Saúde de A a Z
     Tudo Sobre Saúde

Alimentos e seus valores

Conheça seus exames

Curiosidades de saúde

DST

Emergências

Especialidades médicas

Farmácia em casa

Genética

Imunização

Medicina alternativa

Medicamentos genéricos

Outras doenças

Por uma vida mais saudável

Prevenção

Problemas comuns

Saúde da criança

Saúde da mulher

Saúde do homem

Saúde mental

Saúde teen

Sexo e drogas

Terceira idade

Vitaminas

Conheça seus exames

Diagnostico laboratorial em alergia e processos de auto-imunidade

O que são as alergias?

São manifestações adversas ao organismo em indivíduos que apresentam reatividade imunologica exagerada a vária proteínas presentes no meio ambiente, em alimentos ou fluidos biológicos liberados durante a picada de insetos com a saliva de mosquitos. Diferentes antígenos podem ser categorizados como alérgenos, bastando apenas a comprovação de que são capazes de induzir a produção de anticorpos da classe IgE e provocar anafilaxia ou alergia após interação com os mesmos dentro do organismo de indivíduos com predisposição a atopia.

Em pacientes atópicos, isto é em indivíduos que apresentam predisposição para desenvolver fenômenos alérgicos, a IgE é a imunoglobulina encontrada em concentrações elevadas, portanto apresenta um valor no diagnostico da alergia , observando-se contudo que nem sempre existe uma correlação positiva entre as mesmas e os sintomas apresentados pelos pacientes. A presença de taxas de IgE sérica acima dos valores de referencia , em crianças com familiares com historia de alergia, tem sido relevante na predição de doenças inflamatórias das vias respiratórias decorrentes da resposta imune frente a alergenos como a rinite perene sazonal não infecciosa e a asma extrínseca.

Como é feita a dosagem de IgE sérica?

Os métodos utilizados são: nefelometria, imunoenzimático (ELISA), ELFA (enzima ligada a um produto fluoresecente), ensaios fluorimétricos e luminométricos.

Quais os tipos de antígenos envolvidos nas de hipersensibilidade tipo I ou mediadas por anticorpos IgE?

As reações de hipersensibilidade tipo I ou mediadas por anticorpos IgE podem envolver diferentes antígenos como pólens de árvores, em ácaros, fungos, pelos e epitélios de espécies variadas de animais domésticos. Também alérgenos alimentares, venenos de insetos resultantes da metabolização podem causar graves reações em indivíduos sensíveis ou atópicos, podendo inclusive levá-los a óbito, por meio de reações anafiláticas graves , quando não são tomadas urgentes medidas médicas.

Quais os procedimentos para a detecção das reações alérgicas?

O diagnóstico clínico da alergia é de fundamental importância no esclarecimento das suas causas, pois através da história clínica do paciente podem ser identificados fatores ambientais ou hábitos alimentares desencadeantes das reações alérgicas.

Contudo, os exames complementares como os teste de provocação e/ou cutâneo, ambos in vivo ou ainda testes in vitro correspondendo aos imunensaios para a detecção e determinação da especificidade de anticorpos IgE séricos e testes de liberação de histamina por basófilos, são de extrema importância para a caracterização da especificidade das reações imunes.

Como são feitos os testes cutâneos para identificação de processos alérgicos?

Os testes cutâneos são efetuados no dorso ou na região do antebraço distante da fossa cubital e do punho, menos comumente pela injeção intradérmica de 20-50 uL de soluções diluídas de alérgenos isolados ou extratos alergênicos ou de forma mais difundida, menos dolorosa e mais segura depositando-se uma pequena gota desses materiais sobre um sitio da pele, seguindo-se a punctura superficial através da mesma por meio de aplicadores plásticos descartáveis e a eliminação da solução antigênica com papel absorvente um minuto apos. No sítio da pele onde foi aplicado o antígeno por qualquer das duas vias, injeção intradérmica ou punctura, os eventos bioquímicos anteriormente descritos são manifestados no indivíduo atópico por edema ou eritema no local de aplicação do alérgeno, cujos diâmetros médios serão medidos apos 15 minutos do inicio da prova. Em geral considera-se nos testes de punctura positivas as reações com pápulas de diâmetros superiores a 3mm aquela verificada com o uso apenas do diluente dos extratos alergênicos.

Quais os critérios para a validação desses testes cutâneos?

Para a validação dos testes cutaneos é necessário:

  • o emprego de extratos ou soluções antigênicas estabilizadas e devidamente padronizadas quanto a potencia.
  • ausência de dermografismo.
  • a inexistência ou a suspensão de tratamentos com medicamentos anti-histaminicos nos dias que antecedem os testes.
  • utilização de controles positivos e negativos (emprego de solução de histamina de 0,01% no teste intradérmico e 1% na prova de punctura) e diluente respectivamente.
  • Cuidado na interpretação dos resultados dos testes cutâneos, pois os resultados positivos são possíveis em indivíduos que não apresentam sintomas clínicos de alergia como também são possíveis reações negativas em pacientes atópicos devido a falta de qualidade dos alérgenos usados.

Quais os testes laboratoriais in vitro utilizados para a detecção de anticorpos IgE?

O RAST (radioallergosorbent test) é um teste onde se utiliza marcadores isotópicos emissores de radiação gama para a detecção de reações sorológicas positivas entre anticorpos IgE e alérgenos covalentemente ligados a contas de Sephadex ou discos de celulose. Com o tempo, os marcadores radioativos foram substituídos por enzimas . Nesses testes são usados curvas de referencia construídas às custas da utilização de ensaios com alérgenos padrões com concentrações de anticorpos IgE cujos resultados são expressos em títulos ou classe de reatividade , geralmente com intervalo entre 0,35 kUI/l e 35 kUI/l.

Quais as vantagens e desvantagens do uso de imunensaio para detecção de anticorpos IgE?

Os imunoensaios para anticorpos IgE são mais vantajosos que os testes cutâneos por não apresentarem nenhum risco para o paciente, oferecendo melhor padronização em termos de qualidade dos antígenos usados, e alta sensibilidade. Porem são menos específicos que os testes cutâneos, exigem maior tempo para a realização do diagnostico assim como são mais dispendiosos em termos de custo.

O que vem a ser as doenças auto-imunes?

As doenças auto-imunes são provocadas por reações do sistema imune contra os componentes do próprio organismo, ou seja existem células que são capazes de reconhecer e atacar os próprios antígenos por perda ou falha da auto tolerância.

Quais os fatores que contribuem para o desenvolvimento das doenças auto-imunes?

As causas que levam ao aparecimento de doenças autoimunes ainda são obscuras, mas fatores genéticos, anormalidades imunológicas, ambientais, agentes infecciosos, hormônios são fatores importantes e cruciais. As doenças auto-imunes podem ser sistêmicas ou órgão-específicas e podem ser causadas por diferentes tipos de antígenos podendo serem mediadas por anticorpos ou por células.

Quais as principais doenças auto-imunes?

São as doenças da tireóide como a doença de Hashimoto, doença de Graves, doenças auto-imunes do sistema nervoso central como a esclerose múltipla, myastenia gravis, doenças auto-imunes do sangue e de vasos sangüíneos como anemia hemolítica auto-imune, púrpura trombocitopenica, síndrome do anticorpo antifosfolipídio, diabete mellitus, doenças auto-imunes sistêmicas como artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico (LES), esclerose sistêmica, doença mista do tecido conjuntivo síndrome de Sjogren.

Quais os tipos de anticorpos que podem ser detectados em LES e outras doenças auto-imunes?

Anticorpos anti-dsDNA são duas populações de auto anticorpos: uma dirigida para DNA de dupla cadeia (dsDNA) e outra para DNA de cadeia única (ssDNA). O anti-ds DNA é o único anticorpo claramente implicado na patogênese de LES com formação de imuncomplexos , deposição renal e inflamação local.

Anticorpos anti Sm e U1-nRNP – esses anticorpos são detectados em 30 a 40% dos pacientes com LES freqüentemente junto com anti-Sm. Testes de ELISA são muito utilizados para a detecção de anti-Sm e anti U1-nRNP, e em paralelo com western blot ou imunodifusão.

Quais os métodos laboratoriais utilizados para a detecção de auto-anticorpos contra antigenos nucleares?

Os diferentes métodos utilizados para a detecção de auto-anticorpos variam bastante em relação a especificidade e sensibilidade. Os testes imunoenzimáticos e de imunofluorescência podem ser 1000 vezes mais sensíveis do que teste de imunodifusão. Os testes de imunofluorescência apresentam alta sensibilidade para a detecção de auto-anticorpos, bastante utilizado para o diagnostico de LES (lúpus eritematoso sistêmico). Outros métodos como imunodifusão dupla (ID), contra imunoeletroforese são também técnicas utilizadas para a determinação de auto-anticorpos. O método immunobloting é sensível e útil na caracterização da natureza específica dos antígenos e dos isotipos dos auto-anticorpos, sendo que esta técnica possibilita a detecção de um anticorpo especifico com o uso de extrato bruto de antígenos celulares A técnica imunoenzimática (ELISA) é mais sensível que imunodifusão, sendo utilizado antígenos nucleares purificados ou recombinantes.

Qual a seqüência adequada de testes para detecção de anticorpos antinucleares visando maior precisão na interpretação dos resultados?

Testes de AAN por IFI (imunofluorescência indireta)

Negativo: Retestar com diferentes substratos para confirmar negatividade. Se persistir negativo, sugestivo de sorologia negativa para doença auto-imune.
Positivo: TÍTULO MODERADO OU ALTO-PADRÃO
Fracamente Positivo: retestar como diferentes substratos. Se confirmar o paciente está sob tratamento e em boas condições de controle do processo. Pode estar ocorrendo uma infecção viral. Paciente com idade avançada.

Classificação dos Padrões de Imunofluorescencia (IFI)

Homogeneo/Periférico: retestar para anti-DNA por IFI para C. Lucillae, ELISA ou WB( Western blotting)

Centromérico: esclerodermia ou síndrome CREST

Nucleolar: normalmente com fluorescência nuclear fraca. Esclerodermia. Retestar por ELISA ou CIE( contra-imunoeletroforese)

Potilhado: Podem ser muitos anticorpos. Retestar por CIE, ELISA, WB para identificar anti U1-RPN, anti-SM, anti-Ro, anti-Pm1, antiKu e anti-Jo1

Negativo: testar para anticorpos anti-histonas, se POSITIVO: LES induzido por drogas artrite reumatóide

Positivo: titulo alto anti-LES.
Titulo baixo, pode ser outra doença auto-imune sistêmica.

Quais os testes utilizados para a determinação das especificidades dos auto-anticorpos?

Os testes de coloração por imunofluorescência ou imunoperoxidase são os métodos básicos para detecção de auto-anticorpos contra antígenos nucleares e citoplasmáticos. Os testes de imunofluorescência são os métodos mais sensíveis para a triagem de auto-anticorpos. Para se detectar a especificidade de cada auto-anticorpo utiliza-se métodos mais precisos como imunonefelométrico quantitativo e testes imunológicos marcados capazes de medir individualmente os auto-anticorpos, reduzindo a incidência de falsos positivos. Outros métodos como immunoblotting e imunoenzimático (ELISA) e radioimunoensaio também podem ser utilizados para detectar quantidades pequenas de auto-anticorpos.. Os testes de ELISA são mais específicos que a IFI (imunofluorescencia) e podem ser utilizados em associação com um dos métodos descritos para confirmação dos resultados.

Referência Bibliográfica

  1. ISHIZAKA K AND ISHIZAKA T Identification of gama E antibodies as a carrier of reaginic activity. J Immunol 99: 1187-1198, 1967.
  2. COSTA JJ; WELLER F AND GALLI SJ The cells of the allergic response JAMA 278:1815-1822, 1997.
  3. VAN DER POUW KRAAN TC; VAN DER ZEE JS ; BOEIJIE LC. et al., The role of IL-13 in IgE synthesis by allergic asthma patients Clin Exp. Immunol 111: 129-135, 1998.
  4. WORM M AND HENZ BM Molecular regulation of human IgE synthesis J. Mol Med 75:440-449-, 1997.
  5. ZEISS CR AND PRUZANSKY JJ Immunology of IgE –mediated and others hypersensitivity states In. PATTERSON R; GRAMMER L AND GREEENBERGER PA Allergic diseases 5 ed. Philadelphia, Lippincott - Raven Publishers, 1997, p 27-39.
  6. PLATTS-MILLS TAE Allergens In FRANK MM; AUSTEN KF; CLAMAN HN AND UNANUE ER (ed) Samter’s Immunologic diseases 5 ed New York Little Brown and Company, 1995 p 1231-1256.
  7. HAMILTON RG AND ADKINSON JR NF Asssesment of human allergic diseases In RICH RR (ed) Clinical Immunology Principles and Practice St Louis Mosby - Year Book Inc, 1996,p 2169-2186.
  8. HAMILTON RG et al. Allergic disease In ROSE NR; MACARIO EC; FOLDS JD; LANE HC AND NAKAMURA RM (ed) Manual of Clinical laboratory Immunology 5 ed Washington ASM PRESS, 1997, p865-915.
  9. HOMBURGER HÁ. Allergic diseases IN HENRY JB( ed) Clinical diagnosis and management by laboratory methods 19 ed. Philadelphia WB SANDERS COMPANY 1996 p.1051-1063.
  10. JEEP S; MULLER AND KUNKEL G. Honeybee venom allergy: immunoblot studies in allergic patients after immunoterapy and before sting challenge Allergy: 51:540-546,1996.
  11. QUAN S. Allergy In GOSLING JP AND BASSO LV (ed) Immunoassay Laboratory analisys and clinical application Newton, Nbutterworth - Heinemann , 1994p 249-256.
  12. GRABAR Autoantibodies and the physiological role of immunoglobulins Immunol Today 4:337, 1983.
  13. Arthritis Foundation : CDC ANA reference laboratory Immunology Branch 1202 A 25 - Center for disease Control - Atlanta GA 30333, USA
  14. UTIYAMA SRR; RADOMINSKI SC; DOI EM ;MOURA M.L.; IWANKIW LA. Use of different substrats for ANA detection in systemic rheumatic disease. Rev. Bras Reumatol 35:11, 1995.
  15. NAPARSTEK Y. The role of autoantibodies in autoimmune disease. Ann Rev Immunol 11:79,1993.
  16. AHMED A ;PENHALE W J ; TALAL N Sex hormones,immune response and auto-immune disease Am J. Pathol; 121: 531, 1985.
  17. TOMER Y ; DAVIES T Infection thyroid disease and autoimmunity Endocrine Reviews 14:107, 1993.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


A LINCX Sistemas de Saúde possui todos os direitos autorais dos artigos e imagens publicados neste portal