hereditário, os resultados de um teste
genético podem ter impacto significativo sobre a
vida de outras pessoas.
Entretanto,
para muitas doenças a genética não
é tudo. A causa de uma doença pode não
estar totalmente ligada aos genes, podendo ser influenciada
por fatores ambientais e comportamentais. Algumas das doenças
fatais mais comuns e doenças crônicas não
fatais se encontram nessa categoria - diabetes, muitas doenças
cardiovasculares, alguns tipos de câncer, e a esquizofrenia.
Até o presente momento, tudo que um teste pode mostrar
é qual o risco de uma pessoa desenvolver uma destas
doenças, e não se ela realmente ocorrerá.
As causas genéticas de outras enfermidades, incluindo
a fibrose cística, a doença de Hutington e
a doença de Lou Gehrig, foram precisamente identificadas.
Dentre os menos de 100 testes genéticos disponíveis
atualmente, a maioria está relacionada a doenças
raras, para as quais ainda não há cura, e
talvez nem mesmo tratamento efetivo.
Estes testes,
contudo, são bastante precisos e dão respostas
confiáveis a grande questão - é provável
que eu venha a ter esta doença? Para as doenças
mais comuns, como o câncer de mama e de ovário,
os testes disponíveis podem somente dizer, sim, nós
encontramos um gene ou uns genes que talvez possam torná-la
mais susceptível ao desenvolvimento da doença,
ou não, você não parece apresentar um
risco incomum para ela. Para Elliott Hillback da Genzyme,
o maior laboratório de testes de DNA no país,
tais testes são como uma previsão do tempo,
úteis mas de uso limitado quando você está
decidindo se vai ou não jogar golfe amanhã.
Existe uma chance de 30% de trovoadas pela manhã.
Você cancela seus planos? Os testes genéticos
dizem que você tem uma chance em quatro de desenvolver
um câncer de mama. O que você faz ?
Terapia gênica:
o futuro está aqui?
Os cientistas
vêm utilizando a terapia gênica há 15
anos. Até agora, o procedimento ainda está
em seus primeiros passos
Terapia gênica:
uma panacéia do século XXI para as doenças?
Nem tanto. O campo da terapia gênica, após
15 anos, está na sua infância e os investigadores
apenas começaram a dar os primeiros passos na sua
compreensão. Enquanto
cientistas já haviam isolado muitos genes antes do
Projeto Genoma Humano, investigadores concordam que o término
do mapeamento dos genes, que identificará cerca de
100.000 genes, possibilitará o acesso a mais doenças.
É um passo inicial fundamental no desenvolvimento
de terapias gênicas para doenças específicas.
"A identificação
dos genes humanos é um pré-requisito para
o sucesso da terapia gênica no tratamento de doenças...
Ele [o Projeto Genoma Humano] será uma mina de ouro
para o futuro da terapia gênica", diz Savio L.C.Woo,
PhD., professor e diretor do Instituto de Terapia Gênica
e Medicina Molecular na Mt.Sinai School of Medicine em Nova
Iorque, e presidente da Sociedade Americana de Terapia Gênica.
Hoje no mundo, de acordo com a Organização
Mundial de Saúde, cerca de 5 por cento das crianças
nascem com alguma doença congênita ou hereditária
e quase 40 por cento dos adultos têm predisposição
genética a doenças comuns durante toda a sua
vida.
Substituindo
ou alterando um gene defeituoso, a terapia gênica
terá a vantagem de tratar a verdadeira causa de uma
enfermidade, e não apenas seus sintomas. Muitas doenças
estão sendo investigadas como candidatos potencias
para terapias baseadas nos genes, incluindo doenças
herdadas, problemas cardiovasculares, câncer e doenças
infecciosas, como a AIDS e a hepatite. A
maioria dos estudos clínicos com terapia gênica
estão em fases preliminares; contudo, pelo menos
um destes estudos pode estar próximo do sucesso,
e se for comprovadamente efetivo, poderá ser pioneiro
na terapia gênica.
Passos de bebê
Investigadores
podem ter estourado as "bolhas" dos bebês
nascidos com a doença hereditária denominada
imunodeficiência combinada severa humana (SCID, sigla
em inglês) - também conhecida como a doença
do "menino da bolha". Estas crianças têm
uma mutação que impede as células brancas,
responsáveis pelo combate às infecções,
de se multiplicarem. Sem o sistema imune, estes pacientes
ficam vulneráveis até mesmo a maioria das
infecções benignas e, portanto, têm
de ficar confinados em uma bolha plástica estéril
aguardando um transplante de medula óssea.
Pesquisadores
franceses relataram na edição de 28 de Abril
da revista Science que duas crianças, de 8 e 11 meses,
receberam uma cópia normal do gene defeituoso que
causa a doença. Isto permitiu a proliferação
das células brancas na medula óssea e, portanto,
ativou o sistema imunológico. Eles
começaram o processo colhendo medula óssea
dos pacientes e separando as células-mãe da
medula. As células-mãe dos pacientes foram
tratadas em laboratório com uma proteína que
permite a transferência gênica e então
foram infectadas com um retrovírus que carregava
o gene substituto. Três dias depois, os cientistas
transplantaram as células de volta para os pacientes.
De acordo com
Alain Fischer, do Hospital Necker em Paris e co-autor do
estudo, as crianças parecem estar evoluindo bem,
sem quaisquer efeitos colaterais já por quase um
ano. Elas estão vivendo normalmente com suas famílias
e sem a bolha. Além disso, a revista Science conta
que um terceiro paciente está tendo progresso similar
quatro meses após a transferência do gene.
Segundo Fischer, as crianças serão acompanhadas
pelo resto de suas vidas para assegurar a saúde delas
e monitorar o sucesso a longo prazo do tratamento.
Outros estudos
anteriores que também estão mostrando alguns
resultados positivos inlcuem um para hemofilia B e alguns
para vários tipos de câncer.
 |
|