Algumas características
das doenças dos idosos são essencialmente diferentes daquelas dos indivíduos
jovens.
A primeira condição a ser
considerada é a multiplicidade de doenças que coexistem no idoso. Dada a progressiva
perda funcional, diversos órgãos e sistemas podem apresentar alterações que
se vão se somando em diversas doenças crônicas ao mesmo tempo, situação que
deve ser sempre considerada pelo médico que vai tratar a pessoa idosa. Assim,
um jovem com pneumonia ao procurar o médico geralmente tem só pneumonia, a qual,
tratada, resolve o problema do paciente; já um idoso com pneumonia, freqüentemente
têm associados problemas como diabete melito, hipertensão, artrose, problemas
coronários, etc. Assim, ao diagnosticar e tratar da pneumonia o médico não pode
esquecer de todas estas outras doenças concomitantes e de como o diagnóstico
de uma pode interferir com o das outras e o tratamento de uma pode interferir
nas demais. Sabe-se atualmente, do ponto de vista estatístico, que um paciente,
acima dos 65 anos de idade, ao procurar o médico, tem, em média, 3 doenças diferentes.
É do próprio conhecimento popular esta multiplicidade de doenças. Todos conhecemos
idosos que têm diabete, hipertensão e artrite ou varizes, bronquite e angina
e assim por diante.
A segunda condição a ser
considerada refere-se à mudança na manifestação das doenças. Devido às alterações
orgânicas do envelhecimento e à multiplicidade de doenças coexistentes, as manifestações
mais comuns das diversas doenças são totalmente diferentes no jovem e no idoso.
Assim, um infarto do miocárdio no adulto jovem ou de meia idade manifesta-se
geralmente por uma forte dor no peito, eventualmente irradiada para braço esquerdo
ou costas; já no idoso o infarto pode aparecer, e freqüentemente aparece, sem
dor, sendo suas manifestações mais comuns a confusão mental ou falta de ar que
apareça de maneira súbita; as infecções podem se manifestar sem febre, porem
com confusão mental aguda; problemas abdominais como uma apendicite ou uma inflamação
de vesícula aparecerem sem resistência à palpação do abdome. Como é fácil entender,
estas diferenças podem muitas vezes tornar difícil, principalmente para os profissionais
que não estejam acostumados a tratar idosos, fazer o diagnóstico imediato dos
problemas do paciente idoso, o que pode vir a atrasar um tratamento necessário.
A terceira condição refere-se
àquelas doenças que são, efetivamente próprias do indivíduo idoso. Assim como
na criança observamos uma prevalência maior de diversas doenças, que por este
motivo, são chamadas doenças próprias da infância, como o Sarampo, a Catapora,
a Coqueluche, etc., o envelhecimento traz consigo uma maior chance de aparecimento
de algumas outras doenças, que serão comentadas no decorrer deste trabalho,
como os problemas vasculares, arteriais ou venosos; a osteoartrose, a osteoporose,
os problemas cerebrais referentes à memória, as alterações do equilíbrio e da
marcha e outros, que poderiam assim ser chamadas doenças próprias do envelhecimento,
na medida em que refletem o desgaste dos diversos órgãos já anteriormente referidos.