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Câncer de mama diagnóstico precoce

Analogamente ao observado na população mundial, o câncer de mama continua a ser a primeira causa de mortalidade por câncer entre as mulheres brasileiras. Estima-se para o ano 2001, 31.590 novos casos e 8.670 óbitos por câncer de mama. (Ministério da Saúde/Sistema de Informação de Mortalidade).

Há 2 maneiras de se fazer um diagnóstico precoce: através do auto-exame e da mamografia. Isso porque a mais concreta possibilidade de sucesso no tratamento do câncer mamário é o diagnóstico precoce em fase clinicamente não palpável. Assim, para se evidenciar a doença em fase pré-clínica, objetivando reduzir a taxa de mortalidade, considera-se o exame mamográfico como forma de investigação mais sensível e específica.

Os projetos de detecção precoce realizados nos EUA e Suécia, utilizando a mamografia detectou 40% dos cânceres em mulheres a partir dos 40 anos e isso possibilitou a redução da mortalidade em torno de 26% (HIP, BCDDP, S2C).

Auto-exame

A importância do auto-exame se dá pelo fato de 80% dos nódulos de mama serem achados pela própria mulher.

A periodicidade deve ser pelo menos a cada 2 meses e após a menstruação. Na fase pré-menstrual a mama torna-se edemaciada, dolorosa e muitas vezes formam-se nodulações. Por outro lado, a dor e o inchaço prejudicam a palpação. Depois dessa fase os efeitos hormonais desaparecem, tornando-se mais fácil o exame das mamas. Uma boa dica é: geralmente o que desaparece após a menstruação é apenas funcional e o que permanece pode ser importante e deve-se tirar a dúvida com o especialista.

A idade para iniciar o auto-exame é controversa. Recomenda-se a partir dos 25 anos porque a incidência do câncer mamário até essa idade é rara (menos de 1%). Também coincide com período de maturidade profissional e pessoal da mulher. Desse modo, essa prática torna-se mais compreensível e aceitável.

Outro fato relevante é que o nódulo torna-se palpável em torno de 1,0 cm. Normalmente tumores menores que 2,5 cm, faz-se cirurgias conservadores (tira-se apenas parte da mama) para se evitar os tratamentos mutilantes (mastectomia). Portanto, o auto-exame é prática necessária e obrigatória.

Técnica do Auto-Exame
Fique de frente para o espelho com os braços ao longo do corpo. Olhe para suas mamas e procure por caroços, depressões ou outras aparências anormais.
Repita o procedimento com os braços elevados acima da cabeça.
Com as mãos nos quadris faça contração dos músculos peitorais e procure alterações.
Examine suas mamas quando estiver no banho usando o mesmo procedimento que na posição deitada.
Mamografia Indicações

1. Rastreamento - O principal objetivo no rastreamento é descobrir o câncer mais cedo, mesmo em mulheres sem sinais da doença. Nessa condição, somente a mamografia faz o diagnóstico. Existem situações, pouco freqüentes, em que os nódulos estão presentes, são palpáveis e não aparecem na mamografia (falsos negativos). Por isso, o exame das mamas pelo seu médico é importante para o diagnóstico precoce.

Periodicidade:

    • 40 anos - 1º mamografia
    • entre 40 e 50 anos - anual ou bianual
    • após 50 anos - anualmente
    • 35 anos - pacientes de alto risco
Paciente de "alto risco" deve fazer primeira mamografia aos 35 anos e repeti-la, anualmente após os 40 anos. Essas pacientes são aquelas com história familiar de câncer de mama ou ter feito biópsia anteriormente com resultado de lesão de risco para desenvolver o câncer mamário.

2. Diagnóstico - nesse caso a mamografia é indicada para as pacientes que apresentam queixas: presença de nódulo, alterações da pele da mama (infecção, edema, retração) e fluxo papilar (saída de secreção pelo mamilo). Nesses casos, considera-se mais o grau de suspeita para câncer da lesão,do que, a idade da paciente.

Por causa de achados anormais no exame clínico ou na mamografia, há mulheres que precisam complementar com novos exames: ultra-sonografia, punção aspirativa por agulha fina, biópsia com agulha grossa (Core Biopsy), Mamotomia ou biópsia cirúrgica convencional para se ter diagnóstico de certeza.

Lembre-se Quando se faz diagnóstico precoce, pode se realizar tratamento conservador: ou seja, tira-se apenas parte da mama e, às vezes, não se utiliza da quimioterapia ou radioterapia.

Fonte: Claudio Kemp, professor adjunto doutor do setor de Mastologia UNIFESP - EPM


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