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Doenças comuns do aparelho gênito-urinário

As doenças do aparelho gênito-urinário mais comumente encontradas em pacientes do sexo masculino incluem a prostatite, a hiperplasia benigna da próstata, o câncer urogenital, a ejaculação precoce e a disfunção erétil. As infecções bacterianas são responsáveis por apenas 5 a 10 por cento dos casos de prostatite. A hiperplasia benigna da próstata acomete 90% dos homens com 85 anos de idade. Os tipos mais comuns de câncer urogenital incluem o câncer de próstata, o carcinoma de células transicionais da bexiga e o câncer de testículo. Embora cerca de 10% dos homens desenvolvam câncer de próstata, o rastreamento dessa doença ainda é motivo de polêmica. A ejaculação precoce ocorre em até 40% dos homens, e o tratamento com antidepressivos tricíclicos, inibidores seletivos da recaptação da serotonina, aconselhamento psicológico e terapia comportamental podem trazer benefícios. A disfunção erétil acomete cerca de 30% dos homens entre 40 e 70 anos de idade. Bons resultados terapêuticos vêm sendo obtidos com a administração oral de sildenafil e o uso intra-uretral do alprostadil.

Muitas queixas ou sintomas gênito-urinários nos pacientes do sexo masculino não são trazidos para o médico generalista, a menos que sejam feitas perguntas direcionadas sobre o desempenho sexual e a função urinária. As doenças mais comuns nos homens incluem a prostatite, a hiperplasia benigna da próstata, o câncer urogenital, a ejaculação precoce e a disfunção erétil. Perguntas dirigidas para identificar essas condições devem ser incluídas na anamnese desses pacientes.

Prostatite

É classicamente dividida em quatro categorias clínicas: prostatite bacteriana aguda, prostatite bacteriana crônica, prostatite não-bacteriana e prostatodínea. Apenas 5 a 10 por cento dos casos de prostatite representam infecções bacterianas.1

Prostatite bacteriana aguda

A prostatite bacteriana aguda costuma se apresentar como uma doença febril aguda, acompanhada por dor lombar, perineal ou retal. Os pacientes podem se queixar de calafrios, mialgias, artralgias, disúria e sintomas urinários irritativos. Ao exame de toque retal, pode-se evidenciar uma próstata aumentada, quente e endurecida (vale lembrar, entretanto, que esse exame geralmente não é recomendado, tendo em vista o risco de uma possível bacteremia).

Em 80% dos casos, a Escherichia coli é o agente etiológico encontrado.1 A prostatite bacteriana aguda também pode ser causada pela Pseudomonas aeruginosa, Neisseria gonorrhoeae, Mycobacterium tuberculosis, Serratia, Klebsiella e Proteus, além de outras enterobactérias.

Dependendo da gravidade da infecção, pode ser necessário internar os pacientes para a administração parenteral de antibióticos. O tratamento domiciliar com antibioticoterapia oral pode ser empregado em pacientes com formas menos graves da doença. As drogas eficazes incluem as fluoroquinolonas (por exemplo, a ciprofloxacina, levofloxacina e ofloxacina), ampicilina, doxiciclina e sulfametoxazol-trimetoprima. Em geral, o tratamento deve durar quatro a seis semanas, evitando o desenvolvimento de prostatite crônica ou de abscessos.1

Prostatite bacteriana crônica

A prostatite bacteriana crônica é causada pelos mesmos agentes que a prostatite bacteriana aguda. Ocorre mais freqüentemente em idosos e é descrita como uma doença crônica com episódios agudos.

Na ausência de sintomas, muitas vezes é diagnosticada pela presença de bacteriúria. Em geral, é identificada a partir de infecções recorrentes do trato urinário, disúria, urgência e hesitação miccional, bem como dor lombar, retal, perineal ou supra-púbica. Na maioria das vezes, não ocorre febre. Ao exame físico, observa-se uma próstata normal, embora a glândula possa apresentar alterações discretas. O diagnóstico definitivo é baseado nos sintomas do paciente e, após a massagem prostática, na pesquisa de leucócitos na secreção prostática.

O tratamento da prostatite bacteriana crônica é dificultado pela baixa penetração dos antibióticos na glândula acometida. As fluoroquinolonas podem ser eficazes, e a cefalexina, a doxiciclina e a carbenicilina são boas alternativas. A duração do tratamento é motivo de discussão, mas os sintomas tendem a melhorar após três meses de tratamento. O índice de sucesso terapêutico relatado varia entre 30 e 100 por cento.1

Prostatite não bacteriana e prostatodínea

A prostatite não-bacteriana e a prostatodínea são oito vezes mais freqüentes que a prostatite bacteriana aguda e crônica.1

A prostatite não-bacteriana é caracterizada por dor e inflamação da próstata sem agente etiológico aparente. A secreção obtida por massagem prostática contém numerosos leucócitos, mas os exames de cultura são negativos. Embora microorganismos como Chlamydia trachomatis, Ureaplasma urealyticum, Mycoplasma hominis e Trichomonas vaginalis sejam postulados como agentes etiológicos, ainda faltam evidências. 1

A prostatodínea consiste em dor e outros sintomas localizados na próstata sem inflamação evidente da glândula e sem a presença de leucócitos na secreção prostática.

A prostatite não-bacteriana e a prostatodínea costumam se manifestar por dor, urgência miccional, jato urinário fraco, noctúria, hesitação e disfunção sexual (como, por exemplo, dor à ejaculação, após a ejaculação e hematospermia). O diagnóstico diferencial com a hiperplasia benigna da próstata pode ser difícil. O exame da próstata não revela alterações.

Apesar de não ter sido demonstrado que agentes bacterianos são responsáveis por essas condições, o tratamento direcionado para o combate de C. trachomatis e U. urealyticum pode ser utilizado empiricamente, utilizando-se a tetraciclina, doxiciclina ou eritromicina. Nos pacientes com boa resposta terapêutica, a duração mínima do tratamento deve ser de seis semanas.1 Os bloqueadores alfa1-adrenérgicos e os anti-inflamatórios não-hormonais podem melhorar os sintomas. A cura da prostatite não-bacteriana e da prostatodínea é difícil, mas a melhora dos sintomas ocorre em metade dos pacientes submetidos ao tratamento.1

Hiperplasia benigna da próstata

A hiperplasia benigna da próstata, a neoplasia benigna mais comum no sexo masculino, é responsável por mais de 1,7 milhões de consultas por ano 2, sendo encontrada em 50% dos pacientes aos 60 anos de idade e em 90% aos 85 anos.3 A intervenção terapêutica é necessária em apenas 50% dos pacientes com essa condição.3

As manifestações clínicas se expressam por sintomas obstrutivos ou irritativos. Os sintomas obstrutivos incluem jato urinário fraco, hesitação, gotejamento, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e retenção urinária aguda. Os sintomas irritativos incluem noctúria (mais de uma vez por noite), polaciúria (mais de oito vezes por dia), urgência miccional e disúria.3 O American Urological Association Symptom Index for Benign Prostatic Hyperplasia foi desenvolvido para quantificar os sintomas urinários e avaliar a eficácia do tratamento.

Os pacientes com sintomas leves geralmente não necessitam de tratamento, mas aqueles com sintomas moderados e graves podem ter benefícios significativos. As opções terapêuticas incluem a abordagem clínica, a incisão transuretral da próstata, a ressecção transuretral da próstata, a prostatectomia e a dilatação com balão.

O tratamento clínico deve ser instituído inicialmente, reservando-se a intervenção cirúrgica para os pacientes que não respondem bem aos agentes farmacológicos. As drogas utilizadas incluem os bloqueadores alfa1-adrenérgicos, os inibidores da enzima 5-alfa-redutase e muitos fitoterápicos.

Referências:
1. Roberts RO, Lieber MM, Bostwick DG, Jacobsen SJ. A review of clinical and pathological prostatitis syndromes. Urology 1997;49:809-21.
2. Madsen FA, Bruskewitz RC. Clinical manifestations of benign prostatic hyperplasia. Urol Clin North Am 1995;22:291-8.
3. Barry MJ, O'Leary MP. Advances in benign prostatic hyperplasia. The development and clinical utility of symptom scores. Urol Clin North Am 1995;22: 299-307
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Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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