
Exames de sangue para
avaliação da tireóide
A tireóide
é uma glândula que produz hormônios fundamentais
para o metabolismo normal do organismo. Existem alguns exames
de sangue que medem os níveis desses hormônios,
identificando se a produção hormonal é
normal, maior ou menor que os valores esperados.
O que
são hormônios tireoideanos?
São
hormônios produzidos pela tireóide, uma glândula
localizada na região inferior do pescoço.
A glândula envolve a traquéia e tem um formato
semelhante a uma borboleta – sendo constituída
por 2 lobos unidos pelo istmo. A tireóide produz
hormônios a partir do iodo (obtido principalmente,
de em alimentos como frutos do mar, pães e sal).
Os hormônios
mais importantes são a tiroxina (T4) e a triiodotironina
(T3), que constituem 99,9% e 0,1% dos hormônios tireoideanos
liberados na circulação, respectivamente.
Entretanto, o hormônio com maior atividade biológica
é o T3.
Após
a liberação hormonal para a circulação,
uma grande quantidade de T4 é convertida em T3 –
o hormônio com maior efeito sobre o metabolismo celular.
Regulação
hormonal
A tireóide
é controlada pela hipófise, que, por sua vez,
é regulada pela tireóide (“retroalimentação”
dos hormônios tireoideanos sobre a hipófise)
e pelo hipotálamo.
O hipotálamo
produz o hormônio liberador de tireotropina (ou TRH),
que promove a liberação do hormônio
estimulador da tireóide (TSH) pela hipófise.
Este promove a liberação dos hormônios
tireoideanos. Alterações em qualquer um desses
níveis podem provocar uma deficiência dos hormônios
tireoideanos (hipotireoidismo). A produção
dos hormônios tireoideanos é regulada pela
hipófise. Quando há níveis reduzidos
de hormônios tireoideanos na circulação,
a hipófise libera o TSH para estimular a produção
desses hormônios.
>>
Hipotálamo – TRH >> Hipófise-
TSH >> Tireóide- T4 e T3
Por outro lado,
quando ocorrem concentrações elevadas, os
níveis de TSH diminuem com o objetivo de reduzir
a produção de hormônios tireoideanos.
Nos pacientes com hipotireoidismo, observa-se uma deficiência
de hormônios tireoideanos. Naqueles com hipertireoidismo,
observam-se níveis elevados desses hormônios.
Como
é feito o diagnóstico de hipotireoidismo?
Deve-se suspeitar
de hipotireoidismo em pacientes com queixa de fadiga, intolerância
ao frio, constipação e extremidades frias.
Para confirmar o diagnóstico, é necessário
solicitar um exame de sangue.
Em pacientes
com hipotireoidismo, observam-se níveis reduzidos
de hormônios tireoideanos (T3 e T4). Nos estágios
iniciais, entretanto, esses valores podem ser normais. Portanto,
o principal exame para o diagnóstico de hipotireoidismo
é a dosagem de TSH. Conforme descrito anteriormente,
o TSH é secretado pela hipófise. Quando ocorre
uma diminuição dos níveis de hormônios
tireoideanos presentes na circulação, a hipófise
libera uma maior quantidade de TSH para estimular a produção
desses hormônios. Essa elevação dos
níveis de TSH pode ser identificada alguns meses
ou anos antes da redução nos níveis
de T3 e T4 . Entretanto, uma exceção deve
ser lembrada.
Se a deficiência
de hormônios tireoideanos for provocada por alterações
hipofisárias ou hipotalâmicas (condições
conhecidas por hipotireoidismo secundário ou terciário),
os níveis de TSH serão reduzidos. Um exame
diferente, conhecido como teste do TRH, pode ajudar a diferenciar
doenças causadas por alterações hipofisárias
daquelas causadas por alterações hipotalâmicas.
Esse exame, realizado por especialistas, requer a administração
intravenosa.
Como
é feito o diagnóstico de hipertireoidismo?
Deve-se suspeitar
de hipertireoidismo em pacientes com tremores, sudorese
excessiva, cabelos finos, taquicardia (elevação
da freqüência cardíaca) e aumento de volume
da tireóide. Também pode ocorrer exoftalmia
(condição na qual os olhos parecem saltar,
devido à elevação das pálpebras
superiores). Em estágios avançados, a doença
é facilmente diagnosticada. No início, entretanto,
principalmente em pacientes de idade avançada, o
diagnóstico pode ser difícil.
Em todos os
casos, é necessário realizar um exame de sangue
para confirmar o diagnóstico. Em pacientes com hipertireoidismo,
observam-se níveis elevados dos hormônios tireoideanos.
No entanto, a dosagem de TSH é o principal exame
para o diagnóstico.
Quando ocorre uma elevação dos níveis
de hormônios tireoideanos presentes na circulação,
a hipófise libera uma menor quantidade de TSH (fenômeno
chamado down-regulation, em inglês) para inibir a
produção desses hormônios.
No hipertireodismo,
portanto, ocorrem níveis reduzidos ou indetectáveis
de TSH. Entretanto, existe uma exceção. Em
casos nos quais os níveis elevados de hormônios
tireoideanos são produzidos por um tumor hipofisário
secretor de TSH (condição pouco comum, denominada
hipertireoidismo secundário), observam-se níveis
elevados de TSH.
Existem
outros exames para a avaliação da tireóide?
Os exames mencionados
acima podem confirmar a deficiência ou a produção
aumentada de hormônios tireoideanos e, portanto, são
utilizados para o diagnóstico de hipotireoidismo
ou hipertireoidismo. Entretanto, eles não apontam
uma causa específica.
Para identificá-la,
o médico deve levar em consideração
a história clínica, o exame físico
e, em alguns casos, outros exames complementares, como a
pesquisa de anticorpos anti-tireoideanos, exames de medicina
nuclear, ultra-sonografia de tireóide, dentre outros.
Punção
aspirativa com agulha fina (PAAF) – o que é?
O melhor método
para confirmar ou descartar o diagnóstico de câncer
é a biópsia de tireóide. Durante muitos
anos, o procedimento de escolha foi a core biópsia,
um método que consiste na retirada de um fragmento
da glândula através de cirurgia. Atualmente,
a PAAF é considerada o método de escolha para
a obtenção de pequenas amostras de tecido
tireoideano. Trata-se de um procedimento simples que, quando
realizado de forma adequada, apresenta um índice
de falsos negativos menor que 5% (ou seja, em menos de 5
casos, entre 100 pacientes com alterações,
a doença não será diagnosticada).
A PAAF
deve ser realizada em todos os nódulos tireoideanos?
Em alguns casos,
o médico pode preferir não realizar a biópsia
de um nódulo tireodeano. Em pacientes com hipertireoidismo,
por exemplo, a chance de um nódulo representar câncer
é significativamente menor, principalmente quando
outros estudos (como a cintilografia) mostram que o nódulo
produz hormônios (nódulo “quente”).
O médico pode solicitar a PAAF para:
- diagnosticar
um nódulo tireoideano;
- ajudar a
estabelecer o tratamento de um nódulo tireoideano;
- drenar um
cisto que causa sintomas;
- administrar
uma medicação para evitar o reaparecimento
de um cisto recorrente.
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