Atualização
do diagnóstico da infecção pelo HPV
Como
o HPV pode ser diagnosticado?
O diagnóstico do HPV pode ser feito através de exames
colpocitológico e histológico. São exames que
detectam com sensibilidade razoável (80%) a infecção pelo
HPV, tornando-se possível evidenciar lesões ou neoplasias
intraepiteliais ou carcinomas do trato genital. O diagnóstico
de certeza é feito através de biópsia da área suspeita Além
desses exames, existem métodos diagnósticos utilizando técnicas
de biologia molecular como hibridização in situ,
captura híbrida, PCR e o exame imunohistoquímico
que podem auxiliar no diagnostico clínico e terapêutico,
principalmente nos casos de citologia indeterminada e lesões
colposcópicas ou peniscópicas que mostrem alterações sugestivas
da infecção viral, sem evidências de neoplasia intraepitelial
já desenvolvida.
Exame
colpocitológico e histológico
O
exame colpocitológico consiste de teste de screening
utilizado primariamente na detecção de lesões epiteliais
escamosas. No entanto o diagnóstico não é definitivo, isto
é, um esfregaço referido como sendo "dentro dos limites
da normalidade" não garante que a paciente não tenha nenhuma
lesão epitelial. Significa apenas que, naquela amostra,
não foram identificadas células alteradas, talvez ausentes
por falha na coleta, ou falhas no screening, devido
a um pequeno número de células anormais ou células anormais
de tamanhos pequenos nas amostras, devendo ser lembrado
o caráter subjetivo de interpretação do citodiagnóstico.
Apenas pacientes com 3 exames colpocitológicos anuais consecutivos
com resultado negativo ("classe I" - sem alterações inflamatórias
de qualquer natureza) podem ser acompanhadas com maior tranqüilidade
e maiores intervalos entre os exames, desde que não haja
nenhuma alteração subseqüente. O clínico deve valorizar
as alterações citológicas, pois há uma estreita relação
destas com presença de lesões colposcópicas.
Recentes
relatos mostram que cerca de 10% dos pacientes com alterações
citológicas indeterminadas irão desenvolver lesões intra-epiteliais
de alto grau, portanto, é necessário que estas pacientes
sejam submetidas a acompanhamento clínico e colposcópico,
com biópsia dirigida e, eventualmente curetagem do canal
endocervical.
Hibridização
molecular in situ
O
método consiste na detecção de seqüências específicas de
DNA ou RNA do HPV em cortes de tecido ou preparados citológicos
utilizando-se uma seqüência complementar de ácidos nucléicos
marcada com cromógeno (probes ou sondas).Sob condições
apropriadas, ocorre a hibridização (através do estabelecimento
de pontes de hidrogênio) da sonda com a seqüência-alvo do
DNA viral, que pode ser visualizada através de marcadores,
que são ligados às sondas. Hoje é bastante utilizado um
método de amplificação dos sinais de detecção que aumenta
a sensibilidade da hibridização in situ em cerca
de 100 a 1.000 vezes, sendo mais rápida e mais simples,
com melhor preservação da morfologia e melhor reprodutibilidade,
tornando possível a detecção de apenas uma cópia viral por
célula. .A grande vantagem da hibridização in situ
é a possibilidade de se fazer correlação com os aspectos
morfológicos/histológicos das lesões, sem necessidade fixar
o material em meios especiais, permitindo a análise de biópsias
ou peças cirúrgicas coletadas e fixadas em formol a 10%,
material congelado, cultura de células, material de arquivo
(blocos de parafina), ou preparados citológicos. A hibridização
in situ com sondas biotiniladas permite a detecção
e localização de seqüências de ácidos nucléicos do HPV em
material citológico e histológico.
As
reações em cadeia da polimerase (PCR), captura híbrida e
SSCP (single strand conformation polymorphism) também permitem
a amplificação de pequeno número de cópias virais, porém
é necessário se fazer a destruição dos tecidos para a extração
do DNA, impossibilitando se fazer uma correlação com os
aspectos histológicos. Nos preparados citológicos, a amostra
deve ser coletada em lâminas preparadas com um tipo especial
de adesivo (silane) ou em lâminas eletricamente carregadas,
para não ocorrer destacamento das células durante os diversos
passos das reações. Outra vantagem da hibridização in
situ é que ela permite diferenciar os tipos de HPV de
acordo com seu potencial oncogênico. Abaixo, a tabela mostra
os principais tipos de sondas utilizadas.
| Tipo
de sonda |
Tipo
de HPV |
| Sonda
de amplo espectro ( pool) |
6,
11, 16, 18, 30, 31, 33, 35, 45, 51, e 52 |
| Sondas
parciais |
detectam,
separadamente os tipos de HPV |
| Sondas
de baixo risco |
6
e 11 |
| Sondas
de alto risco |
16
e 18 |
| Sondas
de risco intermediário |
31,
33 e 51. |
É
importante salientar que em alguns casos, pode haver positividade
apenas com a sonda de amplo espectro e negatividade para
as sondas parciais, o que significa que está presente um
dos tipos de HPV que não aqueles discriminados pelas sondas
parciais.
Há
três padrões morfológicos dos sinais encontrados na reação
de hibridização in situ: o padrão difuso corresponde
à forma epissomal ou não integrada ao DNA do genoma da célula
hospedeira; o padrão em dot corresponde à
forma integrada do DNA viral; a forma mista se refere
ao DNA do HPV em suas formas epissomal e integrada ao genoma
da célula hospedeira.
Captura
híbrida
A
captura híbrida utiliza sondas de RNA específicas para 18
dos 30 tipos de HPV que mais freqüentemente acometem o trato
genital, com formação de "híbridos" DNA:RNA. Inicialmente
o DNA das amostras (preparados citológicos, biópsias ou
fragmentos de tecido a fresco ou em meio de transporte ou
armazenamento específicos) é extraído e a captura dos híbridos
é feita numa microplaca com micropoços revestidos por anticorpos
anti-híbridos DNA:RNA. Adiciona-se um segundo anticorpo
ligado a fosfatase alcalina, que liga-se ao híbrido e um
substrato quimioluminescente, gerando-se luz, proporcional
à quantidade de híbridos inicialmente formados, detectada
por um luminômetro. Os tipos detectados são divididos em
2 grupos: Grupo de baixo risco: 6/11/42/43/44; Grupo
de risco intermediário/alto: 16/18/31/33/35/39/45/51/52/56/58/59/68.
A luz emitida é medida como unidade de luz relativa (RLU)
no luminômetro, e sua intensidade em relação ao valor do
cut off denota a presença ou ausência do DNA HPV
nas amsotras.
Como
a maioria das infecções pelo HPV não necessariamente provoca
o desenvolvimento de câncer cervical, a positividade dos
testes de detecção do DNA viral pode ocasionar tratamentos
desnecessários em populações com baixa prevalência de câncer
cervical, implicando em gastos para os pacientes. Portanto,
mesmo após um resultado positivo dos testes de detecção
do DNA HPV, o diagnóstico definitivo das lesões intraepiteliais
escamosas só é possível após o exame colpocitológico ou
exame histológico do material das biópsias colposcópicas.
Reação
da polimerase em cadeia (PCR)
A
reação da polimerase em cadeia (PCR) é uma técnica que amplifica
segmentos específicos de DNA do vírus do HPV, através da
desnaturação por calor, pareamento com primers específicos
e polimerização com enzimas (DNA-polimerase), gerando-se
milhões de fragmentos idênticos ao do DNA investigado, o
que determina a grande sensibilidade do método. A PCR é
um método mais trabalhoso, demorado e dispendioso, sendo
mais utilizado em centros de pesquisa.
Exame
imunohistoquímico
O
exame imunohistoquímico detecta o revestimento protéico
das partículas virais do HPV, sendo utilizados anticorpos
policlonais contra antígenos específicos aos vários tipos
de HPV. Apresenta alta especificidade, porém detecta somente
os vírus na forma epissomal, isto é, não integrado ao genoma
do hospedeiro, predominante nas lesões de baixo grau. A
sensibilidade é menor quando há integração do genoma viral
ao da célula hospedeira, como nos casos de lesões intraepiteliais
de alto grau, carcinomas epidermóides invasores e adenocarcinomas,
Comercialmente estão disponíveis anticorpos policlonais
para vários tipos de HPV (pool ou anticorpo de amplo
espectro) e anticorpos específicos que discriminam os tipos
6, 11 e 18 e apenas o tipo 18, isoladamente. Devido à sua
baixa sensibilidade, a técnica de imunohistoquímica não
é o método de escolha para o diagnóstico da infecção pelo
HPV.
Não
existe comprovação até o momento, de que os novos métodos
de diagnóstico de infecção pelo HPV, possam substituir com
vantagem a colpocitologia oncótica, exame já consagrado
por várias décadas de uso, e que efetivamente contribuiu
para a importante queda da mortalidade do câncer cervical.
Existe
tratamento para o HPV?
Sim
e o tratamento do HPV é por destruição química ou física
das lesões sempre indicado e realizado por médico especialista.
As
recidivas são freqüentes, mesmo com o tratamento adequado.
A
escolha do método de tratamento depende do número e da topografia
das lesões, assim como da associação ou não com neoplasia
intra-epitelial. Alguns dos procedimentos para o tratamento
de infecção pelo HPV são a criocirurgia (tratamento feito
com um instrumento que congela e destrói o tecido anormal);
laser (utilizado em alguns tipos de cirurgia para cortar
ou destruir o tecido onde estão as lesões), CAF (feito com
um instrumento elétrico remove e cauteriza a lesão); ATA
(ácido aplicado pelo médico diretamente nas lesões); conização
(um pedaço de tecido em forma de cone é retirado com o auxílio
do bisturi), medicamentos (que melhoram o sistema imune
do indivíduo).
A
eficiência do tratamento depende de diversos fatores como
a idade da paciente; local e o número de lesões; estado
nutricional.
Quais
as medidas de prevenção?
Por
ser o principal causador do câncer do colo uterino, o HPV
precisa ser descoberto o quanto antes.
Por
isso, é recomendável fazer exames preventivos anualmente.
Como
em qualquer doença transmitida pelo sexo, é preciso que
se tomem alguns cuidados como:
-
Abstinência sexual durante o tratamento
-
Manter
cuidados higiênicos;
-
Ter
parceiro fixo ou reduzir o número de parceiros;
-
Usar
preservativos durante toda a relação sexual;
-
Visitar regularmente seu ginecologista para fazer todos
os exames de prevenção.
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Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
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