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IMRT (Radioterapia com intensidade modulada)

Conheça suas aplicações na Urologia

As neoplasias da próstata são muito comuns, e constituem problema de saúde pública em alguns países, como nos EUA, onde representam a segunda maior causa de morte por câncer entre homens. No Brasil, ocupa o segundo lugar na incidência de tumores malignos no sexo masculino (40,49 / 100.000 habitantes), e também o segundo em mortalidade (9,47 / 10.000), atrás apenas das neoplasias de pulmão.

Pacientes com doença localizada podem optar entre diversas modalidades tera- pêuticas, dentre elas a cirurgia, radioterapia externa, braquiterapia, manipulação hormonal e, até mesmo, a observação. Nos últimos cinco anos, o implante transperineal de isótopos radioativos, a radioterapia conformal tridimensional (RT-3D) e a intensidade modulada (IMRT), vêm se tornando alternativas de escolha cada vez mais freqüentes.


A radiação ionizante tem sido utilizada no tratamento dos tumores de próstata há quase um século, principalmente a partir da década de 60, após a introdução dos aparelhos de megavoltagem. Na radioterapia convencional, o processo de identificação e delineamento das áreas a serem tratadas baseia-se nos dados de exame físico (palpação / visualização do tumor e de órgãos sadios), nos relatos cirúrgicos e anátomo patológicos, e na correlação da localização anatômica do tumor, observada nos exames de imagem com finalidade diagnóstica.

Vários estudos demonstram uma relação direta entre o controle local e a dose final de radioterapia, e mostram altas taxas de recidivas em pacientes portadores de tumores localizados da próstata, tratados com radioterapia externa convencional: 12 a 35% para estádios T1b - T2, e 30 a 42% nos T3 - T4, em 10 a 15 anos. As doses finais consideradas efetivas (acima de 70 Gy), para melhorar o controle local, tanto clínico quanto bioquímico, são limitadas pela tolerância dos tecidos normais circunjacentes, especialmente o reto e a bexiga.

A radioterapia convencional normalmente emprega doses entre 60 a 66 Gy.

Na década de 80, o avanço da informática e dos exames de imagens na área médica (ultra-sonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética nuclear), possibilitaram o planejamento computadorizado, com uma delimitação mais precisa das áreas a serem irradiadas e, conseqüentemente, uma maior proteção dos tecidos sadios, melhorando a acurácia da radioterapia. Nos últimos anos, dois foram os marcos importantes no uso da radioterapia externa: o escalonamento de dose (possível apenas com novas tecnologias), e o uso de hormonioterapia associada.

As novas tecnologias incluem a radioterapia conformal tridimensional (RT-3D), e a com intensidade modulada (IMRT - do inglês: "Intensity-Modulated Radiation Therapy"), cujos primeiros resultados foram publicados na década de 90. Ambos permitem uma melhor definição do volume-alvo, maior preservação dos tecidos normais ao redor e escalonamento da dose final, que resulta em melhor controle local e menos morbidade.


O planejamento tridimensional preparatório para as técnicas conformal (RT-3D) ou IMRT, é efetuado através da reconstrução de cortes de tomografia computadorizada, onde são delineadas as estruturas de interesse (cabeça de fêmur, reto, bexiga, próstata e vesículas seminais). Permite o arranjo de vários campos com diferentes portas de entrada, inclusive em planos não-axiais, e principalmente o cálculo da distribuição de dose, comparação entre diferentes técnicas, e geração de histogramas de dose-volume (DVH - gráficos que ilustram o quanto de cada órgão, seja ele alvo ou normal, recebe de radiação).

Apesar da maior experiência clínica com RT-3D, a IMRT oferece uma melhora tecnológica substancial, com enorme potencial para atingir o máximo de ganho terapêutico.
A radioterapia com intensidade modulada do feixe é um refinamento da técnica de radioterapia tridimensional conformal. A IMRT permite o tratamento conformal através do uso de feixes não-uniformes.


Nesse processo, cada feixe é dividido em múltiplos segmentos, a fim de se modular a dose distribuída pelo alvo na totalidade de sua superfície. A modulação da intensidade do feixe, dentro dos campos de tratamento, é obtida através da maior ou menor exposição de cada ponto durante o tratamento. Isto se consegue a partir da movimentação precisa de pequenas lâminas de chumbo localizadas no interior do aparelho de radioterapia, ao longo do tempo de irradiação, controlada por um programa de computador, alimentado com os dados advindos do processo de planejamento.

Ao contrário dos métodos de planejamento convencionais, na IMRT ocorre o planejamento inverso, ou seja, inicialmente são definidos os limites e a distribuição de dose, e posteriormente é determinado o número e a intensidade de cada feixe que irá compor a distribuição de dose proposta. O tratamento pode ser realizado com campos estáticos, no qual os colimadores multi-folhas permanecem estáticos enquanto o feixe é liberado (chamado de "step and shoot"), ou com colimadores de multi-folhas dinâmico, que se movem continuamente e com diferentes velocidades através do feixe de irradiação (técnica de "sliding window").

Referências:
1. Estimativas da Incidência e Mortalidade por Câncer no Brasil. INCA - 2003.
2. Peschel RE, Colberg JW. Surgery, brachytherapy, and external-beam radiotherapy for early prostate cancer. The Lancet Oncology, 2003; 4: 233.
3. Zelefsky MJ, Fuks Z, Hunt M et al. High dose intensity modulated radiation therapy for prostate cancer: early toxicity and biochemical outcome in 772 patients. Int J of Radiation Oncology Biol and Phys, 2002; 53: 1111 - 1116.
4. Leibel SA, Fuks Z, Zelefsky MJ et al. Intensity-modulated radiotherapy. Cancer J, 2002; 8: 164.
5. Kurhanewicz J, Dahiya R, Macdonald JM et al. Citrate alterations in primary and metastatic human prostate adenocarcinomas: IH magnetic resonance spectroscopy and biochemi- cal. Magn Reson Med, 1991; 29: 149.
6. Ma L, Yu CX, Earl M et al. Optimized intensity-modulated arc therapy for prostate cancer treatment. Int J Cancer, 2001; 96: 379


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