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Sarcoma de Kaposi

É um tipo de câncer que afeta as paredes dos vasos linfáticos, podendo desenvolver-se em diferentes regiões do corpo ao mesmo tempo. Sua incidência é mais comum na pele, mas pode acometer órgãos internos, especialmente nódulos linfáticos, pulmões e sistema digestivo. Sua causa exata é desconhecida, mas sabe-se que a doença está associada a fatores imunológicos, genéticos, viróticos, entre outros, ainda a serem definidos.

Até os anos 80 acreditava-se que o Sarcoma de Kaposi era uma doença rara dos vasos sanguíneos, mais freqüente em homens idosos. Mas sua incidência subiu drasticamente com a ocorrência da AIDS. Atualmente, é o câncer mais comum relacionado a esta doença. É importante ressaltar que nem todas as pessoas infectadas pelo HIV irão desenvolver Sarcoma de Kaposi.

Tipos de Sarcoma de Kaposi

Há 3 tipos principais:

Sarcoma de Kaposi clássico não tem qualquer relação com a queda do sistema imunológico. É um tipo de câncer muito raro, que incide em homens de idade avançada, principalmente da região mediterrânea (italianos e gregos) e em descendentes de judeus. Desenvolve-se como outros tipos de câncer, geralmente na pele, com maior freqüência nas pernas. A progressão da doença é lenta e pouco agressiva, sendo que a maioria dos pacientes não necessita de tratamento.

Sarcoma de Kaposi endêmico ou africano pode acometer adultos de ambos os sexos (com apresentação clínica similar à forma clássica) e crianças, sendo nestas uma doença de progresso rápido e letal.

O terceiro tipo de Sarcoma de Kaposi incide em pessoas com o sistema imunológico deprimido, como é o caso de HIV positivo. Transplantados que tomam medicação imunosupressora para evitar rejeição ao órgão recebido também estão sujeitos a desenvolver a doença, embora com muito menor freqüência.

Estudos mais recentes têm sugerido que todos os tipos de Sarcoma de Kaposi estão associados ao Vírus Herpes Humano 8 (HHV8), que é transmitido sexualmente, na maior parte dos casos.

Sinais e sintomas

Lesões cutâneas (na pele) costumam ser os primeiros sinais do Sarcoma de Kaposi. Variam de formato, número, tamanho e cor, que pode ir do marrom claro ao roxo escuro. A lesão inicial pode ser única, ou múltipla. Com a evolução, podem agrupar-se formando placas que tendem a se tornarem mais roxas e com um halo amarelado ao redor.

O aparecimento destas lesões é muito comum nas mucosas, como parte interna das bochechas, gengivas, lábios, língua, amídalas, olhos e pálpebras.

Quando associado com a AIDS, além da pele, o Sarcoma de Kaposi pode afetar outras áreas, como os pulmões, região gastrintestinal e sistema linfático. Em estágios mais avançados, são comuns sintomas como:

  • Edemas (inchaços), decorrentes de vasos linfáticos entupidos;
  • Dificuldades respiratórias;
  • Náusea e vômitos;
  • Diarréia;
  • Dor.

Pacientes com Sarcoma de Kaposi devem ter a boca freqüentemente examinada, principalmente a região do céu da boca, pois lesões nesta área podem indicar o acometimento de outros órgãos, como esôfago, intestino, pulmão, etc.

Como é feito o diagnóstico?

Para um diagnóstico conclusivo é preciso fazer uma biópsia, retirando uma amostra de tecido da lesão para ser examinada à luz do microscópio. Confirmado o diagnóstico, outros exames precisam ser feitos para determinar a extensão da doença, como tomografia computadorizada, que possibilita visualizar o comprometimento de gânglios linfáticos. Por meio de uma endoscopia é possível verificar se há lesões ao longo do tubo digestivo. Com um colonoscópio pode-se ver lesões no reto e no intestino grosso.
A broncoscopia revela a presença de lesões na mucosa endobrônquica.

Tratamentos

O tipo de tratamento depende de uma série de variáveis, como tamanho e localização das lesões, estado geral de saúde do paciente, entre outras. O Sarcoma de Kaposi clássico não requer tratamento, na maioria dos casos. Quimioterapia costuma ser o tratamento de escolha para o Sarcoma de Kaposi endêmico ou africano. Quando relacionado à imunossupressão induzida por drogas para transplantados, o Sarcoma de Kaposi pode ser controlado com a redução ou suspensão dos medicamentos. Em pacientes aidéticos, as lesões costumam regredir entre 3 e 6 meses com terapia antiretroviral. Nos casos mais graves pode-se empregar a quimioterapia como tratamento auxiliar.

Fontes: American Cancer Society, CancerBACUP U.K., M.D. Anderson Cancer Center.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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