Dietas com baixo e alto
teor de carboidratos
Existem
carboidratos “bons” e carboidratos “ruins”?
Historicamente,
nutricionistas sempre apoiaram a noção de
que não há comida ruim – tudo pode ser
comido com moderação. Mas alguns alimentos
não oferecem benefício nutricional, apenas
calorias. O açúcar é um exemplo. Além
das calorias, não há razão nutricional
para consumir açúcar. Portanto, pode ser rotulado
de carboidrato “ruim”. Por
outro lado, os cereais – como massa a base de trigo,
arroz integral e aveia – fornecem muitas vitaminas
e minerais, fibras, e outras substâncias que ajudam
você a ficar saudável. Isso os coloca na categoria
de carboidratos “bons”.
Mas você
deve controlar o quanto come e sempre checar suas porções.
Muita quantidade de qualquer alimento, incluindo cereais,
pode fornecer calorias em excesso. E calorias em excesso,
de qualquer tipo de fonte, leva ao ganho de peso.
Qual
é a teoria por trás de dietas com pouco carboidrato?
A teoria é
que os carboidratos aumentam a taxa de açúcar
no sangue, o que resulta em insulina. A insulina leva o
açúcar do sangue até as células
e previne o esgotamento de gordura no corpo, o que significa
que você não vai queimar a gordura em excesso
e perder peso.
Aqueles que
apoiam essa dieta vão um pouco mais adiante. Eles
dizem que, se os carboidratos aumentam as taxas de açúcar
e insulina no sangue e causam o ganho de peso, um decréscimo
nos carboidratos resultará em taxas menores de açúcar
e insulina levando à perda de peso. E por não
estar comendo carboidratos, seu corpo queima gordura armazenada
para produzir energia. Algumas pessoas perdem peso com a
dieta de pouco carboidrato, mas é provável
que o emagrecimento não esteja relacionado às
taxas de açúcar e insulina no sangue. A perda
de peso é provavelmente o resultado da ingestão
de menos calorias totais, sejam de carboidratos, gorduras
ou proteínas.
Então
por quê as dietas de pouco carboidrato funcionam?
Três
fatores contribuem para a perda de peso a partir de dietas
de pouco carboidrato:
- Perda
de peso de água. O emagrecimento inicial é
desse tipo. Ao comer menos carboidratos, seu corpo queima
as gorduras e carboidratos armazenados (glicogênio)
para obter energia. Quando seu corpo queima glicogênio,
a água é liberada, e você perde peso.
- Diminuição
de apetite. Queimar gorduras sem a presença
de carboidratos cria subprodutos chamados cetonas que se
formam na sua corrente sangüínea (cetose). Quando
em estado de cetose, muitas pessoas pensam estar com menos
apetite ou menos vontade de comer. Mas a cetose prolongada
pode esgotar as reservas minerais dos ossos, fazendo com
que se tornem porosos e quebradiços.
- Calorias
reduzidas. A maioria das dietas de pouco carboidrato
reduz a ingestão total de calorias porque a dieta
delimita um grupo de alimentos. E quando você consome
menos calorias do que precisa, você perde peso.
Se você
comer certas combinações de alimentos –
por exemplo, alimentos com muita gordura, muita proteína
e carboidratos – você vai perder peso mais rápido?
Não há nada de especial sobre certos alimentos
ou combinações. Uma caloria é uma caloria,
não importa quando ou como é consumida.
Quais
são os riscos, a longo prazo, de dietas de pouco carboidrato?
Ninguém
sabe os efeitos das dietas de pouco carboidrato a longo
prazo. Embora alguns estudos tenham observado os benefícios
e riscos, nenhum foi conduzido por tempo suficiente para
mostrar se essas dietas aumentam o risco de algumas condições
que se desenvolvem ao longo de anos, como doença
de coração, câncer, e problemas nos
rins ou nos ossos.
Qual
a diferença entre índice glicêmico e carga
glicêmica?
Índice
glicêmico é uma medida do grau em que um alimento
específico – equivalente a 50 gramas de carboidratos
– aumenta sua taxa de açúcar no sangue.
Batatas aumentam a taxa de açúcar no sangue
mais rápido que maçãs, por exemplo.
Então as batatas ganham um alto índice glicêmico,
e as maças, um baixo. Mas o índice não
conta a quantidade de comida que você come normalmente
por refeição.
A carga glicêmica
é a medida de quanto um alimento específico,
numa refeição, aumenta a taxa de açúcar
no sangue. Por exemplo, o índice glicêmico
das cenouras é bastante alto. Mas a quantidade de
carboidratos em cenouras para uma refeição
– cerca de meia xícara – é baixa.
Então cenouras têm alto índice glicêmico,
mas com baixa carga glicêmica.
| Comparação
de índice glicêmico e carga glicêmica
em certos alimentos |
Alimento |
Índice
Glicêmico |
Carga
Glicêmica |
| Maçã |
40 |
6 |
| Batata assada |
85 |
26 |
| Arroz integral |
50 |
16 |
| Cenouras |
92 |
5 |
| Cereal de milho |
92 |
24 |
| Suco de laranja |
50 |
13 |
| Pão puro |
72 |
25 |
| Batata chips |
54 |
11 |
| Bolo industrializado |
54 |
15 |
| Açúcar refinado
(sucrose) |
58 |
6 |
Adaptado da
Tabela Internacional de Índice Glicêmico (International
Table of Glycemic Index), 2002
| Séries
para índice glicêmico (IG) e carga glicêmica
(CG) |
|
Índice
Glicêmico |
Carga
Glicêmica |
| Alto |
70
ou mais |
20
ou mais |
| Médio |
56
- 69 |
11
- 19 |
| Baixo |
55
ou menos |
10
ou menos |
Fonte: www.glycemicindex.com
O índice
glicêmico pode ajudar a perder peso?
A teoria por
trás das dietas de baixa glicemia é similar
à teoria das dietas de pouco carboidrato: alimentos
com alto índice glicêmico aumentam as taxas
de açúcar e insulina no sangue e causam ganho
de peso. Então, se comer alimento com baixo índice
glicêmico, você vai baixar suas taxas de açúcar
e insulina no sangue e perderá peso. Embora algumas
pessoas realmente percam peso com essas dietas, essa teoria
não foi cientificamente comprovada.
Você
pode encontrar problemas potenciais com uma dieta que enfatiza
a ingestão apenas de alimentos com baixo índice
glicêmico. Há muitos fatores que pesam, enquanto
o açúcar do seu sangue aumenta, incluindo
idade e peso. E as pessoas normalmente não comem
apenas um alimento por vez, mas sim, uma combinação
de alimentos que são parte de refeições,
que afetam a taxa de açúcar no sangue de modos
diferentes. Além disso, a quantidade de certos alimentos
que você come e como esse alimento é preparado
têm efeitos variáveis nas taxas de açúcar
do sangue.
Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
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