Coma
é definido como a falta de reação não despertável. A ausência
de qualquer reação psicologicamente compreensível a estímulo
exteroceptivo ou necessidade interna.
A
consciência significa um estado cônscio de si mesmo e
do ambiente. Seus limites precisos são difíceis de serem
definidos.
Existem
duas propriedades fundamentais da consciência. Uma é o
conteúdo, a essência das funções cerebrais, cognitivas
e afetivas ( linguagem, praxia, memória, crítica, comportamento,
etc...). A outra é a reação de despertar, intimamente
ligada a vigília. No decorrer do dia temos oscilações
fisiológicas do nível de consciência, assim, o sono representa
uma diminuição desta atividade, com falência dos mecanismos
da manutenção da consciência.
O
estado de coma representa uma insuficiência cerebral,
com falência dos mecanismos da manutenção da consciência.
O
comprometimento da consciência, reduzido ou abolido, implica
que já tenha ocorrido acentuada disfunção cerebral e exigirá
atenção médica urgente.
O
tecido nervoso é extremamente vulnerável a danos físicos
e metabólicos, evoluindo a lesões irreversíveis com facilidade.
Várias
condições podem prejudicar o cérebro resultando em diminuição
progressiva do nível de consciência até o coma.
Tabela
- Causas de coma em 500 pacientes diagnosticados inicialmente
como de causa desconhecida (segundo Plum e Posner).
| LESÕES
CEREBRAIS |
101
|
| |
Hematoma
epidural |
4
|
| |
Hematoma
subdural |
26 |
| |
Hematoma
intracerebral |
44
|
| |
Tumor
|
7
|
| |
Abscesso
cerebral |
6 |
| |
Infarto
cerebral |
13
|
| |
Trauma
fechado |
1
|
|
| LESÕES
DA FOSSA POSTERIOR |
65
|
| |
Infarto
do tronco |
40
|
| |
Tumor
do tronco |
3
|
| |
Hemorragia
do tronco |
11 |
| |
Hemorragia
cerebelar |
5
|
| |
Abscesso
cerebelar |
1 |
| |
Hematoma
traumático |
1
|
| |
Infarto
cerebelar |
3
|
| |
Desmielinização
|
1
|
|
| DISFUNÇÃO
DIFUSA E/OU METABÓLICA CEREBRAL
|
326
|
| |
Anóxia
ou isquemia |
10
|
| |
Estado
pos ictal |
9
|
| |
Infecção
|
14
|
| |
Hipoglicemia
|
16
|
| |
Intoxicações
exógenas |
149
|
| |
Intoxicações
endógenas |
51
|
| |
Distúrbios
neuronais primários |
2
|
| |
Nutricional
|
1
|
| |
Encefalopatia
hepática |
17
|
| |
Uremia
|
8
|
| |
Doença
pulmonar |
3
|
| |
Diabetes
|
12
|
| |
Distúrbio
hidroeletrolítico |
12
|
| |
Hipertermia
|
9
|
|
| "COMAS"
PSIQUIÁTRICOS |
8
|
| |
Conversão
|
4
|
| |
Depressão
|
2
|
| |
Estupor
catatônico |
2
|
|
O
conteúdo da consciência e a reação de despertar dependem
de estruturas cerebrais anatomicamente diferentes, assim,
o conteúdo da consciência é dependente da função dos
hemisférios cerebrais. Lesões cerebrais restritas levam
a distúrbios igualmente restritos.
A
reação de despertar é dada por uma estrutura denominada
SISTEMA RETICULAR ATIVADOR ASCENDENTE ( SRAA ), locHemorragia
subaracnóidea 13alizado no tronco cerebral e vizinhança.
O SRAA recebe informações de toda espécie do organismo
e estimula a córtex, mantendo o indivíduo em vigília.
A sua disfunção ou lesão leva desde uma sonolência até
o coma.
Resumidamente,
podemos afirmar que um comprometimento do nível de consciência
até o coma implicaria necessariamente em uma das 3 situações:
-
Obnubilação da consciência é a condição que o indivíduo
está acordado superficialmente, alternando períodos
de irritabilidade com sonolência.
-
Delírio é um estado mais florido, caracterizado por
desorientação, medo, irritabilidade e alucinações visuais.
Períodos de lucidez podem se alternar com episódios
de delírio, e tais pacientes ficam apavorados com sua
alteração mental.
-
Estado vegetativo persistente ocorre como seqüela de
grandes devastações cerebrais ( traumatismos cranianos
severos, anóxia cerebral difusa, emningoencefalites,
etc... ) poupando o tronco cerebral. São indivíduos
que sobrevivem vários anos, sem nenhum resquício de
consciência, com atividades troncos cerebrais normais.
-
Síndrome
do cativeiro ocorre em indivíduos portadores de lesões
baixas do tronco cerebral, apresentando tetraplegia
e geralmente nenhuma motricidade da face. Essa situação
é seguramente uma das piores e mais temidas de toda
a medicina, pois são pacientes com plenitude da consciência,
porém sem qualquer tipo de comunicação.
-
Morte encefálica é uma situação paradoxal em que temos
um cérebro morto em um corpo vivo. Nesta situação o
encéfalo está lesado de uma maneira irreversível, sendo
possível o diagnóstico clínico respaldado por exames
subsidiários comprobatórios de morte encefálica. A morte
encefálica diagnosticada de acordo com o protocolo do
Conselho Federal de Medicina tem valor de morte clínica.