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Hiperplasia benigna da próstata

A hiperplasia benigna da próstata é definida do ponto de vista histopatológico. Clinicamente, caracteriza-se por sintomas do trato urinário inferior (aumento da freqüência e urgência miccionais, jato fraco e intermitente, sensação de esvaziamento vesical incompleto e nictúria) e pode resultar em complicações, como a retenção urinária aguda.

Incidência/prevalência

Por volta dos 70 anos de idade, estima-se uma prevalência de hiperplasia benigna da próstata sintomática entre 10-30%, dependendo da definição da doença empregada.

Etiologia/Fatores de risco

Os mecanismos através do qual a hiperplasia prostática causa sintomas e complicações não são claros, embora a obstrução da via de saída da bexiga seja um fator importante. Os fatores de risco mais bem documentados são idade avançada e função testicular normal.

Prognóstico

Estudos realizados em comunidades e com base prática sugerem que homens com sintomas do trato urinário inferior geralmente apresentam progressão lenta dos sintomas. Entretanto, os sintomas podem melhorar ou piorar após o tratamento. Em pacientes com sintomas de hiperplasia benigna da próstata, a incidência de retenção urinária aguda é de 1-2%/ano.
Quais são os efeitos do tratamento?

Benefícios

Alfa-bloqueadores.
Revisões sistemáticas demonstraram que os alfa-bloqueadores melhoram o escore de sintomas do trato urinário inferior em comparação com o placebo. Os trabalhos mostram poucas evidências de que diferentes alfa-bloqueadores apresentam efeitos semelhantes. Estudos controlados e randomizados (ECRs) revelaram poucas evidências de que alfa-bloqueadores são melhores no alívio dos sintomas em comparação com a finasterida, um inibidor da 5-alfa-redutase. Um ECR não demonstrou diferença significativa entre o tratamento durante 1 ano com tansulosina e o tratamento com extrato de palmito no alívio dos sintomas ou nos valores de fluxo urinário máximo. Outro ECR mostrou evidências limitadas sugerindo que os alfa-bloqueadores são menos eficazes no alívio dos sintomas que a termoterapia transuretral com microondas após 18 meses de tratamento. Não foram identificados ECRs comparando o tratamento cirúrgico com a utilização dos alfa-bloqueadores.

Inibidores da 5-Alfa Redutase.
Uma revisão sistemática e ECRs demonstraram que os inibidores da 5-alfa-redutase melhoram o escore de sintomas e reduzem complicações da doença em comparação com o placebo. A revisão mostrou uma associação entre essas drogas e um maior número de efeitos colaterais, em relação ao placebo, incluindo diminuição da libido, impotência e disfunção ejaculatória. Os ECRs revelaram evidências limitadas de que a finasterida seja menos eficaz no alívio dos sintomas que os alfa-bloqueadores. Uma revisão sistemática não identificou diferença significativa no alívio dos sintomas em pacientes tratados com finasterida e pacientes que utilizaram extrato de palmito. Não foram identificados ECRs comparando os inibidores da 5-alfa-redutase com o tratamento cirúrgico.

Extrato de Palmito.
Uma revisão sistemática demonstrou que o extrato de palmito melhora os sintomas dos pacientes, em comparação com o placebo. Não se identificou diferença significativa no escore de sintomas quando o tratamento com extrato de palmito foi comparado com a tansulosina (um alfa-bloqueador) ou a finasterida (um inibidor da 5-alfa-redutase). Um ECR não demonstrou diferença significativa no alívio dos sintomas em pacientes tratados exclusivamente com tansulosina e pacientes que utilizaram a tansulosina associada ao extrato de palmito.

Termoterapia transuretral com microondas.
ECRs revelaram que a termoterapia transuretral com microondas reduz os sintomas da doença, em comparação com o placebo. Foram identificadas poucas evidências de que a termoterapia seja menos eficaz que a ressecção transuretral no alívio dos sintomas a curto prazo. Um ECR mostrou que a termoterapia transuretral com microondas foi mais eficaz no alívio dos sintomas após 18 meses, em comparação com os alfas-bloqueadores.

Ressecção transuretral X nenhuma intervenção cirúrgica.
ECRs mostraram que a ressecção transuretral melhora o escore de sintomas, em comparação com a conduta expectante, e não aumenta o risco de disfunção erétil ou incontinência urinária.

Referências
1. Bosch JL, Hop WC, Kirkels WJ, et al. Natural history of benign prostatic hyperplasia: appropriate case definition and estimation of its prevalence in the community. Urology 1995;46(suppl A):34-40.
2. Barry MJ, Adolfsson J, Batista JE, et al. Committee 6: measuring the symptoms and health impact of benign prostatic hyperplasia and its treatments. In: Denis L, Griffiths K, Khoury S, et al., eds. Fourth International Consultation on BPH, Proceedings. Plymouth, UK: Health Publication Ltd., 1998:265-321.
3. Oishi K, Boyle P, Barry MJ, et al. Committee 1: Epidemiology and natural history of benign prostatic hyperplasia. In: Denis L, Griffiths K, Khoury S, et al., eds. Fourth International Consultation on BPH, Proceedings. Plymouth, UK: Health Publication Ltd., 1998:23-59.
4. Jacobsen SJ, Girman CJ, Guess HA, et al. Natural history of prostatism: longitudinal changes in voiding symptoms in community dwelling men. J Urol 1996;155:595-600.
5. Barry MJ, Fowler FJ, Bin L, et al. The natural history of patients with benign prostatic hyperplasia as diagnosed by North American urologists. J Urol 1997;157:10-5.
6. Jacobsen S, Jacobson D, Girman C, et al. Natural history of prostatism: risk factors for acute urinary retention. J Urol 1997;158:481-7.
7. McConnell J, Bruskewitz R, Walsh P, et al. The effect of finasteride on the risk of acute urinary retention and the need for surgical treatment among men with benign prostatic hyperplasia. N Engl J Med 1998;338:557-63.


Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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