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Síndrome do túnel do carpo

A síndrome do túnel do carpo (STC) é caracterizada por dor, alterações da sensibilidade ou formigamentos no punho, geralmente associada com movimentos manuais inadequados ou repetitivos. Alguns casos de STC não parecem relacionados a qualquer causa específica, mas quem apresenta distúrbios que interferem com a circulação e a oferta de oxigênio aos nervos dessa região tem maior risco de desenvolver a síndrome. Ela resulta da compressão do nervo mediano, responsável pela sensibilidade e motricidade do polegar e de alguns dedos e músculos da mão. Esse nervo, juntamente com os nove tendões que permitem os movimentos dos dedos da mão, passa através de um túnel encontrado na base da palma da mão, na região do punho. A porção superior desse túnel é formada por um tecido conjuntivo resistente, denominado ligamento. Na STC, os tendões são irritados e edemaciam, empurrando o nervo mediano em direção a esse ligamento e causando dor nessa região.

Algumas medidas paliativas simples incluem manter o braço suspenso ao lado da cama durante a noite, movimentar ou esfregar suavemente a mão, e colocar compressas quentes ou frias. Qualquer distúrbio existente deve ser adequadamente tratado, de acordo com as recomendações médicas. Se você está acima do peso, emagreça, e se fuma, pare. O tratamento também pode incluir o uso de tala na mão acometida à noite, ou a imobilização contínua para manter o punho e o antebraço alinhados.

Os suplementos de vitamina B6 têm diminuído os sinais e sintomas de alguns pacientes, principalmente daqueles com maior risco de carência dessa vitamina - as gestantes e as mulheres que utilizam anticoncepcionais orais, por exemplo. Para indivíduos sem esse risco, entretanto, não existem evidências sobre a eficácia desses suplementos. A dose habitual é de 50-100 mg por dia, durante pelo menos um mês. Deve-se estar ciente, contudo, de que essa vitamina aumenta a vontade de urinar. Os anti-inflamatórios orais, e em casos mais severos os corticosteróides orais ou injetáveis (administrados no local), podem ser utilizados. Quando essas drogas não conseguem controlar o quadro, a cirurgia torna-se a opção disponível. Cortando o ligamento na base da palma da mão, o cirurgião reduz a pressão exercida sobre o nervo. Vale salientar, entretanto, que os sintomas podem voltar se o indivíduo continuar realizando movimentos inadequados.

A síndrome do túnel do carpo não é uma doença nova, apenas está se tornando mais comum nos últimos anos. Há doze anos, as lesões por esforço repetitivo eram responsáveis por 18% de todas as doenças ocupacionais; em 1991, esse número aumentou para 48%. Com a máquina de escrever, era necessário fazer pequenos intervalos para as correções, colocar e retirar o papel e procurar a grafia correta de uma palavra. Essas funções desapareceram com o computador, de modo que permanecer sentado diante dele durante um período prolongado significa manter os punhos trabalhando sem parar e sem mudar a posição.

Os movimentos repetidos sem o tempo adequado de recuperação são responsáveis pela inflamação e edema do túnel do carpo. Um estudo conduzido pelo National Institute for Occupational Safety and Health demonstrou que mais de oito ou nove repetições por minuto impedem o punho de ter tempo suficiente para produzir o fluido lubrificante da articulação. O atrito subseqüente, na ausência de lubrificação, causa edema e lesões. O tecido lesado e edemaciado passa a exercer pressão sobre o nervo mediano no túnel do carpo. Com o tempo, essa pressão provoca atrofia do nervo e dos músculos do polegar e dos três primeiros dedos (inervados por ele). A(s) mão(s) perde(m) parte de suas funções, e o digitador pode apresentar déficits irreversíveis.

A STC e outras lesões por esforço repetitivo podem ser evitadas. Outra recomendação é utilizar imobilizações preventivas durante o trabalho, se você não estiver pensando em mudar de profissão no futuro próximo. As talas podem diminuir o risco da STC, e são desenhadas individualmente para permitir a liberdade de movimentos necessária para trabalhar; mas de uma forma em que o punho não permaneça numa posição desfavorável ou faça muitas repetições por minuto. Elas podem evitar que você fique como alguns de seus colegas, com falta de sensibilidade e formigamentos na mão, associados à perda da força muscular. Consulte o seu médico sobre a possibilidade de utilizar uma imobilização preventiva. O mais importante é fazer intervalos durante a digitação, diversificar os trabalhos e manter uma postura adequada. Você não precisa sofrer como os seus colegas... a prevenção é o melhor remédio!

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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