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Câncer de Pulmão: Esperanças de melhores resultados

O câncer de pulmão está hoje entre os tumores malignos mais freqüentes em todo o mundo, com alta agressividade e mortalidade, e com incidência crescente, principalmente em mulheres. Nos Estados Unidos, estima-se que neste ano de 2001 serão diagnosticados 170.000 casos novos de câncer de pulmão, sendo 91.000 na população masculina e 79.000 entre as mulheres.

No Brasil, as estimativas do Ministério da Saúde para o ano 2001 indicam o câncer de pulmão como o quarto tumor mais freqüente, com 21.000 casos novos. Apenas tumores de pele (não melanoma), de mama e de estômago têm maior incidência entre brasileiros.

Fatores de risco

Os estudos epidemiológicos mostram claramente a relação entre o tabagismo e o desenvolvimento de câncer de pulmão. Quanto maior o número de cigarros fumados por dia, e mais longo o período que a pessoa esta fumando, maior será o risco de aparecer um tumor maligno de pulmão. Estima-se que 85% a 90% de todos os casos de câncer de pulmão sejam devidos ao cigarro, tanto em homens quanto em mulheres. Outros fatores de risco incluem fumo passivo (conviver com fumantes), poluição, amianto, e predisposição genética.

Mortalidade

Infelizmente, ainda hoje, a maioria dos pacientes são diagnosticados com câncer de pulmão em estágio avançado da doença, com tumor grande, muitas vezes já disseminado (espalhado) pelo corpo. O câncer de pulmão tipicamente está associado com agressividade e mortalidade elevadas. Dependendo do estágio da doença quando diagnosticada, os pacientes poderão ter chances de viver a longo prazo, livres da doença, variando desde 90% para tumores muito precoces, pequenos, até os raros 1% em pessoas com doença disseminada. Na década de 90, estimava-se que somente 15% dos pacientes diagnosticados com câncer de pulmão estariam curados e vivos após cinco anos. Estes resultados muito pobres desafiaram os médicos dedicados ao estudo e ao cuidado de câncer de pulmão. Estudos e pesquisas mais recentes mostram caminhos novos e esperanças realistas de melhores resultados, de maior controle e de chances mais concretas de sobrevida a longo prazo em pacientes portadores de câncer de pulmão.

Prevenção

Provavelmente o melhor e mais eficiente método de reduzir a mortalidade por câncer de pulmão é de evitar que ele ocorra. Combater o tabagismo se transformou na estratégia primordial, impedindo que pessoas iniciem o vício (principalmente adolescentes), e auxiliando fumantes a abandonar o tabagismo. Campanhas e leis intensivas alertam a população e informam sobre os perigos do cigarro, além de restringirem o acesso e a disponibilidade dos derivados do tabaco. Ao mesmo tempo, o tabagismo está sendo considerado uma doença, sendo tratada atualmente de forma mais eficaz: Somente 5% dos fumantes que tentam parar de fumar utilizando métodos como abstinência espontânea, acupuntura, laser, etc., conseguem ficar sem fumar por mais de um ano. Abordagens mais eficientes, incluindo avaliação individual, terapia comportamental, adesivos de nicotina, e administração de antidepressivos aumentaram as chances de sucesso para 40%. Estes programas certamente poderão reduzir a incidência e a mortalidade de doenças relacionadas ao tabaco, incluindo o câncer de pulmão, principalmente nas décadas futuras.

Diagnóstico precoce: Está claro para os especialistas em câncer de pulmão que quanto mais precoce for o tumor, maiores são as chances de cura a longo prazo. No ano 2000, um estudo extenso foi iniciado para avaliar o impacto da realização de exames anuais, incluindo tomografia computadorizada, para detectar tumores de pulmão menores que um centímetro (muito precoces). Se estes métodos forem comprovados, teremos a oportunidade de diagnosticar e tratar os portadores de câncer de pulmão ainda no início, alcançando taxas de cura e de sobrevida a longo prazo elevadas (ao redor de 90%).

Tratamento

Tanto tratamentos cirúrgicos quanto radioterápicos e quimioterápicos evoluíram consideravelmente nos últimos 10 anos. As operações estão cada vez menos agressivas e mais eficientes, com complicações e mortalidade pós-operatórias reduzidas. O desenvolvimento de cuidados anestésicos e de terapia intensiva possibilitaram a inclusão de pacientes em condições clínicas mais precárias em tratamentos cirúrgicos mais agressivos, que antigamente eram rotineiramente contra-indicados. A radioterapia com planejamento tri-dimensional, aplicando no alvo (tumor) doses cada vez mais elevadas de radiação (mortal ao tumor), ao mesmo tempo protegendo o tecido normal do paciente e evitando efeitos colaterais, tem melhorado o controle de câncer de pulmão. Estudos atuais avaliam a possibilidade de substituir tratamentos cirúrgicos por radioterápicos em casos selecionados, evitando complicações pós-operatórias em pacientes de risco.

A quimioterapia também se modificou muito, aumentando o número de drogas anticâncer com eficiência comprovada contra os tumores de pulmão, além de diminuir sensivelmente os efeitos colaterais. Estes fatos abriram a chance, inexistente alguns anos atrás, de tratar com quimioterapia pacientes idosos. A melhor tolerância aos medicamentos novos, e a maior eficiência dos esquemas quimioterápicos atuais estão oferecendo chances reais de controle por períodos mais prolongados dos tumores de pulmão.

A abordagem multidisciplinar, envolvendo vários especialistas no tratamento do paciente com câncer de pulmão se tornou uma rotina recomendada atualmente, utilizando de forma concomitante ou seqüencial as vantagens de cada método terapêutico (cirurgia, quimioterapia e radioterapia) em casos individuais. Vários medicamentos novos estão sendo estudados intensivamente, com resultados preliminares promissores. Nos próximos 2 a 3 anos poderemos testemunhar o surgimento de um arsenal muito mais diversificado e eficaz contra o câncer de pulmão.
Com ações conjuntas em várias frentes, as esperanças estão cada vez maiores de reduzir a mortalidade tão elevada por tumores malignos de pulmão, no futuro próximo.

Fonte: Riad N. Younes Chefe do Departamento de Cirurgia Torácica Hospital do Câncer AC Camargo, São Paulo. Autor do livro para não-médicos "O Câncer", editora Publifolha, 2001


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