Diagnóstico laboratorial
das doenças infecciosas nas gestantes
Quais os exames laboratoriais para o diagnóstico das
doenças infecciosas nas gestantes?
Os exames
solicitados pelo clínico para as gestantes são
os seguintes:
-
Hemograma
- para constatar a presença de anemia.
-
Glicemia
- para constatar a presença de diabetes (açúcar
no sangue).
-
VDRL
- para constatar a presença de sífilis,
doença sexualmente transmissível, que
senão tratada pode ocasinar sérios problemas
de saúde ao bebê.
-
Tipo
Sangüíneo - Identifica o tipo
de sangue da futura mamãe. Caso o RH seja negativo,
será necessário acompanhamento especial.
-
Anti-HIV
- Detecta a presença do vírus da AIDS.
Caso seja constatado, o tratamento será direcionado
para NÃO passá-lo ao beb
Rubéola, Toxoplasmose
e hepatites B e C e exame de Urina
Na gravidez,
o recomendável é que o exame sorológico
seja feito nas primeiras semanas da gestação.
Se o exame mostrar reações para IgG positiva
e IgM negativa, a paciente é considerada como "imunizada"
e considera-se que não haverá nenhum risco
para o feto nesta gestação e em outras no
futuro. Se as reações para IgG e IgM forem
negativas, existe o risco de contaminação
durante a gestação atual e todos os cuidados
devem ser tomados. Como a infecção geralmente
acontece sem o aparecimento de sintomas, o exame sorológico
deverá ser repetido na periodicidade recomendada
pelo seu médico, para que se possa fazer o diagnóstico
da infecção aguda o mais precoce possível,
instituindo-se tratamento adequado.
Quais as infecções
importantes do trato urinário durante a gestação?
| Nível
da infecção |
Manifestações |
Tratamento |
Trato Baixo: Uretrite,
Cistite
|
Disúria, polaciúria,
hematúria
|
Antibiótico via oral:
Cefalexina 500 mg de 6/6 hs. |
Pielonefrite
|
As mesmas acrescidas, de
febre, mal-estar
|
Internação:
antibiótico por via parenteral. Cefalotina 1 g
via endovenosa de 6/6 hs. Gentamicina 1 mg/kg de 8/8 hs
|
| Bacteriúria
Assintomática |
Sem sintomas |
Cefalexina 500 mg de 6/6
hs por via oral |
Quais as técnicas
sorológicas utilizadas no diagnóstico das doenças
infecciosas nas gestantes?
As técnicas
sorológicas são imunoenzimática (ELISA),
teste de hemaglutinação, teste de avidez para
anticorpos IgG, detecção de anticopos IgM,
imunofluorescência indireta, floculação.
Porque é importante
o diagnostico da sífilis nas gestantes?
A Sífilis
é de diagnóstico obrigatório na gestação.
Malformações provocadas por esta doença
são muitas conhecidas. Mulheres com sorologia negativa
inicialmente devem ser submetidas a novas sorologias no
decorrer da gravidez.
Estados da sífilis,
diagnóstico e tratamento
| Classificação |
Diagnóstico |
Tratamento |
| Primária |
Cancro duro VDRL + após
2 semanas, FTA-abs +
|
Penicilina Benzatina 2,4
milhões UI, via intramuscular em dose única
|
| Secundária |
Erupções cutâneas
(roséolas)
Condiloma plano
Diagnóstico laboratorial: idem ao primário
|
Penicilina Benzatina 2,4
milhões UI, via intramuscular, repetida após
1 semana.
Dose total: 4,8 milhões UI |
| Tardia |
Goma sifilítica.
Laboratório: VDRL + ou -; FTA-abs + |
Penicilina Benzatina 2,4
milhões UI, via intramuscular semanalmente, 3 vezes.
Dose total: 7,2 milhões UI |
Após
a dose inicial de penicilina, poderá surgir uma reação
febril e cutânea, denominada de Jarish-Herxheimer,
resultante da liberação de toxinas dos treponemas
mortos.
Porque é importante
o diagnóstico laboratorial da rubéola nas gestantes?
Todas as adolescentes
devem ser vacinadas para rubéola. Após gestação
com sorologia negativa, a futura gestante deve ser vacinada
antes de nova gestação. Vale lembrar que a
freqüência de malformações é
tanto maior quanto mais precoce for a virose na gestação.
Por outro lado, existem diferentes cepas com potenciais
que levam a malformações fetais, o que explica
ausência de lesões fetais mesmo com doença
clínica comprovada laboratorialmente.
Transmissão Vertical
Infecção
Fetal (mês)
|
Percentuais
de Acometimento
Fetal Grave |
| 1 |
10 - 40 % |
2
|
20 - 25 % |
3
|
10 - 20 % |
4
|
6 - 7 % |
| 5 |
0,5 - 1 % |
Situação
da gestante em relação a rubéola
Situação
|
Resultados |
Interpretação |
Conduta |
Sorologia Negativa
|
IgG e IgM negativas
|
Suscetível
|
Imunização
pós-natal |
Sorologia Positiva
|
IgG positiva IgM negativa
|
Imune
|
Nada específico |
| Sorologia Positiva
|
IgG negativa ou positiva
IgM positiva |
Infecção recente |
Diagnóstico da infecção
fetal (Medicina Fetal) |
IgG = imunoglobulina
G; IgM = imunoglobulina M
>> Como é
interpretada a sorologia para toxoplasmose nas gestantes?
A Toxoplasmose
na gestação causa malformações
fetais de gravidade muito diversificada, desde lesões
oculares leves de difícil diagnóstico intra-uterino
até as letais (hidrocefalias graves). O diagnóstico
é retrospectivo, ao se identificar alguma anormalidade
na criança (uveítes, calcificações
intracranianas, ou convulsões), ou quando, em ultra-sonografia
de rotina, são diagnosticadas alterações
morfológicas suspeitas. Nos casos suscetíveis,
é importante o seguimento sorológico mensal
ou bimensal para a detecção da viremia sorológica
de alto significado para o prognóstico neonatal.
Diagnóstico da
toxoplasmose
Situação
|
Resultados |
Interpretação |
Conduta |
Sorologia Negativa
|
IgG e IgM negativas
|
Suscetível
|
Orientação
higiênico-dietética
Repetição da sorologia 2/2 meses |
Sorologia Positiva
|
IgG positiva IgM negativa
|
Imune
|
Seguimento pré-natal
rotineiro |
| Sorologia Positiva
|
IgG negativa ou positiva
IgM positiva |
Infecção recente
ou Cicatriz Sorológica |
Proceder diagnóstico
da transmissão vertical Encaminhar para Medicina
Fetal |
IgG = imunoglobulina
G; IgM = imunoglobulina M
Como é feito
o diagnóstico laboratorial das hepatites B e C nas
gestantes?
Hepatites
B e C merecem abordagem rotineira durante
a gestação porque medidas importantes no decurso
do ciclo gravídico-puerperal devem ser tomadas em
cada situação. Além disso, em pacientes
com sorologia positiva, os cuidados neonatais devem ser
muito meticulosos. Os possíveis resultados da sorologia
para hepatite B e respectivas condutas estão relacionados
no quadro abaixo:
Diagnóstico da
hepatite na gravidez
Situação
|
Resultados |
Interpretação |
Conduta |
Sorologia Negativa
|
AgHBs negativo Anti-HBs
negativoAnti-HBC negativo
|
-
|
Seguimento pré-natal
rotineiro |
Sorologia Positiva
|
AgHBs negativo Anti-HBs
positivoAnti-HBC negativo
|
Imune
|
Seguimento pré-natal
rotineiro |
| Sorologia Positiva
|
AgHBs negativo Anti-HBs
positivo ou negativoAnti-HBC positivo |
Paciente foi portadora da
doença Imune |
Seguimento pré-natal
rotineiro |
| Sorologia Positiva
|
AgHBs positivo Anti-HBs
negativo Anti-HBC negativo |
Hepatite Crônica |
Cuidados no Parto
Cuidados com o recém-nascido (imunização
imediata) |
IgG = imunoglobulina
G; IgM = imunoglobulina M
Quanto à
hepatite C, é importante lembrar que aproximadamente
30% dos hemotransfundidos, até há poucos,
anos estavam contaminados por este vírus. Destes
indivíduos, porcentual elevado desenvolve cirrose
hepática e neoplasias. Portanto, o diagnóstico,
particularmente em pacientes submetidas previamente a transfusões
de hemoderivados, deve ser obrigatório, porque o
aspecto preventivo do profissional também deve ser
considerado.
Quais os cuidados em
relação a infecção pelo HIV?
No caso do
vírus da imunodeficiência adquirida humana
(HIV), a transmissão vertical é o ponto
mais crítico. Outro aspecto a ser considerado é
a alta prevalência em algumas regiões (atingindo
2% da população de gestantes). É norma
a pesquisa rotineira do vírus atualmente. O seguimento
pré-natal também obedece a rotina bem específica,
constando de orientações precisas acerca da
doença e dos cuidados a serem prestados tanto na
evolução da gravidez quanto no momento do
parto. O uso de medicamentos anti-retrovirais no momento
do parto e no recém-nascido tem diminuído
a transmissão vertical. Todos os casos de sorologia
positiva para HIV devem ser encaminhados aos ambulatórios
de referência, responsável pela distribuição
das drogas.
Referência
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-
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Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas
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Bethesda MD, USA P10.39, 1999.
Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
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