HTLV 1 e 2
Outros retrovírus,
diferentes do HIV, podem infectar o ser humano
Recentemente,
têm sido feitas muitas perguntas relativas a um vírus
chamado HTLV. De forma geral, essas perguntas são
feitas por pessoas que doaram sangue e tiveram o dissabor
de ser informados de que tinham anticorpos contra o HTLV
e, por isso, seu sangue não poderia ser aproveitado.
Pela semelhança com o antigo nome do HIV (HTLV-III),
essa informação causa muito medo e ansiedade.
Por ser um conhecimento relativamente recente, poucos profissionais
estão habilitados a fornecer mais informações
a respeito desse vírus e tranqüilizar as pessoas.
O que é HTLV?
Existem centenas
de vírus que pertencem à família dos
retrovírus: o HIV-1 e o HIV-2 (que causam AIDS),
o SIV (de macacos), o FLV (de gatos), o BLV (de bovinos)
e o HTLV-1 e HTLV-2. Todos eles pertencem à mesma
família de vírus, porém causam doenças
completamente diferentes. Dentre os vírus dessa família
que infectam os seres humanos, temos o HTLV 1 e 2.
Esses vírus
se transmitem pelo contacto com sangue (seja por transfusão
de sangue ou por injeção de drogas de abuso),
pela via sexual e pela amamentação. Diferentemente
do HIV, apenas 1 a 5 % das pessoas que têm exame de
sangue positivo (anticorpos anti-HTLV 1 ou 2) poderão
ter alguma doença ligada a esses vírus. Os
demais, 95 a 99% dos positivos, não terão
qualquer doença.
Como se pode saber se
uma pessoa tem infecção pelo HTLV 1 ou 2?
Desgraçadamente,
os nomes dos testes são iguais àqueles usados
para HIV e, parte dos problemas passa por aí. Inicialmente,
faz-se o teste de ELISA, porém, o teste de ELISA
é dirigido contra o HTLV. Isso é, apenas o
tipo de teste é semelhante, porém, o anticorpo
que ele detecta é específico para HTLV. Uma
vez que a pessoa é positiva no teste de ELISA, há
necessidade de se confirmar com um teste adicional. Novamente
aqui, há uma coincidência de nomes e o teste
confirmatório se chama Western-blot. Trata-se, entretanto,
do Wetern-blot específico para HTLV e não
tem nada a ver com o teste do mesmo que se aplica para HIV.
Aquelas pessoas
que tiverem o Western-blot positivo e fizerem parte do pequeno
grupo de 1 a 5 % daqueles que vão ficar doentes poderão
ter uma forma nervosa da doença (forma neurológica)
ou uma alteração no sangue (forma hematológica).
Como saber quem ficará
doente?
Há necessidade
de se fazer um seguimento clínico (clínico
geral, hematologista neurologista ou infectologista) por
muitos anos, para se perceber alguma alteração
ao exame.
Em resumo,
trata-se de vírus que pertence ao mesmo grupo dos
HIV e que é transmitido de forma semelhante. O diagnóstico
laboratorial se faz empregando exames que têm o mesmo
nome dos testes empregados na AIDS (ELISA e Western-blot),
porém, que são próprios (diferentes)
daqueles empregados para o HTLV. Raramente uma pessoa infectada
pelo HTLV (ELISA e Western-blot positivos) vai ficar doente.
Como essas
informações são recentes dentro da
Medicina, nem todos os profissionais têm conhecimento
detalhado para dar detalhes sobre essa doença. O
fato do exame ser aplicado em doadores de sangue, habitualmente
saudáveis, revelou um certo número de pessoas
(5 em cada 1000 indivíduos) que se encontra infectada,
porém saudável. É importante, entretanto,
identificar essas pessoas contaminadas porque, embora possam
não ser doentes, podem contaminar outras pessoas
com as quais venham a ter contacto (pela via sexual, pela
amamentação ou pelo compartilhamento de agulhas
e seringas).
Fonte: Dr.
Celso Granato
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