Iniciando esta
coluna de Medicina e Saúde, gostaria de trazer a
tona um dos temas que mais tem chamado nossa atenção
durante os últimos dez anos: a perda consciente da
saúde física e mental do ser humano.
Atravessando
a barreira do tempo, já nos deparamos com o início
de um novo século. Com ele, as potencialidades que
adquirimos durante nossa escalada, são dignas de
menção, como computadores nos auxiliando em
cirurgias neurológicas, antibióticos de largo
espectro de ação, ressonância nuclear
magnética e tomografia computadorizada, ambas com
o objetivo de diagnosticar e localizar patologias antes
inabordáveis.
Mas infelizmente,
todo este arsenal de novos conhecimentos não tem
nos impedido de mudar a realidade de levantamentos estatísticos,
que periodicamente são realizados pela Organização
Mundial de Saúde.
A doença
cardiovascular seguida do câncer e trauma, em ordem
direta, são as três principais causas responsáveis
pela mortalidade do ser humano nos dias atuais.
Hoje gostaria
de tecer alguns comentários sobre a primeira, já
que podemos mudar alguns números da estatística
no futuro.
Acredito que
todos que estejam lendo esta coluna, já tiveram a
experiência de conhecer parentes, amigos ou mesmo
tomar ciência no noticiário falado ou escrito,
de pessoas que nunca manifestaram um sinal de cansaço,
ou mesmo doença prévia, e simplesmente numa
fração de segundos, apresentaram uma parada
cardíaca, um derrame cerebral ( acidente vascular
cerebral ) com paralisia dos membros, muitas vezes de forma
definitiva, deixando uma seqüela social enorme, um
sentimento de perda irreparável. O fator desencadeante
é o stress. Ele libera adrenalina e nor-adrenalina
endógenos, fazendo com que os vasos sanguíneos
se contraiam. Com isto, menos sangue e oxigênio serão
entregues para os tecidos do organismo.
O infarto agudo
do miocárdio predominava entre os 60 e 70 anos de
idade. Hoje, com freqüência, pacientes entre
30 a 40 anos são as vítimas mais graves e
em número assustadoramente crescente.
Por que? Simples.
Nossos antepassados tinham que caminhar mais, alimentavam-se
com mais naturalidade, tinham tempo para a sesta, não
havia o divórcio, a poluição era menor,
dormia-se cedo, pois não havia televisão.
Enfim, o stress era bem menor. As queixas mais freqüentes
num consultório de clínica médica sempre
estão associadas aos seguintes itens: obesidade,
hipertensão arterial, ausência de sono, depressão,
cansaço progressivo, irritabilidade, falta de apetite
sexual, pânico. A maioria destes sintomas está
intimamente relacionada à palavra STRESS. Raras são
as pessoas que sabem manipular as situações
aflitivas. A maioria caminha para o fumo, o álcool,
as drogas, a própria comida como forma de fuga, agravando
ainda mais o problema.
Minha orientação
sempre foi direcionada a que o paciente descubra qual a
VÁLVULA DE ESCAPE que mais se adapte à sua
personalidade e modus vivendum. Procure ter sempre esta
válvula de escape saudável. Você vai
tolerar melhor os problemas. Procure caminhar todos dias,
ou desenvolver alguma prática desportiva aeróbica
diária, se habituando a ela, como temos o hábito
de escovar os dentes. A prática cria o hábito,
que cria o costume. Você vai emagrecer, os sintomas
do stress vão sumir, a alimentação
automaticamente se educa.
Quando o nosso
organismo pede ajuda, pode ser tarde demais para tentar-se
reverter uma doença.
Trabalho em
Clínica Médica e Terapia Intensiva há
mais de 20 anos. Já vivi os piores casos que um especialista
desta área está acostumado a lidar no dia-a-dia.
Minha fuga: nas horas vagas prático triatlon.