A disfunção
erétil é muito freqüente, acometendo cerca de 30 milhões de homens norte-americanos
(1). Aos 60 anos de idade, um em cada três homens, nos Estados Unidos, apresenta
queixas da esfera sexual (1).
Desde a verificação
de que as chamadas cirurgias vasculares penianas apresentam resultados bastante
pobres (2,3,4), sendo, em 1994, considerandos procedimentos experimentais (5),
o implante de prótese peniana voltou a assumir papel de destaque na terapêutica
da impotência.
Há quase 3.000
anos, os chineses já usavam hastes de marfim para complementar e auxiliar a
ereção peniana (6).
Em 1939 tentou-se
pela primeira vez a utilização de próteses penianas de cartilagem de osso, com
resultados desapontadores (7,8). A experiência mundial efetiva data de 30 anos,
com advento da primeira prótese de material sintético, o acrílico (9), colocada
entre a túnica albugínea e a fáscia de Buck (8). Posteriormente, foram introduzidas
as próteses semi-rígidas de silicone (10) e infláveis (11), colocadas no interior
dos corpos cavernosos.
A possibilidade
de realizar-se esse tipo de cirurgia sob anestesia local nos pareceu bastante
atraente. Assim, a partir de 1990 passamos a utilizar anestesia local nos implantes
de próteses penianas, conforme apresentamos à seguir.
Uma hora antes
do procedimento, o paciente recebe 1,0g endovenosa de cefalosporina. Meia hora
antes de entrar na sala de cirurgia é realizada a sedação intra-muscular com
7,5mg de midazolam.
O procedimento
é, então, iniciado com o paciente em posição de litotomia, procedendo-se a escovação
e lavagem suprapúbica, peniana e perineal do paciente com água e sabão normal.
Após isso,
inicia-se a anestesia local, com a infiltração de 10ml de cloridrato de bupivacaína
a 0,5%, sem vasoconstrictor, em cada uma das tuberosidades isquiáticas. A seguir,
infiltramos 10ml de cloridrato de lidocaína na raiz peniana, da mesma maneira
que para a realização de postectomia.
Uma vez realizada
a anestesia local, o paciente é reposicionado, em decúbito dorsal horizontal.
Após a assepsia,
com iodopovidona, realiza-se uma incisão longitudinal de 2,0 cm na face ventral
da haste peniana tomando-se especial cuidado com a uretra. Os dois corpos cavernosos
são abertos lateralmente e inicia-se a dilatação intracavernosa com velas dilatadoras.
Dilatação intracavernosa:
para manutenção da vascularização, a dilatação iniciava-se com velas de calibre
fino, interessando a porção mais lateral de cada corpo cavernoso. A dilatação
é interrompida ao atingir-se o calibre da prótese peniana, de 9,0 mm de diâmetro.
A colocação
da prótese também deve ser cuidadosa. A prótese mais utilizada é a semi-rígida,
tipo Jonas, com calibre 9,0 mm de diâmetro.
A seguir, os
corpos cavernosos são fechados com sutura contínua de fio absorvível monofilamentar
2-0. O tecido subcutâneo e a pele são fechados com fio absorvível tipo catgut
4-0. Enfim, é feito um curativo suavemente compreensivo, mantido por 24 horas.
Geralmente
o paciente recebe alta hospitalar entre 6 e 8 horas após o término da cirurgia.
O paciente
continua recebendo, em casa, antibioticoprofilaxia e analgesia oral durante
sete dias.
O acompanhamento
clínico é feito após quinze dias, no consultório.
Um mês após
a cirurgia o paciente é novamente avaliado e recebe autorização e orientação
para manter relação sexual.
Nos pacientes
diabéticos a glicemia deve estar controlada e abaixo de 150 mg/ml desde o dia
cirúrgico até pelo menos três meses depois do implante peniano. Contudo, esses
pacientes não recebem antibioticoprofilaxia especial.
Os pacientes
só recebem alta médica depois de seis meses da cirurgia.