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Sexo e envelhecimento

Em nossa sociedade existem muitos mitos com relação a envelhecimento e sexo. É comum as pessoas mais velhas serem vistas como rígidas, incapazes, depressivas, hipocondríacas, improdutivas e desocupadas. Face a esses estereótipos, não admira que os idosos possam ser considerados até assexuados (Por que essas pessoas fariam sexo?). Em vista disso, nosso objetivo é, através da informação, quebrar tabus e corrigir conceitos errados sobre o homem idoso diante de sua sexualidade. Compreendendo o que acontece com o seu corpo, ele pode adaptar-se muito bem e tranqüilamente às mudanças que se passam em seu organismo, preservando o direito de praticar sexo e ter intimidade com a (o) sua (seu) parceira (o) sem deixar-se levar por critérios falsos como modelo de desempenho na idade mais avançada.

O que muda na resposta sexual do homem idoso

O tempo para uma ereção completa

A principal mudança nessa resposta sexual se dá na velocidade com que a ereção ocorre. Acostumado a ter uma ereção rápida ( como aos 20, 30 e possivelmente também aos 40 anos), a idéia de uma ereção surgindo lentamente ( demorando minutos em vez de segundos para ser notada) é assustadora e frustrante. O não entendimento disso como sendo um processo fisiológico normal, similar ao nascimento de cabelos brancos, por exemplo, pode levar o homem a um quadro de ansiedade de desempenho e torná-lo responsável pelo seu insucesso sexual. Muitos idosos procuram tratamento médico visando a mesma ereção de antigamente (alta expectativa de desempenho). Porém, se não forem devidamente informados da mudança fisiológica natural que acontece, acabam se frustrando mais uma vez, abandonam o tratamento ou então se tornam dependentes psíquicos de drogas vasoativas empregadas na disfunção sexual, as quais têm suas indicações somente quando adequadas a cada um. Contudo, pior do que isso, é aquele indivíduo que nem tratamento procura, já se conformando com a idéia de uma vida assexuada.

É importante deixar claro que nesse aspecto da ereção, a mudança se dá no tempo em que ela aparece, e não na tumescência peniana. O que realmente interfere no fato do indivíduo não apresentar uma boa ereção é a ansiedade que surge pela desinformação desse processo de mudança no mecanismo de ereção. É preciso passar este conhecimento para o idoso.

Sensibilidade do pênis

Uma vez discutida a lentidão da resposta erétil do homem que envelhece, é relevante destacar que existe outra realidade fisiológica sobre a ereção. É que alguns homens afirmam perceber uma leve perda da sensibilidade tátil quando o pênis fica ereto. Realmente isso acontece, em função da mudança no processo da condução pelos terminais nervosos da pele peniana, o que é próprio da idade.

Alteração na quantidade de esperma

Com o envelhecimento, costuma diminuir a quantidade do sêmem formado nas glândulas genitais do homem. Como o volume dessas secreções diminui, menos fluidos vão ser ejaculados através da uretra. Como conseqüência, a ejaculação - que vem logo em seguida ao orgasmo - vai diminuir e tornar-se naturalmente menos vigorosa. O idoso necessita compreender isso.

Correto entendimento da ejaculação e do orgasmo

Convém saber diferenciar ejaculações de orgasmo no homem. Ejaculação nos homens é o ato ou efeito de ejacular, isto é, eliminar pela uretra- geralmente em jato- os líquidos elaborados nas glândulas genitais masculinas. Habitualmente esse fenômeno da expulsão do sêmem se processa logo após o orgasmo, quer dizer, sucede o gozo do indivíduo. De modo que a ejaculação e o orgasmo não são palavras sinônimas. A sensação do orgasmo, isto é, do ápice sexual, se acha qualificada como a maior emoção no sentido do prazer que o ser humano pode sentir. Quando ele diminui no homem idoso é por causa ou de fatores predominantemente emocionais ou em virtude de alterações neuro-vasculares ou arteriais que surgem na velhice.

Menor necessidade de ejacular

Com o avanço da idade, o organismo se encarrega de reduzir a necessidade da ejaculação. Assim é que um homem que ejaculava 2 vezes por semana aos 60 anos, por exemplo, poderá ejacular só uma vez por mês aos 75, embora nessa idade possa continuar a ter sua atividade sexual com a mesma freqüência de antes.

Aumento do tempo entre uma ereção e outra após a ejaculação

Outra mudança na resposta sexual do idoso diz respeito ao intervalo para uma nova ejaculação com ereção (período refratário). A pessoa com 50 anos pode apresentar uma nova rigidez do pênis depois só de algumas horas após ejacular, ao passo que o período refratário daquelas com 70 ou 80 anos de idade tende a ser normalmente espaçado para dias e não horas. Isso precisa ser explicado e aceito pelos homens mais velhos.

Fertilidade

Diferentemente da mulher, a capacidade de reproduzir do homem não é perdida com a diminuição do volume do esperma. Também não é demais saber que com a idade, o organismo tende a produzir menos testosterona, o hormônio masculino. Teoricamente, isso levaria o indivíduo a um menor desejo sexual. Mas necessariamente não é isso o que ocorre. A libido não muda obrigatoriamente, porque na questão do desejo em seres humanos, os fatores psico-sociais são muito mais significativos do que pequenas mudanças na produção hormonal. Então, o homem de 65 anos ou mais continua fértil.


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