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Dosagem sérica do PSA total e livre no diagnóstico do câncer de próstata

O rastreamento do câncer de próstata, baseado exclusivamente nos níveis séricos de PSA, está associado a muitos resultados falsos positivos, com biópsias desne-cessárias e desconforto para o paciente. O valor limite atual para o PSA total resulta em muitos falsos negativos.

Reduzindo esse valor, é possível aumentar o número de casos diagnosticados, mas com um número também maior de falsos positivos. Outros métodos - como a utilização de valores de acordo com a faixa etária, a análise da evolução dos valores de PSA com o tempo e a relação PSA-volume da próstata utilizando a ultra-sonografia - foram empregados sem benefícios evidentes.

Baseando-se nos níveis aumentados de PSA ligado a proteína em pacientes com câncer de próstata e PSA livre em indivíduos com hiperplasia prostática benigna, muitos sugerem a utilização da dosagem sérica do PSA livre. Estudos preliminares indicam que o valor percentual de PSA livre em pacientes com níveis de PSA total discretamente elevados, pode reduzir o número de biópsias desnecessárias sem deixar de diagnosticar um número significativo de indivíduos com câncer. A melhor maneira de incorporar a dosagem de PSA livre nos protocolos de rastreamento da doença ainda não foi estabelecida.

Este estudo caso-controle de exames de PSA total e livre, realizados, entre 1982 e 1983, para comparar a eficácia dos métodos. O Physicians’ Health Study analisou 430 pacientes à com câncer de próstata e 1.642 controles para identificar uma estratégia para a redução do número de biópsias desnecessárias sem minimizar o diagnóstico em pacientes com a doença. A maioria dos pacientes incluídos no estudo tinham mais de 50 anos de idade.

Qualquer valor limite de PSA livre entre 17 e 22 (em %) em pacientes com PSA total entre 3 e 10 ng/mL reduziu o número de biópsias e aumentou o número de verdadeiros positivos diagnosticados.

As lesões não diagnosticadas com a associação dos níveis de PSA total e livre provavelmente se desen-volvem por um período mais prolongado. Vários fatores individuais, como a idade, raça e o uso de finasterida, podem influenciar na estimativa dos possíveis benefícios da dosagem dos níveis de PSA livre.

Os autores concluem que a dosagem combinada do PSA total e livre pode ser útil no diagnóstico do câncer de próstata, reduzindo o número de biópsias desnecessárias.

As diretrizes específicas precisam ser estabelecidas, mas pacientes com níveis
de PSA total entre 4 e 10 ng/mL têm uma probabilidade de 75%, de não apre-sentar câncer sem conhecer os níveis de PSA livre, e de 92%, se os valores de PSA livre forem maiores ou iguais a 27%.

Pacientes com esse mesmo valor de PSA total têm um risco de 25% de apresentarem a doença, enquanto utilizando-se ainda o critério de PSA livre menor ou igual a 17%, esse risco sobe para 45%. A estratégia ideal deve combinar esses resultados com dosagens seriadas e o exame de toque retal.

Referência
Gann PH, et al. Strategies combining total and percent free prostate specific antigen for detecting prostate cancer: a prospective evaluation. J Urol June 2002;167:2427-34.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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