Importância
do diagnóstico das massas da mama
Os problemas
que mais freqüentemente demandam a busca de consulta
pelas mulheres em relação às mamas
são: dor nas mamas (mastalgia), descarga papilar
e presença de alguma massa palpável. A maioria
das mulheres com estes problemas tem alguma doença
benigna. As doenças da mama nas mulheres abarcam
um largo espectro de patologias benignas e malignas.
A freqüência
de câncer de mama varia com a idade da paciente e
pode apresentar diversas queixas associadas. As principais
queixas relacionadas às mamas, que motivam uma mulher
a procurar o médico são: dor (mastalgia),
descarga papilar e presença de massa palpável.
Independentemente da queixa, o objetivo principal na avaliação
de qualquer queixa relacionada às mamas é
afastar câncer. A extensão da avaliação
necessária para atingir este objetivo depende do
tipo de queixa, da idade da paciente e do seu risco individual
para neoplasia.
Massas
sólidas da mama
Massas não
císticas em mulheres antes da menopausa, que são
claramente diferentes do tecido adjacente, requerem biópsia,
por aspiração ou excisional. A quantidade
e qualidade dos exames de imagem necessários para
se avaliar adequadamente uma massa sólida nas mamas
depende da idade da paciente, do seu risco para neoplasia
e do grau de suspeita clínica.
Exames de
imagem são realizados para se avaliar a extensão
da lesão, para se identificar massas não palpáveis
além da massa suspeita, e outros fatores que podem
influenciar a escolha da terapia mais adequada. A decisão
de se realizar uma biópsia deve ser baseada em critérios
clínicos e não nos achados da mamografia,
uma vez que esta pode apresentar resultados falso-negativos
em 10-20% dos casos.
Massas
sólidas em mulheres com menos de 40 anos
Se o exame
físico não revelar evidencia de massa dominante
na mama, a paciente deve ser tranqüilizada e orientada
a realizar o auto-exame regular das mamas. Se o significado
clínico de algum achado de exame físico não
for claro, um ultra-som das mamas deve ser realizado. Se
este exame não revelar massa, o exame físico
deve ser repetido em 2-4 meses. Em mulheres com idade entre
35 e 40 anos com ultra-som normal ou duvidoso, deve ser
realizada uma mamografia. Em mulheres mais jovens a mamografia
raramente é útil.
Em pacientes
com massas dominantes, a abordagem varia de acordo com o
grau da suspeita clínica. Uma massa suspeita é
única, isolada, endurecida e, freqüentemente,
aderida ao tecido adjacente. Na presença de uma massa
com estas características, deve ser realizada uma
mamografia antes de algum procedimento anátomo-patológico.
Se a massa tiver características benignas, deve-se
discutir com o paciente a excisão cirúrgica
ou o acompanhamento clínico regular. Se o paciente
desejar a retirada cirúrgica da massa, não
há necessidade de se realizar nenhum outro exame.
Em caso da opção pelo acompanhamento clínico,
deve-se realizar um ultra-som e biópsia de agulha
fina (BAF) para se confirmar que o tumor é benigno.
Esta abordagem
é geralmente conhecida por “teste triplo”
(exame clínico, ultra-som [ou mamografia] e biópsia
com agulha fina). O uso de exames de imagem em conjunto
com a BAF foi proposto para aumentar a precisão desta.
Quando o “triplo teste” indica doença
benigna, a chance de câncer é de apenas 0,6%,
segundo uma revisão da literatura a respeito. Em
caso de se optar pelo acompanhamento clínico de uma
massa, um bom planejamento do seguimento deve ser feito
para que sejam altas as chances de diagnóstico precoce
de um câncer que porventura tenha passado sem diagnóstico
no momento.
O tamanho
da lesão deve ser medido com uma régua em
todas as consultas. A paciente deve ser vista a cada 3-4
meses para se garantir a estabilidade da lesão. Apenas
médicos experientes em câncer de mama devem
optar por este tipo de acompanhamento em massas dominantes
de mama.
Massas
sólidas em mulheres com mais de 40 anos
À medida
que aumenta a idade das pacientes, diminuem as evidências
clínicas de que uma massa dominante da mama é
benigna. Desta forma, todas as anormalidades detectadas
no exame físico das mamas devem ser encaradas como
câncer em potencial, até que se prove o contrário.
Em mulheres com mais de 40 anos a mamografia é obrigatória
na avaliação de um tumor sólido das
mamas. Em pacientes com alguma queixa relacionada às
mamas, o exame com duas posições (craniocaudal
e mediolateral) é insuficiente.
O radiologista
deve ser informado da queixa da paciente e um marcador radiopaco
deve ser colocado sobre o local com problemas para que se
possa analisar adequadamente os achados radiológicos.
Exposições em outras posições
podem ser feitas para que a área com problemas seja
melhor examinada. O objetivo desta avaliação
é se conhecer a extensão da lesão e
a presença de outras lesões que possam afetar
a possibilidade da manutenção da mama em caso
de tratamento cirúrgico.
Sempre que
houver uma tumoração na mama, uma mamografia
normal não deve ser considerada prova da ausência
de câncer. Mesmo com equipamentos modernos, de 9-22%
de tumores palpáveis não são visíveis
a mamografia. Entretanto, estudos radiológicos apropriados
são importantes para o planejamento do tratamento
de qualquer paciente com tumoração palpável
na mamas.
Referências:
Am Fam Physician 61:2371-2378, 2385; 2000
ALLEN SS, FROBERG DG. The effect of decreased caffeine consumption
on benign proliferative breast disease: a randomized clinical
trial. Surgery 101:720-730, 1987
American College of Radiology. Standard for the performance
of diagnostic mammography. Retrieved January 20, 2000
 |
|