A osteoporose,
ou redução da densidade óssea, geralmente
resulta da perda óssea associada à deficiência
de estrógenos e alterações do metabolismo
mineral e ósseo relacionadas à idade. A identificação
de condições metabólicas ou minerais
assintomáticas que contribuem para a doença
permite uma abordagem terapêutica mais eficaz. Exames
laboratoriais de rotina em mulheres com osteoporose podem
identificar algumas dessas condições, mas
não existem diretrizes baseadas evidências
que indicam quais exames devem ser realizados. Tannebaum
e colaboradores realizaram um estudo transversal com revisão
de prontuários para determinar a prevalência
de distúrbios não diagnosticados que podem
alterar o metabolismo mineral e ósseo, diagnosticados
através de exames laboratoriais em mulheres saudáveis
na pós-menopausa com diagnóstico recente de
osteoporose.
O estudo incluiu
mulheres que procuraram ou foram encaminhadas para um serviço
de atendimento primário à saúde por
apresentarem redução da densidade óssea.
Mulheres com doenças conhecidas que podem alterar
o metabolismo ósseo ou mineral, bem como aquelas
utilizando medicamentos que influenciam no metabolismo ósseo,
foram excluídas do estudo. As condições
não diagnosticadas previamente foram identificadas
através de exames laboratoriais.
Foi possível
obter dados laboratoriais completos de 173 pacientes, com
uma idade média de 65,5 anos. Cinqüenta e cinco
mulheres apresentavam condições não
diagnosticadas que podem alterar o metabolismo ósseo
ou mineral.
O distúrbio
mais comum foi hipercalciúria, seguida por má
absorção, hiperparatireoidismo, deficiência
de vitamina D, hipertireoidismo exógeno, doença
de Cushing e hipercalcemia hipocalciúrica. Os únicos
fatores preditivos significativos da presença de
uma condição não diagnosticada foram
a história de câncer de mama localizado e tabagismo.
Analisando o papel de diferentes associações
de exames diagnósticos, várias abordagens
foram avaliadas.
Tendo em vista
que condições não diagnosticadas relacionadas
ao metabolismo mineral ou ósseo são encontradas
em até um terço das mulheres saudáveis
com osteoporose, os autores ressaltam a importância
do rastreamento laboratorial nessas pacientes. Um rastreamento
básico incluindo a determinação dos
níveis séricos de cálcio, dos hormônios
paratireoideanos e a excreção urinária
de cálcio em 24 horas (acrescentando-se a dosagem
sérica de TRH, sigla em inglês de thyroid-stimulating
hormone, em pacientes realizando tratamento com hormônios
tireoideanos) oferece uma boa sensibilidade com custo aceitável
para mulheres saudáveis acompanhadas em serviços
de atendimento primário por apresentarem osteoporose.
Novos estudos
prospectivos são necessários para confirmar
esses resultados e determinar os exames laboratoriais apropriados
em mulheres com redução da densidade óssea
que não são acompanhadas em serviços
de atendimento primário ou que apresentam fatores
de risco para doenças ósseas relacionadas
a condições pré-existentes.
Em um editorial
do mesmo periódico, Wagman e Marcus defendem a necessidade
de um algoritmo diagnóstico em pacientes com osteoporose,
mas lembram a dificuldade para a obtenção
e padronização da excreção urinária
de cálcio em 24 horas. Eles também acreditam
que novos estudos podem estabelecer a abordagem diagnóstica
mais apropriada.