"Doutor,
eu tenho sinusite!" Uma das frases que mais se
escuta em um consultório médico é esta.
Geralmente este diagnóstico é feito pelo próprio
paciente baseado em alguns sintomas como dor de cabeça
ou secreção nasal. Porém, não
é incomum em atendimentos de urgência em Prontos-socorros,
pacientes com estado gripal serem submetidos à exame
radiológico (Raio-X) e erroneamente serem tratados
como portadores de sinusite, inclusive com uso de antibióticos
desnecessariamente. Freqüentemente este "diagnóstico"
rotula o paciente que, se não devidamente esclarecido,
continuará a cada consulta repetindo a mesma frase:
"Doutor, eu tenho sinusite!"
A rinossinusite
como preferimos chamar atualmente, é definida como
um processo inflamatório da membrana mucosa que reveste
a cavidade do nariz e dos seios paranasais. O diagnóstico
das rinossinusites é feito através da história
clínica (anamnese) e exame físico, principalmente
através da endoscopia nasal, procedimento indolor,
realizado sob anestesia local no próprio consultório
Otorrinolaringológico.
Os sinais e
sintomas percebidos na rinossinusite aguda são dor
na arcada dentária superior e pressão facial,
congestão e obstrução nasal, secreção
espessa pelo nariz e pela garganta, diminuição
do olfato, febre, dor de cabeça, mau hálito,
fadiga, dor de ouvido, tosse e irritação na
garganta. Obviamente os sintomas variam de pessoa para pessoa,
podendo apresentar um ou mais sintomas associados. Porém
é importante lembrar que nem toda dor de cabeça
é sinal de sinusite!
A dor não
é comum na rinossinusite crônica, mas pode
aparecer na reagudização do quadro.
A determinação
exata do diagnóstico de rinossinusite bacteriana
é difícil mas essencial, pois a rinossinusite
viral é pelo menos 20 vezes mais freqüente do
que a infecção bacteriana dos seios paranasais.
As infecções virais geralmente são
autolimitadas e evoluem para cura espontânea. A importância
deste diagnóstico, ou seja, diferenciar um quadro
infeccioso bacteriano de um quadro viral, está no
tipo de tratamento que será escolhido para cada caso.
Nas infecções bacterianas deverão ser
utilizados antibióticos escolhidos pelo médico,
baseados na sua experiência clínica e estudos
epidemiológicos. É importante lembrar que
o farmacêutico não é o profissional
mais indicado para diagnosticar ou mesmo receitar qualquer
tipo de medicação.
Deve-se suspeitar
de rinossinusite aguda bacteriana quando os sintomas de
uma "Gripe" ou "Resfriado" pioram após
o 5º dia ou persistem por mais de 10 dias. Quanto a
pergunta: Sinusite tem cura? A grande maioria das rinossinusites
tem cura. Algumas pessoas tem uma predisposição
à rinossinusites de repetição, ou por
alterações anatômicas ou por alterações
do funcionamento da mucosa nasal e dos seios paranasais.
Indivíduos com rinite alérgica, desvios do
septo nasal ou estreitamento dos canais que comunicam o
nariz com os seios paranasais tem uma chance maior de desenvolver
processos inflamatórios desta região. Estes
pacientes devem ser cuidadosamente investigados através
de exame endoscópico e tomografia computadorizada.
As rinossinusites
são classificadas em 5 tipos, de acordo com o "I
Consenso Brasileiro Sobre Rinossinusite" realizado
pela Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia:
-
Aguda:
Duração dos sintomas até 4 semanas
-
Subaguda:
Duração dos sintomas de 4 a 12 semanas
-
Crônica:
Duração dos sintomas por mais de 12 semanas
-
Recorrente:
Mais de 4 episódios por ano com duração
de 7 a 10 dias e resolução completa nos
intervalos
-
Complicada:
Complicação local ou sistêmica em
qualquer fase
O
tratamento das rinossinusites deve ser individualizado e
feito de acordo com o tipo de sinusite. A maioria das rinossinusites
são tratadas clinicamente, com o uso de medicação
escolhida à critério médico.
O tratamento
cirúrgico fica reservado para os casos de rinossinusite
crônica ou rinossinusites recorrentes, onde existem
alterações anatômicas que dificultam
a drenagem e a ventilação dos seios paranasais.
O papel da cirurgia visa restabelecer a entrada do ar e
a saída de secreções dos seios.
A cirurgia
para o tratamento dos seios paranasais evoluiu muito nos
últimos anos com o uso da Vídeo-Endoscopia,
no qual o cirurgião realiza o procedimento guiando-se
por um monitor e visualizando o interior dos seios, sem
a necessidade de se realizar qualquer tipo de corte externo.
O melhor entendimento
da anatomia e do funcionamento da cavidade nasal e dos seios
paranasais através das técnicas endoscópicas
tem nos ajudado muito a melhorar o tratamento, tanto clínico
quanto cirúrgico das rinossinusites de uma forma
geral.