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Marcador neuroendócrino melhora prognósticos prostáticos

A cromogranina A (CgA), um produto neuroendócrino de algumas das células da próstata, aumenta o valor preditivo da dosagem do PSA na avaliação de homens com doença prostática, segundo um artigo publicado na edição de 1º de junho da revista Cancer.

O Dr. Luigi Dogliotti e colaboradores, da Azienda Ospedaliera San Luigi, de Orbassano, Itália, examinaram o quanto a CgA poderia ser usada para predizer-se o resultado de vários graus de doença prostática em 354 homens (141 com hipertrofia prostática benigna [HBP], 54 com neoplasia prostática intraepitelial [PIN] e 159 com câncer de próstata [PC]).

Não houve correlação entre os níveis de CgA e de PSA, relataram os autores. Entretanto, os níveis de CgA eram mais elevados entre os homens com câncer de próstata no estágio D2 (metastático). Os níveis de CgA também estavam patologicamente elevados em 8 homens que apresentavam câncer de próstata e nível de PSA normal.

Tanto os níveis de PSA quanto os de CgA predisseram a taxa de sobrevivência: os homens com os níveis mais elevados de ambos tiveram períodos menores de sobrevida. A mediana de sobrevivência entre os homens com os níveis mais elevados foi de um terço a um meio daquela observada entre os pacientes com níveis normais destes marcadores.

Homens com níveis elevados de CgA tinham uma tendência a responder pior à quimioterapia que aqueles com níveis normais deste marcador. Um aumento nos níveis de CgA também indicava precocemente uma recidiva ou uma disseminação do câncer, melhor do que o observado com o PSA.

A enolase-neuronio-específica (NSE), outro marcador neuroendócrino em estudo na doença prostática, não se mostrou tão útil quanto a CgA ou o PSA, segundo os autores da pesquisa.

Baseados em seus achados, os pesquisadores sugerem que as células neuroendócrinas presentes na próstata podem ser mais resistentes à quimioterapia, fazendo com que as medidas da CgA produzidas por estas células possam fornecer informações adicionais àquelas oferecidas pela dosagem do PSA. Os autores concluem que "a medida de CgA parece superior à da NSE no estudo da progressão dos tumores e pode ser usada durante o follow-up dos pacientes com doença avançada".

Referência: Cancer 88:2590-2597, 2000

Novo estudo revela:

o exame de PSA livre pode ajudar na decisão sobre o tratamento de câncer de próstata

O valor sérico da porcentagem livre de PSA (PSAl) pode ajudar médicos e pacientes portadores de câncer de próstata a decidirem sobre a melhor forma de tratamento, de acordo com estudo publicado em out./99 do The Journal of Urology.

Um dos autores principais do artigo, afirma que "quando usado em associação a outros dados do paciente, o resultado do PSAl(livre) pode ajudar médicos e pacientes a tomarem uma decisão mais correta." O PSAl pode ajudar a determinar quais pacientes se beneficiariam do tratamento cirúrgico e quais seriam candidatos a outras formas de tratamento.

Os autores notam que os resultados do trabalho foram obtidos com dois testes: os exames imunoquímicos de PSA total e de PSA livre Hybritech (R). "Nossos resultados aplicam-se apenas aos ensaios utilizados em nosso estudo", acrescentam.

"A determinação do PSA livre pode ajudar os médicos a diferenciarem tumores de comportamento mais agressivo - portanto, provavelmente, mais avançados - daqueles com maior probabilidade de estarem restritos à próstata e de comportamento pouco agressivo", afirma Catalona, na discussão dos resultados.

O antígeno prostático específico (PSA) está presente no sangue em duas formas: ligado a proteínas e em fração livre. Da mesma forma que o exame de colesterol, os cientistas descobriram que a dosagem das diferentes formas de PSA é útil para predizer riscos. O exame de PSA livre Hybritech é usado em associação à dosagem do PSA total para determinar a porcentagem de PSA livre.

O estudo analisou 773 homens, sendo 379 portadores de câncer de próstata e 394 portadores de hipertrofia prostática benigna. Todos os participantes tinham entre 50 e 75 anos de idade, valor de PSA total entre 4 e 10 ng/mL e exame digital retal não sugestivo de câncer - homens, portanto, pertencentes a uma zona diagnóstica intermediária.

Os autores relatam que os resultados do presente estudo estão de acordo com dados de estudo anterior, que demonstrou que o PSA livre aumenta a especificidade do rastreamento com PSA em homens da zona diagnóstica intermediária, indicando, portanto, uma correlação entre o valor de PSAl e a agressividade do tumor.

Pacientes com câncer de próstata e valores de PSA livre acima de 15% apresentaram uma maior probabilidade de câncer ainda restrito à próstata, fase em que a doença ainda é tratável. Esses pacientes também apresentaram uma maior probabilidade de serem portadores de formas menos agressivas de câncer.

Um estudo prévio, publicado no ano passado no The Journal of the American Medical Association (JAMA), demonstrou que muitos homens pertencentes à zona diagnóstica intermediária, com valores de PSAl superiores a 25%, não necessitavam de biópsia, a menos que seus antecedentes clínicos ou familiares indicassem a necessidade de tal procedimento.

Referência: Cancer 1999;86:1557-1566.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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