Alimentação
preventiva
Uma
alimentação saudável pode não ser tão fácil quanto parece.
Uma edição da revista Science afirma que a população das nações
industrializadas comumente tem uma dieta deficiente, sem as
necessidades mínimas diárias de micronutrientes (vitaminas
e minerais), apesar de ser rica em calorias e bastante variada.
O
mais assustador acontece nos países em desenvolvimento, nos
quais a dieta não apresenta uma quantidade básica de macronutrientes
- carboidratos, gorduras e proteínas - e micronutrientes,
de acordo com o estudo.
Além
dos macronutrientes e das 13 vitaminas e 17 minerais essenciais
para a saúde humana, algumas substâncias naturais (chamadas
fitossubstâncias) de plantas estão recebendo atenção crescente
de pesquisadores que tentam estabelecer conexões entre a dieta
e as doenças.
As
fitossubstâncias (da palavra grega phyto, que significa planta)
não são como as vitaminas e minerais, uma vez que não possuem
valor nutricional. Algumas, como o digital (extraído de uma
planta chamada dedal) e a quinina, têm sido utilizadas há
séculos como remédios no tratamento de doenças. Outras funcionam
como antioxidantes, protegendo as células dos efeitos da oxidação
e dos radicais livres do organismo. Recentemente, elas foram
reconhecidas como agentes potencialmente protetores contra
algumas doenças e condições, desde algumas formas de câncer
até o envelhecimento.
"Nós
sabemos há muito tempo que determinados alimentos podem melhorar
a saúde e diminuir o risco de certas doenças", diz Jennifer
Nelson, um especialista em dietas da Mayo Clinics. "Isso é
válido especialmente para os alimentos vegetais. O mais interessante
é que nós estamos descobrindo que estas comidas são ricas
em compostos que ajudam a saúde do organismo, e estamos compreendendo
como eles são utilizados do ponto de vista celular. Esse fato
traz um novo significado para a afirmação: 'Você é o que você
come'."
|
Fitossubstâncias |
|
Família |
Principais
Fontes Alimentares |
|
Alil
sulfetos |
Cebola,
alho, cebolinha, alho-poró |
| Indóis |
Vegetais
como o brócolis, repolho, e couve-flor |
|
Isoflavonas
|
Soja
(tofu, leite de soja) |
| Ácidos
fenólicos |
Tomates,
frutas cítricas, cenoura, grãos integrais, nozes |
|
Polifenóis |
Chá
verde, uva, vinho tinto |
| Saponinas |
Feijão
e legumes |
|
Terpenos |
Cereja,
cascas de frutas cítricas |
Câncer, frutas e vegetais
Desde
o começo dos anos 70, pesquisadores em todo o mundo têm
evidenciado que pessoas com dieta rica em frutas e vegetais
apresentam menor incidência de câncer. Observou-se ainda
algum efeito protetor de outros alimentos vegetais, como
nozes, grãos e sementes. Mas a evidência mais forte sugere
que a alimentação rica em frutas e vegetais pode diminuir
o risco de desenvolvimento de alguns tipos de câncer.
Por
exemplo, investigadores descobriram que o perilil álcool,
encontrado em cerejas e na lavanda, leva à regressão de
tumores pancreáticos em animais de laboratório. O limoneno,
encontrado nas cascas de frutas cítricas, impede o desenvolvimento
de tumores da mama e induz a regressão de tumores em animais
de laboratório.
Os
trabalhos recentes que associam as fitossubstâncias e a
diminuição do risco de câncer incluem:
-
Um
estudo de Harvard mostrando que dietas ricas em vegetais,
como o brócolis e o repolho, podem reduzir o risco de
câncer de bexiga em homens.
-
Outro estudo de Harvard mostrando que dietas contendo
cinco ou mais porções de frutas e vegetais por dia parecem
diminuir o risco de câncer de mama entre mulheres pré-menopausa
que têm história familiar da doença ou que ingerem quantidade
moderada de bebida alcóolica.
-
Uma
revisão publicada pelo National Cancer Institute relatando
uma redução no risco para uma variedade de cânceres entre
os indivíduos que consomem freqüentemente tomates e derivados.
-
Uma pesquisa publicada no British Medical Journal conduzida
pelo World Cancer Research Fund concluindo que dietas
ricas em frutas e vegetais e pobres em carnes protegem
contra o câncer de mama, próstata e intestino, dentre
outros.
"Embora
estejamos identificando um número significativo de compostos
vegetais e seus papéis no combate a doenças, há um consenso
que diversos alimentos integrais - não suplementos - devem
ser nossa fonte de fitossubstâncias e outros compostos
importantes para a saúde", diz Nelson.
Fitossubstâncias e saúde cardiovascular
As fitossubstâncias também podem ajudar o coração. Estudos
epidemiológicos recentes sugerem que uma dieta rica em frutas
e vegetais resulta em uma redução no risco de doença cardiovascular,
que não pode ser atribuído aos macronutrientes ou vitaminas
e minerais conhecidos.
De
acordo com uma revisão feita pela American Heart Association
(AHA), três classes de compostos encontrados nas frutas
e vegetais - esteróis, flavonóides, e compostos contendo
enxofre - podem ser importantes na redução do risco de aterosclerose
(estreitamento das artérias).
-
Os esteróis são um grupo de lipídios (substâncias semelhantes
à gordura) encontrados no organismo. O mais comumente
encontrado no tecido humano e animal é o colesterol,
parte essencial das membranas celulares. Ele é tão importante,
especialmente para os neurônios, que o organismo produz
seu próprio suprimento. O colesterol circula no sangue
em partículas chamadas lipoproteínas. Os pesquisadores
relacionaram certos tipos dessas partículas à aterosclerose,
a principal causa de ataques cardíacos e derrames. A
aterosclerose também contribui para a hipertensão e
a impotência. Os esteróis vegetais (fitoesteróis) e
o colesterol, da carne vermelha e outras fontes alimentares,
competem pela absorção durante a digestão. Dessa forma,
grandes quantidades dos esteróis vegetais diminuem a
quantidade de colesterol absorvida da comida, podendo
ter um efeito protetor.
-
Os
flavonóides têm estruturas químicas variadas e são encontrados
nas frutas, vegetais, nozes e sementes. Alguns têm mostrado
efeito antioxidante, impedindo as lesões celulares causadas
por radicais livres. Outros tornam as células sangüíneas
menos "pegajosas", diminuindo a ação das plaquetas.
As principais fontes incluem o vinho tinto e os produtos
da soja (isoflavonas).
-
Compostos com enxofre que ocorrem naturalmente podem
reduzir o colesterol e, dessa forma, diminuir a aterosclerose.
Sendo encontrados na cebola, alho e no alho-poró, essas
substâncias têm sido utilizadas como remédios há bastante
tempo. O óleo do alho ou o dente de alho se mostraram
eficazes em reduzir a quantidade de lipídios e a pressão
sangüínea. De acordo com a AHA, nem todas as suas ações
são compreendidas e mais estudos são necessários em
relação à bioquímica e farmacologia dessas substâncias
Obesidade
e diabetes
A
obesidade é um fator de risco para alguns tipos de câncer,
doença cardiovascular e para o diabetes tipo 2, também chamado
diabetes mellitus não-insulino dependente (DMNID) ou diabetes
com aparecimento na idade adulta.
Os
altos níveis de açúcar no sangue do diabetes (hiperglicemia),
a longo prazo, pode causar lesões no organismo. A doença
fora de controle pode levar à cegueira, doença renal, lesão
nervosa (neuropatia), aterosclerose, hipertensão arterial,
ataque cardíaco e derrame.
Pesquisadores observaram que determinados carotenóides -
compostos vegetais com propriedades antioxidantes - podem
proteger contra o desenvolvimento do diabetes tipo 2. Os
estudos também demonstraram que a manutenção de um peso
adequado através de uma dieta com calorias limitadas e rica
em frutas e vegetais pode reduzir o risco de desenvolvimento
do diabetes.
Recomendações
alimentares
Recomendações
efetivas na prevenção da doença coronariana, câncer, obesidade
e diabetes.
Para 2 entre cada 3 adultos que não fumam e não bebem excessivamente,
uma escolha pessoal parece influenciar a saúde a longo prazo
mais que qualquer outra coisa - o que nós comemos.
As
recomendações incluem:
-
Encontre
um equilíbrio entre o que você come e a sua atividade
física. Mantenha ou melhore o seu peso.
-
Escolha uma dieta rica em grãos, vegetais e frutas.
- Mantenha
uma dieta pobre em gorduras, gordura saturada e colesterol.
- Escolha
uma dieta moderada em açúcares.
- Escolha
uma dieta moderada em sal e sódio.
- Se
você ingerir bebidas alcóolicas, beba com moderação.
Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
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