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Imagem em evolução

A mamografia digital é mais precisa, permite exames rápidos e reduz a exposição aos raios X. Bastam quatro minutos, um terço do tempo necessário para a realização da mamografia convencional. A tecnologia digital de detecção de câncer de mama, já disponível no Brasil, permite enxergar as mais sutis alterações de tecido. O equipamento é uma evolução. Dispensa o uso de chapas ou filmes: as imagens são armazenadas e analisadas em computador. Mas não reduz a pressão sobre o seio, a principal queixa das mulheres. Segundo os médicos, ela é essencial para evitar a superposição de tecidos e descobrir nódulos minúsculos. A paciente fica de pé, como nos exames tradicionais. Em seguida, um dispositivo eletrônico grava as imagens geradas pelos raios X. No monitor de alta resolução, o radiologista vê as fotos, semelhantes a negativos em preto e branco.

Pode manipulá-las livremente. Aumenta o contraste, dá zoom ou inverte a imagem para eliminar dúvidas. A paciente é liberada imediatamente. Acabou a espera pela revelação da chapa na sala ao lado. Pelo método convencional, o exame tem de ser refeito se a imagem não for satisfatória. Nesse caso, a mulher é exposta a nova carga de radiação. A Clínica Radiológica Doutor Lucilo Maranhão, do Recife, foi a primeira da América Latina a comprar o aparelho digital. "Agora é possível fazer análises detalhadas dentro da mama e conseguir o diagnóstico precocemente", comenta a radiologista Norma Maranhão. Segundo ela, o dispositivo mostra com nitidez todas as camadas do tecido mamário, desde a pele até a parede do tórax. As imagens geradas em cada exame ficam arquivadas. Podem ser transferidas por e-mail para a análise de outros médicos.

Nos Estados Unidos, essa é uma das principais promessas da nova tecnologia. Habitantes de áreas remotas poderão ter o resultado de mamografias revisado por médicos dos principais centros de estudo do câncer. O professor Jules Sumkin, do Hospital Magee-Womens, na cidade americana de Pittsburgh, pesquisa as vantagens do equipamento em mulheres do oeste da Pensilvânia. Até 2004, 50 mil pacientes testarão o equipamento. "A mamografia digital permite tirar dúvidas na hora e evitar cirurgias desnecessárias", comenta Jorge Souen, chefe do setor de oncologia ginecológica da Faculdade de Medicina da USP. Por enquanto, o equipamento é inacessível à maioria dos radiologistas. Custa cerca de US$ 400 mil, quatro vezes mais que o aparelho convencional.

Afora na clínica pernambucana, o aparelho, fabricado pela General Electric, é encontrado apenas na Clínica Cepem, no Rio de Janeiro. Em breve, estará disponível também na Alphasonic, de Curitiba. A paciente paga cerca de R$ 400, o dobro do preço do exame realizado no equipamento convencional. Ainda no primeiro semestre, a gigante alemã Siemens pretende vender no Brasil um aparelho semelhante. A concorrência entre os fabricantes deverá beneficiar as pacientes. O equipamento digital é um avanço. Não significa, porém, que os filmes estejam ultrapassados. Ambos os métodos são eficientes, segundo estudos feitos em universidades americanas.

Texto retirado da revista Época - 19/02/2001


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