Devido ao
aumento na obesidade e longevidade da população americana, a incidência de insuficiência
venosa crônica e úlceras de estase venosas certamente irá aumentar. Weingarten
atualiza o tratamento dessas úlceras.
A estase venosa
é uma doença que ocorre mais comumente em pacientes obesos, com insuficiência
cardíaca congestiva ou diabetes. As úlceras geralmente surgem durante os anos
de atividade profissional, acrescendo aos custos médicos decorrentes do tratamento
da doença, os custos indiretos relacionados à perda de produtividade. Os sinais
típicos da insuficiência venosa crônica incuem edema de pés, varicosidades venosas
e hiperpigmentação da pele. As úlceras de estase ocorrem mais comumente no maléolo
medial, mas qualquer parte do membro inferior pode estar envolvida. Pacientes
com úlceras de estase tipicamente referem dor no local da úlcera e aumento do
peso do membro secundário ao edema.
Entre os diagnósticos
diferencias de úlceras por estase venosa estão as úlceras secundárias a insuficiência
arterial, a vasculites ou a neoplasias de pele, todas menos freqüentes. Medidas
não invasivas da função arterial através de um esfigmomanômetro ou o uso de
doppler para a avaliação do índice tornozelo-braquial são métodos efetivos no
rastreamento da insuficiência arterial. A biópsia de qualquer úlcera não cicatrizante
pode guiar o médico na escolha antibiótica (se necessária) e excluir a possibilidade
de vasculite ou neoplasia.
Os diuréticos
são geralmente utilizados no tratamento da insuficiência venosa mas geralmente
inefetivos sem o uso concomitante de meias compressivas. A antibioticoterapia
deve ser baseada na cultura microbiológica do tecido afetado. A intervenção
mais importante é a compressão efetiva do membro acometido. A bota de Unna,
quando corretamente aplicada (pressão máxima no tornozelo, regulando até a ausência
de compressão no topo da bota), é um tratamento consagrado, mas não pode ser
utilizada caso haja uma grande área de lesão. Já há disponibilidade de uma série
de diferentes tipos de meias compressivas. Meias 3/4 são melhor toleradas pelos
pacientes do que as meias-calça até a cintura. Bombas de compressão pneumática
intermitente podem ser utilizadas como terapia adjuntiva.
A manutenção
de um microambiente de cicatrização úmido e o debridamento de tecido necrótico
aumentam as taxas de cicatrização e reduzem a dor. Umidade e curativos oclusivos
(por exemplo, gel de hidrocolóide) também diminuem a dor relacionada à úlcera.
O uso prolongado de agentes antissépticos tópicos (polvidine, peróxido de hidrogênio,
ácido acético) deve ser evitado.
Novas tecnologias
para o tratamento de úlceras de estase venosa surgem a partir do aprendizado
com o tratamento de úlceras diabéticas. Compostos tópicos contendo uma série
de fatores de crescimento se mostraram úteis em alguns estudos. A ligação de
veias insuficientes próximas às úlceras ou enxertos cutâneos são utilizados
na maioria dos casos refratários.
Referência:
Weingarten MS. State-of-the-art treatment of chronic venous disease. Clin Infect
Dis March 15, 2001;32:949-54.