Doenças respiratórias
A gripe
e a bronquite são as ocorrências mais significativas das viroses
infantis no período do inverno. Um exame cuidadoso pode evitar
o uso abusivo de antibióticos.
Cuidado
no diagnóstico das viroses infantis
O
tema viroses infantis, ou doenças virais da infância, é
um dos mais abrangentes e importantes que se pode abordar
na saúde da criança.
Com
a chegada do inverno, as mais importantes doenças virais
são as respiratórias agudas, de características muito semelhantes
entre si, o que requer ainda maior atenção do profissional
de saúde. As doenças virais agudas que atingem o aparelho
respiratório se dividem em infecções das vias aéreas superiores
(com destaque para a rinite, rinossinusite, faringite, laringite,
rinofaringite ou resfriado comum) e infecções das vias aéreas
inferiores (laringotraquiobronquite e a pneumonia intersticial).
É
no primeiro grupo que se encaixam também as viroses mais
significativas que acometem as crianças e recém-nascidos;
a gripe, provocada pelo vírus influenza, e a bronquite,
cujo principal agente é o vírus respiratório sincicial.
"Por
sua importância, a gripe deve ser bem diagnosticada. Da
mesma forma que a bronquiolite, que acomete lactentes nos
primeiros dois anos de vida. Deve-se procurar diagnostica-las
corretamente para que sejam adotadas medidas terapêuticas
adequadas para cada caso", explica o Dr. Calil Farhat,
professor titular do Departamento de Pediatria da Escola
Paulista de Medicina/Unifesp e professor titular de
Moléstias Infecciosas da Faculdade de Medicina de Marília
- SP.
O
diagnóstico dessas duas doenças geralmente é presuntivo
e o médico não costuma solicitar exames laboratoriais específicos
e comprobatórios. Isso acontece porque os exames laboratoriais
não são disponíveis e demandam altos custos em laboratórios
especializados. "um profissional que tenha experiência
e prática acaba fazendo um bom diagnóstico presuntivo de
gripe pela análise dos dados clínicos. A possibilidade de
acerto é de 70%, quase a mesma taxa alcançada pelo exame
laboratorial", argumenta o Dr. Farhat.
O grande problema no diagnóstico é conseguir separar a gripe
das infecções virais e destinguir entre infecção viral e
bacteriana. O diagnóstico errado é, infelizmente, comum
e generalizado. E tem contribuído para o uso abusivo e inadequado
de antibióticos, o que favorece o aumento da resistência
bacteriana.
Imunização anual
Para
prevenção da gripe, dispõe-se de vacinas atuais absolutamente
confiáveis, principalmente por serem produzidas a partir
das cepas vigentes na comunidade.
Aplicada
nessa época de outono, a vacina protege por, no máximo,
um ano. "Esse é o único inconveniente", atesta o
Dr. Farhat. Ele reafirma que a vacina não causa a
gripe. Pode acontecer que, por coincidência, a pessoa tenha
tomado a vacina quando já estava infectada pelo vírus. Também
é preciso considerar possível falha da vacina que, como
qualquer outra, não protege 100%. "Outras vezes, acontece
de ser realizado o diagnóstico errado com pessoas vacinadas
de outra doença com sintomas semelhantes aos da gripe",
declara o Dr.Farhat. Crianças acima de seis meses
já podem receber a vacina injetável.
O
especialista está participando do início de um estudo internacional
de uma nova vacina para administração nasal. "Ela é altamente
promissora para o futuro", explica.
Oseltamivir e Zanamivir
No
passado, o principal tratamento para gripe era á base da
amantadina e rimantadina. Entretanto, essas
drogas nunca emplacaram. Isso porque atuam contra apenas
os vírus do grupo A da gripe e apresentam reações
adversas significativas, especialmente no sistema nervoso
central.
Os
fármacos recentemente introduzidos no mercado são os inibidores
da neuroaminidase. Baseados nos conhecimentos da fisiopatologia
da gripe, pesquisadores descobriram a possibilidade de atuar
contra uma enzima do vírus, bloqueando sua multiplicação
e impedindo sua disseminação no organismo.
O Oseltamivir, utilizado por via oral, tem excelente
ação segundo o Dr. Farhat, desde que ministrado nas
primeiras 24 a 48 horas do início da doença. Daí a importância
de se diagnosticar rapidamente a gripe. O tratamento reduz
o tempo de ação da doença e diminui os sintomas.
Outra
droga que tem se destacado no tratamento da gripe é o Zanamivir,
aplicado por via inalatória. E novos antivirais continuam
em estudo.
Vacina contém duas cepas do vírus A e uma do vírus
B
Mesmo
tendo o respaldo de estudos internacionais que rejeitam
a eficácia e a segurança da vacina, o Centro de Estudos
do Envelhecimento acompanhou os idosos após a campanha
de vacinação contra a gripe de 2000, mantendo contato 24
e 72 horas depois. Dez por cento apresentaram reações gerais
leves e de curta duração (até 48 horas), como febre de 38
a 39 graus, dor de cabeça e mal-estar. Dezessete por cento
tiveram dor no local da aplicação e vermelhidão. Por sua
segurança, a campanha foi reeditada em 2001, atingindo também
as crianças.
O
panorama epidemiológico da gripe pode apresentar novidades
nesta temporada de outono/inverno no Hemisfério Sul. Identificada
há três anos, a variante A/Sydney/5/97 (h3n2) - que
representou, nos últimos dois anos, cerca de 80% dos vírus
influenza isolados pela rede de colaboradores do Projeto
VigiGripe - talvez venha a ceder espaço para a circulação
de novas variantes.
Existem
motivos para isso. Em primeiro lugar, é natural que após
um período de dois a quatro anos de maior prevalência as
variantes percam sua capacidade de se disseminar, pois um
grande contigente de pessoas já adquiriu a infecção nos
invernos anteriores. Além disso, a variante A/Sidney
está presente na vacina antigripal há dois anos, o que também
contribui para a redução do número de pessoas suscetíveis.
Um
dos candidatos a agente causador da gripe que deve ganhar
espaço é a variante A/New Caledonia/20/99 (H1N1),
identificada no ano passado numa ilha no sul do Pacífico.
Embora a variante A/Sidney/5/97 (H3N2) tenha prevalecido
na última temporada de outono/inverno do Hemisfério Norte,
os especialistas da Organização Mundial da Saúde
(OMS) têm motivos para crer que a A/New Caledonia/20/99
(H1N1) poderá aparecer com maior freqüência em todo
o mundo e por isso já faz parte da composição da vacina
deste ano para o Hemisfério Sul.
Fonte:
Revista Médico - Reporter - Maio/2001
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